Culturaliza Literatura Poesia

Poetiza BH: A polis ideal (menos Platão mais Sade)

Como a cidade calma
Lava enfurecida
Calada
No peito do homem
Do ônibus
No riso por debaixo da saia
Da medusa que me endoida
Que avoa até dentro de mim
Como a cidade clama
A areia fina que impede o amor
Enquanto negócios são feitos
Aquilo que nos torna agentes
Da própria mazela
Esquecida quando o copo esvazia
Mais ainda
Quando o prédio salta
E o gozo explode o semáforo
Sem preguiça
Não poesia
Arrefecedora
Não umidade
Ante gemido
Tudo que cala em si
Na tarde do inverno
Invade quando vem o sertão
E debaixo
Das rendas
Contra a lei
Diante dela
Arremesso o corpo
E você me alcança
Enquanto isso
A cidade
Por vezes dorme
Enquanto trememos
Tudo certo
“como dois e dois são cinco”
E como
E como
A cidade
Você…

B.

 

Poema de Bernardo Nogueira

Foto: Wagner Correa

Instagram: Café de Imagens

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