Mais de oito décadas após sua criação, “A Alma Boa de Setsuan”, de Bertolt Brecht, continua lançando uma pergunta desconcertante ao público: é possível permanecer bom em um mundo corrompido?
Três deuses descem à Terra à procura de uma alma verdadeiramente boa. Nessa jornada, encontram Shen Te, uma jovem prostituta, única pessoa disposta a acolhê-los. Como reconhecimento por sua bondade, os deuses lhe entregam dinheiro suficiente para comprar uma pequena tabacaria. O gesto, que parecia inaugurar uma nova vida, transforma-se no início de um dilema: quanto mais Shen Te ajuda aqueles que a cercam, mais sua bondade é explorada. Para sobreviver, ela inventa Shui Ta, um suposto primo duro, pragmático e implacável, capaz de fazer aquilo que ela, movida pela compaixão, não consegue.

Fotos – cartaz Setsuan 2026 – Cred: Laura Camarano
Ao alternar entre essas duas identidades, Bertolt Brecht constrói uma das mais contundentes parábolas do teatro moderno, expondo as contradições de um sistema em que solidariedade, ética e justiça entram em permanente conflito com as exigências da sobrevivência. Mais do que oferecer respostas, a obra lança ao público uma pergunta que continua atravessando o nosso tempo: é possível permanecer bom em um mundo que parece recompensar justamente o contrário?
Sob direção de Leonardo Fernandes, o clássico ganha uma leitura de forte elaboração visual e musical, centrada nas interpretações dos atores e orientada pela adaptação dinâmica do texto feita por Leonardo Fernandes e Lucas Vasconcellos. A montagem dialoga com questões permanentes da experiência humana, como as relações de poder, a desigualdade, a exploração, o dinheiro como mediador das relações sociais e os limites da ética diante da necessidade. Em vez de simplesmente atualizar Brecht, o espetáculo evidencia o quanto o autor permanece contemporâneo. A proposta cênica aposta em uma linguagem assumidamente teatral, em que música executada ao vivo, humor, ironia e o distanciamento brechtiano se articulam para provocar reflexão sem renunciar ao encantamento da cena, usando da força de diferentes gerações de atores no palco.
A Alma Boa de Setsuan fica em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil de 31 de julho a 17 de agosto de 2026, com sessões de sexta a segunda, às 20h. Os ingressos estão disponíveis no site ccbb.com.br/bh e na bilheteria do CCBB. No dia 14/08, haverá um bate-papo com o elenco após o espetáculo.
Mais informações:
A Alma Boa de Setsuan
Quando: De 31 de julho a 17 de agosto de 2026
Hora: Sexta a segunda, às 20h
Onde: Teatro I – CCBB BH Endereço: Praça da Liberdade, 450 – Funcionários, Belo Horizonte
Classificação Indicativa: 14 anos
Quanto: R$30,00 (inteira) e R$15,00 (meia-entrada), disponíveis no site ccbb.com.br/bh e na bilheteria do CCBB BH.





