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Luiz, Câmera, Ação: Um Momento Pode Mudar Tudo

Filme: Um Momento Pode Mudar Tudo

Gênero: Drama 
Diretor: George C. Wolfe 

Trailer: 

 

 

No clichê da superação, espere uma boa lição…
 
Tenho uma queda por filmes tristes. Um bom drama, bem sofrido, daqueles que, em algumas horas, podem te mostrar que sua vida não é tão ruim assim e te fazer abraçar o travesseiro, se debulhando em lágrimas, sempre ganhou meu coração. E ainda tem mais: quanto mais clichê, melhor! Se for numa tarde nublada de domingo… pronto, é só pegar a pipoca e o sorvete e abraçar a fossa!
 
Foi assim que, zapeando pelos canais Telecine, vi que iria começar o filme “Um Momento Pode Mudar Tudo” (“You’re Not You”, de 2014, também disponível no Telecine Play). Pelo resuminho da sinopse, decidi dedicar meu tempo. E foi bem investido, viu? Se a proposta era me fazer refletir – cair na real mesmo –, valeu a pena. No longa do diretor George C. Wolfe, Kate, personagem de Hilary Swank, é diagnosticada com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), doença degenerativa em que a pessoa começa a perder o controle sobre os músculos do corpo. É daí que vai sair o tal drama reflexivo!
 
O início do longa, que é baseado no livro de Michelle Wildgen, mostra a vida da protagonista e de seu perfeito casamento com Evan (Josh Duhamel). Os dois têm uma química invejada, são bem-sucedidos profissionalmente, moram em uma casa dos sonhos e, além disso, são amados pelos amigos. O casal vive uma vida sem problemas, até que Kate começa a sentir os primeiros sintomas da doença. É nítido o incômodo dela na cena que mostra pela primeira vez essa preocupação. Ex-pianista, ela faz uma breve apresentação na sala de casa, a pedido dos amigos, mas termina com as mãos trêmulas, totalmente atormentada. É aí que começam os problemas, e, gradativamente, o roteiro, que pode ser taxado como bem simples, inclusive, nos ajuda a visualizar todo esse choque e essa indisposição. E, pra completar, o castelo do casamento perfeito começa a ruir: ela se vê obrigada a mudar sua vida após uma traição do marido. Prato cheio para o clichê de superação.
 
Para ajudá-la a passar por cima de todas as dificuldades, surge a jovem problemática Bec (Emmy Rossum), que é contratada mesmo sem ter nenhuma experiência. Ela é uma universitária um tanto quanto perdida, que está se relacionando com um professor casado e mais velho e se vê perdendo o interesse em seu futuro acadêmico. Bec, que também sonha em ser cantora, começa seu novo trabalho bem desacreditada, como em tudo em sua vida: seus projetos, seus estudos, seus outros namoricos… Só que, aos poucos, a jovem vai aprendendo a ter uma nova visão do mundo, se afastando cada vez mais de sua antiga vida, e, assim, vai surgindo uma grande e sincera amizade com sua patroa doente.
 
Tudo bem… volto a reafirmar: estamos diante de um drama repleto de clichês de recuperação e de cenas forçadas, mas o que são os filmes da “Sessão da Tarde”, não é mesmo?! Se sua vibe for realmente essa, mergulhe de cabeça, pois vai encontrar uma Hilary Swank incrível, com um desempenho digno de premiação. É sensitivo perceber como a doença evolui na personagem e como a atriz muda a fala e a respiração, valoriza cada milímetro de sua atuação.
 
E é aí que o filme pode te tocar! Tem uma frase anônima que diz: “Nunca saberemos o quão forte somos até que ser forte seja a única escolha”. Não reclame de sua vida, apenas olhe ao redor. Às vezes, cinco minutos de reflexão, mais outros dez de oração, valem muito mais do que uma vida de reclamação. Uma coisa eu te digo: se as tarefas do dia a dia não se tornarem mais fáceis, trate logo de ficar mais forte. Porque é só assim que muitas Kates conseguem se levantar do chão, sacudir a agitação e superar esse turbilhão.
 
“Luiz, Câmera, Ação” é publicada neste espaço toda sexta-feira
 
Charles Douglas
Charles Douglas
Virginiano, metropolitano de Ibirité, mas com a vida construída em BH, jornalista recém formado e apaixonado pelos rolês culturais da capital mineira. Está perdido no mundo da internet desde quando as comunidades do Orkut eram o Culturaliza de hoje. Quando não está com a catuaba nas mãos, pelas ruas de Belo Horizonte, está assistindo SBT ou desenhos no Netflix.

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