Desfile Baianas Ozadas 2026 – Julia Lanari.
A uma semana do fim do cadastro de blocos da Prefeitura, agremiações ensaiam em bares e praças e cobram infraestrutura para a preparação; capital encerrou 2026 com recorde de 6,6 milhões de foliões
A dimensão do que está em jogo justifica a antecedência. Segundo o balanço oficial da Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Belotur, o Carnaval de 2026 reuniu 6,6 milhões de foliões ao longo de 23 dias, com 457 desfiles de blocos de rua e R$ 1,4 bilhão em movimentação econômica na capital. Foram 612 blocos cadastrados e 660 cortejos, recorde que consolidou BH como o terceiro maior destino carnavalesco do país.
Por trás da grandeza, porém, o trabalho já começou. Meses antes da folia oficial tomar as ruas, já começam os preparativos, com ensaios abertos de bateria, alas e repertório acontecendo em espaços públicos, bares e praças da cidade. É nesses encontros que os ritmistas ajustam o tempo, novos integrantes são incorporados e o repertório que vai animar milhões de pessoas ganha forma.
Essa energia, no entanto, esbarra em um gargalo conhecido de quem constrói a festa: a falta de espaços adequados para ensaios. Sem locais próprios, as agremiações dependem da boa vontade de bares, praças, parques e centros culturais parceiros, disputando horários e enfrentando limitações de acústica, estrutura de som e logística — situação relatada há anos por blocos e entidades do setor.

“A grandeza da festa, porém, não pode esconder os desafios de quem a faz. O financiamento é uma parte da equação, mas existe outra tão crucial quanto: os espaços para ensaiar. Hoje, muitas agremiações ensaiam em bares, praças e locais improvisados, disputando estrutura e horários. Para que o Carnaval continue crescendo com a qualidade que a cidade merece, é fundamental garantir condições dignas de preparação para os blocos”, completa Polly Paixão.





