A escolha por um filme francês no cinema é sempre certeira. O idioma te envolve, a maneira como o longa é feito é mais sutil, beirando o alternativo, a fotografia é sempre divergente e simplista… São vários os motivos para você, sempre quando puder e quiser, deixar o pacote hollywoodiano de lado e se jogar numa produção francesa de qualidade. Mas como chegar nessa “qualidade” sem se decepcionar? Assisti ao longa “O Melhor Professor da Minha Vida”, do diretor Olivier Ayache-Vidal, e que está em cartaz nos cinemas, sem muitas expectativas. Fui ao cinema como quem buscava o que acabei de dizer no início do texto: “Ah, esse aqui é um filme francês? Ok, ótimo, vou variar um pouco e sentir o que a França tem a me dizer hoje”. Assim, sem muito o que fazer. Meio que na sorte mesmo. Se ele for bom, perfeito! Uni o útil ao agradável. Agora, se ele não prestar, pelo menos vai cumprir seu papel de distinção do cenário norte-americano. Uma obra fora do padrão sempre nos leva a uma nova interpretação.
Na trama, logo na primeira cena, você conhece o rígido e elitista professor François Foucault (Denis Podalydès), que leciona em uma renomada escola de Paris e trata seus alunos com arrogância e desdém. O fato de seus alunos não tirarem boas notas é motivo para que ele deboche de cada um, em alto e bom som no meio da sala de aula. Só que, durante a noite de autógrafos de uma nova obra de seu pai escritor, ele conhece uma funcionária do ministério da educação e acaba, fatidicamente, sendo convidado a dar aulas em um colégio na periferia para ajudar a mudar um triste cenário francês com sua nobre experiência. Chegando na nova escola, uma turma rebelde e indisciplinada o recebe. Somente com o passar do tempo ele consegue entender melhor os alunos e uma relação de professor e aluno é criada.
Em meio a essa rápida e instantânea sinopse, você já imagina quão previsível é essa produção, não é mesmo?! Por vezes, ela pode chegar a ser até tediosa. É claro que o professor terá mil problemas no início, como dificuldade de aprendizado, notas baixíssimas, baderna, rebeldia e desatenção dos alunos, mas é fato que se envolverá e dará a volta por cima no final. Um script desenhadinho na sua cabeça, você nem precisaria ver o filme. Mas a questão não é não ter paciência para a sinopse, e sim deixar a “dramédia” te envolver, como iniciei este texto, buscando um momento de lazer diferentão daquele que vem dos Estados Unidos. Mas é meio contraditório, né? Como ser discordante se a sinopse já é previsível?
O lado bom dessa história toda é a discussão. O retrato irregular do ensino na França pode ser trazido para o nosso país com facilidade. Tanto que a identificação de professores brasileiros que assistirem ao filme será imediata. Por mais provável e esperável que possa ser, aquele que leciona e aquele que estuda vão tirar alguma lição. E isso é maravilhoso! Mas para que essa produção francesa, que já tem o estereótipo de ser automaticamente aristocrática, possa chegar a alunos e professores brasileiros, isso tem que ser divulgado, tem que ser espalhado e reconhecido. Nada existe de permanente a não ser a mudança. Como numa citação de George Bernard Shaw, “não há progresso sem mudança. E quem não consegue mudar a si mesmo acaba não mudando coisa alguma”. Temos que mudar e abrir nossas mentes, tanto para assistir a um monótono filme francês como para rever métodos de ensino, dentro e fora da escola, fora e dentro de casa. Essa é só uma maneira previsível de se ver a vida: “Os ousados começam, mas só os determinados terminam”.
“Luiz, Câmera, Ação” é publicada neste espaço toda sexta-feira!
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