Evento ocorre entre 9 e 11 de abril com debates, apresentações de pesquisas e shows
CORRENTE é o primeiro simpósio de jornalismo musical do Brasil e realiza sua segunda edição entre os dias 9 e 11 de abril de 2026 em BH. Os ingressos são gratuitos e podem ser retirados através do Sympla.
Ao longo de 3 dias, serão realizados debates, apresentações de pesquisas acerca de temas que envolvem o jornalismo musical e suas possibilidades e shows. Todas as atividades têm entrada franca e serão realizadas na sede da produtora cultural quente, no hipercentro de BH, e no centro cultural Usina de Cultura, no bairro Ipiranga. O simpósio é uma realização da associação sem fins lucrativos Reverbera e da quente, com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de BH.
“Trata-se de um momento de troca entre pessoas que pesquisam a cultura do país por meio de diferentes abordagens e que contribuem na definição dos rumos do jornalismo musical. Em um cenário de forte dependência dos algoritmos, do crescimento da automação e da inteligência artificial, é fundamental que a gente discuta esses temas de forma acessível”, destaca Marcelo Santiago, idealizador e curador do Corrente.
A programação conta com profissionais de destaque no jornalismo musical, com representantes de veículos como a revista piauí, Noize e Estadão, de sites especializados em música como Popload e 300Noise, e pesquisadores de instituições acadêmicas como USP e Puc. Entre as atividades do Corrente estão os lançamentos das biografias das bandas Planet Hemp e Mundo Livre S/A, ambas de autoria do jornalista Pedro de Luna, apresentação de pesquisa sobre as ambiguidades e contradições na presença da mulher na música sertaneja e uma conversa sobre a resistência da população negra durante a ditadura, tendo a música como elemento condutor.
Para fechar a programação no sábado, dia 11 de abril, a banda Crizin da Z.O fará sua estreia em BH, poucas semanas após se apresentar no Lollapalooza Brasil. A banda se destaca por sua sonoridade futurista que reflete o presente, mesclando elementos do funk carioca, punk e música eletrônica. Seu disco mais recente, Acelero, destaca as veias do subúrbio carioca e do underground nacional e entrou em listas de melhores lançamentos do ano de publicações como a Folha de S. Paulo.
CONFIRA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA:
9 de abril, quinta-feira, 18h30
local: quente (Av. Afonso Pena 941, sala 601, Centro)
– Lançamento dos livros Planet Hemp: Mantenha o Respeito e Mundo Livre S/A 4.0 – do mangue ao punk, de Pedro de Luna, com mediação de Terence Machado
> Pedro de Luna é escritor, jornalista e quadrinista. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense, com MBA em Gestão Cultural pela Universidade Cândido Mendes, já escreveu e publicou 19 livros, entre eles a biografia das bandas Mundo Livre S/A e Planet Hemp, dos músicos Speedfreaks e Champignon (do Charlie Brown Jr), do festival Porão do Rock (DF) e do professor e escritor Chico Alencar.
> dj set / NINA ARROCHA
10 de abril, sexta-feira, 18h30
local: quente (Av. Afonso Pena 941, sala 601, Centro)
– Damy Coelho: O femi do feminejo: ambiguidades e contradições na presença da mulher na música sertaneja
Damy Coelho é jornalista cultural, bacharel em letras e Mestre em Comunicação Social. Já passou pelas redações do Cifra Club, Programa Alto-Falante, Estadão, integrou o projeto Entre LP e hoje é editora-assistente da Revista Noize. Na palestra, vai abordar a pesquisa de mestrado “O femi do feminejo: ambiguidades e contradições na presença da mulher na música sertaneja”, concluída pela PUC MG em 2019. Nela, reflete sobre a presença e apagamento de mulheres como intérpretes e compositoras no gênero musical. Analisando letras do período mais romântico do gênero, nos anos 1990 até o chamado “feminejo”, protagonizado por figuras como Marília Mendonça, tensiona imaginários e estereótipos sobre a mulher e busca estabelecer uma linha do tempo da música sertaneja na qual a presença delas é protagonista.
– Jornalismo musical em BH: as experiências atuais da revista Wanda e Phono, com Clara Bicho e Bruno Lisboa, mediada por Bruna Vilela
Clara Campos, ou clara bicho, é musicista, artista visual e jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Como jornalista, trabalha com crítica e cobertura de música brasileira na Popload, sobretudo na coluna “Cena”, além de escrever sobre arte e cultura na Revista Wanda, da qual é co-fundadora. A Revista Wanda é uma publicação quinzenal, nascida em 2024 na cidade de Belo Horizonte e criada por um grupo de três amigas jornalistas: Clara Campos, Gabriela Matina e Júlia Ennes. Na época, o veículo surgiu como uma forma de reivindicar um espaço próprio para se fazer jornalismo. Composta atualmente também pelas redatoras Bruna Batista, Júlia Rhaine, Laís Fidelis e Maria Fernanda Marques, todas jornalistas de formação, a Wanda mantém como principais compromissos a discussão, a crítica e a informação sobre arte e cultura. O nome da revista é uma homenagem à artista visual Wanda Pimentel (1943-2019), que na década de 1970 abordava em suas obras questões de gênero e feminismo, além de críticas à ditadura militar.
Bruno Lisboa é professor, graduado em Letras e pós-graduado em Produção e Crítica Cultural, ambos pela PUC-MG. Atuou como colaborador de publicações como Whiplash, Urge! e Revista Zero. Atualmente, escreve para os sites Scream & Yell — onde colabora há mais de uma década — e Phono, projeto dedicado a registrar e discutir a cena musical de BH por meio de resenhas, coberturas de shows e notícias.
– 300Noise: música para além do streaming, com Felipe Alves
Em uma realidade onde a música vive de performance nas plataformas e responde às exigências do algoritmo, o que é possível fazer para romper com essa lógica? Felipe Alves, diretor da 300Noise, propõe uma reflexão sobre a construção de comunidades fora do ambiente digital e sobre a influência que as redes exercem nos processos criativos. Dos pendrives de caminhoneiro ao envio de cartas por todo o Brasil: como aprender com o passado para transformar o futuro?
Felipe Alves é comunicador, difusor cultural e diretor de projetos da 300Noise. É pós-graduado pelo Centro de Estudos Latino Americanos sobre Cultura e Comunicação (ECA-USP) e há 10 anos trabalha na indústria da música.
> dj set / ZONA CINZA
11 de abril, sábado, 17h
local: Usina de Cultura (Rua Dom Cabral 765, Ipiranga)
– Jogo de escalas: jazz brasileiro, migrações e circuitos nos Estados Unidos (1965-1980)
Paula Carvalho é jornalista e socióloga, com passagens pelo Estadão e pela Revista Bravo!. Integra o Núcleo de Sociologia da Cultura da USP, onde desenvolve pesquisas sobre música popular e colabora na curadoria e produção de eventos. No doutorado em Sociologia na USP, com período sanduíche na University of Illinois, pesquisa o jazz brasileiro e as trajetórias de músicos brasileiros nos Estados Unidos nas décadas de 1960 e 1970. Seu trabalho de mestrado analisou as origens do rap em São Paulo e sua inserção na indústria fonográfica. Como freelancer, atua também no desenvolvimento de estratégias de comunicação para instituições como a Fábrica-Escola de Humanidades (da Escola da Cidade), Instituto Jataí, entre outras iniciativas de educação, cultura e impacto social.
– Chumbo & Soul, uma conversa com Gilberto Porcidonio sobre a resistência da população negra durante a ditadura, tendo a música como elemento condutor
Gilberto Porcidonio é um jornalista, roteirista e escritor carioca. Formado em Jornalismo e em Ciências Sociais pela PUC-Rio, é repórter e checador da revista Piauí, e narrador da audiossérie Chumbo & Soul, da rádio Novelo.
> dj set / MATA PISTA
show de encerramento:
CRIZIN DA Z.O
Crizin da Z.O é um projeto musical brasileiro formado em 2019, composto por Cris Onofre, Danilo Machado e Marcelo Fiedler. A banda se destaca por sua sonoridade futurista que reflete o presente, mesclando elementos do funk carioca, samba, punk e música eletrônica. Suas letras são descomplicadas, bem-humoradas e apresentam rimas criativas, abordando temas como distopia, caos urbano e reflexões sociais.
Em 2023, o Crizin da Z.O. lançou o álbum “Acelero” pelo selo QTV. Este trabalho conecta a urgência do funk carioca com o ethos punk, capturando a tensão permanente e ambígua de nosso tempo. As letras abordam temas como saturação, cansaço e a luta fantasiosa de anunciar o fim do mundo enquanto ele acontece. O álbum é descrito como um banquete de carne em um mundo colapsado, onde a festa continua apesar do caos.
Em 2024, a banda se apresentou em São Paulo, incluindo shows no SESC Pompéia em com participação especial de Juçara Marçal e Saskia na Virada Cultural em maio. Essas apresentações destacaram a energia vibrante e a proposta sonora inovadora do grupo.
Crizin da ZO segue o sincretismo de ritmos e experimentações dentro do funk, do samba, do punk, do rap e diversos outros batuques dando forma a atmosfera de Acelero: um eterno retorno às veias do subúrbio carioca e do underground nacional.
| SERVIÇO:
Corrente, simpósio de jornalismo musical, realiza sua segunda edição em BH. Data: 09 e 11 de abril de 2026 Local: Usina de Cultura: Rua Dom Cabral,765 Ipiranga Ingressos gratuitos através Sympla.
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