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O rap da vivência e das ruas de Vinicin

Em meio a tantas coisas vendidas no centro de Belo Horizonte, um rapper, já conhecido pelas pessoas que andam por lá, vende e exibe o seu trabalho colhido após anos de desejo e preparação. Seu nome é Vinicin. Um diminutivo sugestivo, sendo que seu trabalho não tem nada de pequeno, já que ele canta e rima com versos que resumem tudo o que acontece na sociedade sobre o seu olhar. 

 

Eu sempre escutei rap. O rap foi e é a trilha sonora da minha vida desde muito cedo. Eu comecei a ouvir quando eu tinha aproximadamente 7 anos de idade, e isso fez com que eu conhecesse a cultura Hip Hop e os outros elementos além da música.

 

Criolo e Emicida são um dos grandes nomes que representam o rap nacionalmente e, muitas vezes, por todo o mundo, Vinicin é um desses artistas que colaboram para o auge do estilo de vida/musical no país. “Eu acredito que o Rap cresce a cada dia, e ganha mais espaço, mas ainda não é visto com bons olhos pela população mais conservadora.”

 

Em Belo Horizonte, por exemplo, é notável a evolução da cultura Hip Hop, principalmente com a realização do Duelo de MC’s, desde 2007, no Viaduto Santa Tereza, dando espaço para nomes do meio, além de espalhar toda essa cultura que antes era muito pouco vista. Vinicin teve seu maior envolvimento com o rap, lá no centro da capital, aos seus 23 anos quando foi pela primeira vez no evento, após ter se afastado do movimento. 

 

… e vendo tudo aquilo que acontecia lá embaixo do viaduto eu reanimei a viver dentro dessa cultura novamente…

 

Algumas das batalhas no Duelo de MC’s:

 

 

Com letras voltadas à realidade e à situações vividas por ele, o rapper procura passar um pouco de sua experiência, questionamentos e respostas para determinadas situações, e assume que o que realmente o deixa feliz é a capacidade de outras pessoas poderem enxergar algo além de suas mensagens. “Eu como sou muito sonhador consigo me conectar fácil com pessoas sonhadoras, e acaba que quando eu impulsiono os sonhos de alguém de alguma forma eu me sinto mais perto das minhas realizações também.”

 

E é por isso, que seu primeiro álbum foi intitulado de “Vivenciar” e produzido por Spider, um grande motivador de Vinincin. “Esse disco só existe por causa do produtor Spider”. 

 

Ouça o álbum completo: 

 

 

Mas por que vender o seu disco nas ruas? Talvez uma estratégia diferente das mais conhecidas atualmente, como o uso das redes sociais. E é por meio dessa divulgação diferenciada que Vinicin consegue também um bom retorno na internet; sua página no Facebook já conta com quase 15 mil seguidores. “O principal retorno das pessoas é o apoio delas, não só comprando o disco, mas as mensagens que chegam na página, Muitas falando que compraram o disco e quando ouviram realmente gostaram e perguntam sobre shows na cidade”. (Exatamente o que aconteceu comigo)

 

E parecem que elas entendem que eu estou escolhendo o caminho mais difícil já que temos tantos meios de divulgação hoje em dia. Mas em geral aceitação das pessoas é ótima.

 

Com toda essa repercussão, vantagens é o que não devem faltar. Vinicin diz que não vê ninguém no mesmo caminho que ele. “É como se todo mundo fosse por uma rota congestionada e deixassem a contramão livre pra mim.”. Em seus dias de andanças nas ruas da capital, vários momentos são marcados:

 

Já vivenciei inúmeros momentos marcantes vendendo discos nas ruas, como o retorno de um senhor de quase 80 anos de idade que me parou e disse que comprou meu disco e tinha gostado tanto que fez questão de comprar pra todos os familiares.

 

Até convite para gravação de um clipe, que deve chegar em breve,  rolou nas ruas de BH. Então, já sabe, se esbarrar com ele por aí, ouça sua história, compre o CD e ouça! Depois retorne aqui no Culturaliza BH também, ou se não tiver a sorte de encontrá-lo nas ruas, pode ouvir o álbum completo na internet, como inseri acima. 

 

Créditos da foto de destaque: Rodrigo Beetz

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Charles Douglas
Charles Douglas
Virginiano, metropolitano de Ibirité, mas com a vida construída em BH, jornalista recém formado e apaixonado pelos rolês culturais da capital mineira. Está perdido no mundo da internet desde quando as comunidades do Orkut eram o Culturaliza de hoje. Quando não está com a catuaba nas mãos, pelas ruas de Belo Horizonte, está assistindo SBT ou desenhos no Netflix.

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