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FARRA – Festival de Arte de Rua estreia no bairro Cabana, com realização do Instituto CURA

O bairro Cabana do Pai Tomás, em Belo Horizonte, recebe, entre os dias 5 e 9 de maio, a 1ª Edição do FARRA – Festival de Arte de Rua, novo projeto do Instituto CURA que propõe uma atuação direta em territórios a partir da arte urbana, da formação e da convivência comunitária. A programação acontece no entorno do Largo da Adega do Padrim, espaço que se consolidou como ponto de articulação cultural no bairro, reunindo intervenções artísticas, oficinas e atividades abertas ao público.

Concebido como uma plataforma itinerante e adaptável do CURA, o FARRA nasce com a proposta de realizar edições em diferentes contextos urbanos, sempre em diálogo com as especificidades de cada território. A estreia no Cabana se insere em um movimento mais amplo de fortalecimento cultural local, articulado a partir de iniciativas já existentes na região, como a própria Adega do Padrim, liderada pelo artista FBC e sua esposa Michele, figuras centrais na mobilização cultural do território.

A partir de 5 de maio, oito artistas, entre nomes locais e convidados de outros estados,  realizam oito murais no entorno, criando uma experiência coletiva que envolve também os moradores. A proposta do festival vai além da produção de obras: inclui duas oficinas gratuitas voltadas para crianças e jovens — uma de pintura mural, conduzida por BA, e outra de rimas, com FBC — além de rodas de conversa e uma programação cultural aberta e gratuita, que se encerra no dia 9 de maio com uma ocupação festiva do espaço para a comunidade.

A curadoria, assinada por Priscila Amoni e Janaína Macruz, equilibra artistas locais e convidados de outras regiões, promovendo intercâmbio de linguagens e experiências. A proximidade entre os muros foi pensada para estimular a convivência entre os artistas e a interação com a comunidade durante todo o processo.

A seleção de artistas desta primeira edição reflete a proposta do FARRA de conectar diferentes trajetórias e territórios. De São Paulo, Enivo traz uma produção que nasce no graffiti e se expande para galerias e instituições, com atuação internacional e forte presença em projetos de formação artística. Sua obra articula diferentes suportes e contextos, aproximando a rua de outros circuitos da arte contemporânea.

De Belo Horizonte, DMS integra a geração que consolidou a arte urbana na cidade a partir dos anos 1990. Sua produção atravessa linguagens como graffiti, ilustração e música, mantendo uma relação direta com a cultura de rua e com temas ligados à ancestralidade. Também da capital mineira, Fênix desenvolve um trabalho que investiga raízes culturais e espiritualidade, com composições marcadas por tons solares e pela valorização da força ancestral.

Fenix – Foto: diegoruahn

Kakaw, artista indígena e comunicadora anticolonial, constrói uma obra que tensiona estereótipos e amplia as representações no espaço urbano, propondo novas narrativas sobre identidade, território e pertencimento. Sua atuação dialoga diretamente com pautas contemporâneas sobre visibilidade e decolonização da cidade.

De Salvador, Eder Muniz apresenta uma produção que conecta natureza, espiritualidade e território, com trajetória que inclui trabalhos no Brasil e no exterior. Seu percurso reflete uma prática que transita entre o graffiti e as artes plásticas, criando imagens que evocam ciclos da vida e relações entre ambiente urbano e natural.

Do Rio de Janeiro, Maria Ismállia traz uma pesquisa que atravessa memória, tempo e subjetividade, articulando elementos geométricos e simbólicos em composições que dialogam com o território e com experiências coletivas e individuais.

Representando diretamente o Cabana do Pai Tomás, Celo e BA reforçam o vínculo do projeto com o território. Celo, morador do bairro, desenvolve desde os anos 2000 um trabalho que combina o graffiti tradicional com temas ligados ao cotidiano e à natureza. Já BA, pioneiro do hip hop e do graffiti em Belo Horizonte, atua desde a década de 1980 como artista e arte-educador, sendo uma referência histórica na formação de novas gerações e na construção da cena local.

Mais informações:

FARRA – Festival de Arte de Rua (1ª edição – Cabana do Pai Tomás)
Quando: 5 a 9 de maio de 2026
Onde: Largo da Adega do Padrim – Cabana do Pai Tomás – Belo Horizonte (MG)
Quanto: Programação gratuita.

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Joseane Santos
Canceriana do coração apaixonado, amante da boa música, atleticana no corpo e na alma, mineirinha do interior que encontrou na capital seu lugar no mundo.