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Ailton Krenak vai assinar um mural na lateral de um edifício no centro de Belo Horizonte

Ailton Krenak já escreveu livros traduzidos para vários países, virou personagem de documentário e deu palestras dentro e fora do Brasil. Aos 72 anos, vai fazer pela primeira vez uma coisa que nunca tinha feito: pintar um prédio. Filósofo, escritor, ambientalista e uma das principais lideranças dos povos originários do país, o primeiro indígena a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras vai assinar uma empena, a parede lateral de um edifício de dez andares, no centro de Belo Horizonte. A obra é uma das duas pinturas da edição de 2026 do CURA – Festival de Arte Urbana. A pintura começa em 19 de agosto e pode ser acompanhada da rua, ao longo dos dias. “É impactante pensar no desenho nessa escala de prédio, que vira paisagem”, diz o artista sobre o convite. “Tem um chamado para a subjetividade, para a poesia, para o sonho.”

 

 

Ailton Krenak – Foto: Alexandre de Moraes

 

 

A outra empena da edição é de Mônica Nador, aos 71 anos, uma das artistas centrais da pintura mural feita no Brasil. As duas pinturas são feitas em paralelo, em dois edifícios do centro da cidade, a partir de 19 de agosto. Nador fundou, na periferia paulistana, o JAMAC, Jardim Miriam Arte Clube, onde as paredes das casas e das ruas são pintadas com padrões criados junto com os moradores, e a autoria da obra deixa de ser só da artista para ser compartilhada com a comunidade.

 

 

Monica Nador – Foto: Lucas Souza

 

 

O tema de 2026 é “Descansar Enquanto”. Em uma sociedade atravessada pelo excesso de estímulos e urgências, o festival propõe o descanso não como pausa, mas como posicionamento: um direito ainda não garantido, atravessado por desigualdades de gênero, raça e classe. A reflexão dialoga com o livro “Descansar é Resistir”, da norte-americana Tricia Hersey, para quem o descanso é uma recusa ativa às estruturas que operam pela exaustão. A curadoria artística foi feita com a contribuição da curadora convidada Luciara Ribeiro, pesquisadora dedicada às artes africanas, afro-brasileiras e indígenas e à decolonização da história da arte.

 

Desde 2017, o CURA cobre fachadas de edifícios de Belo Horizonte com murais de grande escala, feitos por artistas brasileiros e estrangeiros. São mais de 30 prédios pintados, um conjunto que se tornou um dos principais acervos de arte pública a céu aberto do país. A edição de 2026 é a última de um ciclo que, ao longo de cinco anos, transformou uma praça do centro da cidade em uma galeria vertical, e antecede os dez anos do festival, em 2027.

 

Além das empenas, a edição traz uma programação gratuita e ao ar livre. Nos dias 26 e 27, seis artistas fazem uma sessão de pintura ao vivo em painéis montados ao ar livre, e as obras ficam expostas até o fim do festival. A programação reúne ainda um mirante com vista da cidade, travessias de highline entre os prédios do centro, uma mesa de desenho aberta ao público e atividades para crianças e famílias. No dia 20, o CURA tem ainda uma programação parceira no Sesc Palladium, que completa 15 anos, com uma nova obra na fachada e uma noite de pintura, dança e cultura ballroom. A edição se encerra em 30 de agosto com a Festa Honk BH.

 

Mais informações:

CURA 2026 – Festival de Arte Urbana

19 a 30 de agosto | Praça Raul Soares, Belo Horizonte

Pinturas das empenas a partir de 19/08

Live painting nos dias 26 e 27/08

Programação aberta ao público de 26 a 30/08

Programação parceira no Sesc Palladium 20/08, com pintura do Binho Barreto e programação da House of Barracuda

Programação gratuita, ao ar livre e aberta a todos

@cura.art

 

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Joseane Santos
Canceriana do coração apaixonado, amante da boa música, atleticana no corpo e na alma, mineirinha do interior que encontrou na capital seu lugar no mundo.