Nos dias 24 e 25 de julho, Ouro Preto recebe a sexta edição do MARTE Festival, que reúne artistas, pesquisadores, músicos e criadores do Brasil, Paraguai, Argentina e Uganda em uma programação gratuita que conecta música, arte e tecnologia. Guiado pelo conceito “O Futuro é Ancestral — e vem do Sul Global”, o festival ocupa a Praça Tiradentes, o Museu da Inconfidência e a Casa Câmara com shows, conferências, performances, laser mapping e encontros voltados à criação contemporânea.
A edição de 2026 apresenta um dos line-ups mais abrangentes da trajetória do festival. Na programação artística estão Metá Metá, Assucena, Djuena Tikuna, Purahei Soul (Paraguai), Otros Aires (Argentina), Estela Ceregatti, Catalina Telerman (Argentina), Craca & Sandra X, Faizal Mostrixx (Uganda), Félix Robatto e a Cia Base Vertical com o espetáculo de laser mapping de Homem Gaiola. Paralelamente, o MARTE Lab reúne artistas, pesquisadores, músicos e especialistas para discutir temas como espiritualidade, inteligência artificial, racismo algorítmico, patrimônio, criação musical, memória, cultura digital e os desafios da produção artística contemporânea.
Desde sua criação, em 2017, o MARTE investiga as relações entre arte, música e tecnologia entendendo tecnologia em seu sentido mais amplo: como técnica, conhecimento e linguagem aplicada à criação. Em 2026, essa perspectiva ganha um novo eixo ao deslocar o olhar para o Sul Global como espaço de produção de conhecimento, experimentação artística e invenção cultural.
A programação musical foi construída como um percurso entre diferentes geografias, tradições e linguagens sonoras. Na sexta-feira (24), a celebração tem início com o cortejo da Guarda de Congo de Nossa Senhora do Rosário e Santa Efigênia do Alto da Cruz, percorrendo o trajeto da Casa Câmara em direção à Praça Tiradentes. Em seguida, o palco recebe Djuena Tikuna, uma das principais referências da música indígena contemporânea brasileira. Natural da Terra Indígena Umariaçu, no Alto Solimões, a cantora já se apresentou na abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016, na Sala São Paulo, no MIT, nos Estados Unidos, e na COP 28.

Na sequência, sobe ao palco o duo Purahéi Soul, formado por Jennifer Hicks e Miguel Narváez. Misturando guarani, jazz, blues, folk e música latino-americana, o grupo tornou-se um dos principais representantes da nova música paraguaia. Em 2026, ganhou projeção internacional ao interpretar o Hino Nacional do Paraguai na cerimônia de abertura da Copa do Mundo FIFA 2026, em Los Angeles, levando sua fusão entre tradição e contemporaneidade a uma audiência global.
Entre os shows, o festival recebe novamente a Cia Base Vertical com performances verticais, além do espetáculo de laser mapping do Homem Gaiola, que transforma o edifício histórico do Museu da Inconfidência em suporte para projeções monumentais. Ainda na sexta-feira, Assucena apresenta o espetáculo Coração Americano, dedicado ao cancioneiro latino-americano. Acompanhada por Rafael Acerbi e Vitória Faria, a cantora percorre repertórios que aproximam compositores brasileiros e latino-americanos, revelando afinidades culturais construídas ao longo do continente.
Encerrando a primeira noite, o grupo argentino Otros Aires apresenta o espetáculo Tango Mundi. Criado por Miguel Di Genova, o projeto tornou-se referência internacional ao combinar tango, música eletrônica, instrumentos acústicos, videomapping e arte visual.
No sábado (25), a programação começa com Estela Ceregatti, cantora, compositora e pesquisadora que desenvolve um trabalho voltado às culturas populares brasileiras e às experimentações sonoras. Na sequência, a argentina Catalina Telerman apresenta canções autorais que transitam entre música popular, composição contemporânea e experiências vocais.
A noite segue com Metá Metá, um dos grupos mais importantes da música brasileira contemporânea. Formado por Juçara Marçal, Thiago França e Kiko Dinucci, o trio tornou-se referência internacional ao aproximar música afro-brasileira, free jazz, rock, improvisação e experimentação sonora. O festival recebe, ainda, Craca & Sandra X, dupla que desenvolve uma pesquisa voltada à música eletrônica experimental, performance e manipulação sonora em tempo real.
Na sequência, o ugandense Faizal Mostrixx leva ao MARTE uma das produções mais inovadoras da cena africana contemporânea. DJ, produtor, performer e dançarino, Mostrixx articula música eletrônica, afrofuturismo e referências espirituais africanas.
O encerramento da edição fica por conta de Félix Robatto, músico, produtor e pesquisador paraense cuja trajetória acompanha parte da história recente da música amazônica. Fundador da banda La Pupuña, criador da Lambateria e produtor musical de Gaby Amarantos, Robatto apresenta um repertório que reúne guitarrada, lambada, carimbó e música latino-amazônica.
A programação formativa acontece na Casa Câmara e reúne pesquisadores, artistas, músicos e especialistas para discutir alguns dos temas que atravessam a produção artística contemporânea.
Em 2026, o festival aprofunda essa trajetória ao reunir diferentes perspectivas sobre música, tecnologia, território e memória, colocando em circulação artistas e pesquisadores que produzem conhecimento a partir de experiências culturais diversas, sem perder de vista a singularidade de Ouro Preto como espaço de encontro entre passado e presente.
Serviço:
MARTE Festival 2026
Quando: 24 e 25 de julho de 2026
Shows: Praça Tiradentes – Ouro Preto (MG)
MARTE Lab: Casa Câmara (Rua Alvarenga, 12 — Cabeças, Ouro Preto – MG)
Participação gratuita
Mais informações: https://www.martefestival.com.





