A artista visual Ciana Brandão inaugura, no dia 17 de março, na Funarte, em Belo Horizonte, sua primeira exposição individual. Intitulada A gente é muita gente, a mostra fica em cartaz até 28 de março e reúne pinturas em vidro, instalações, vídeo-performance e um ateliê montado dentro do espaço expositivo. Iniciada em 2021, a pesquisa parte de uma investigação sobre a ancestralidade materna da artista, marcada pela figura de Maria Rita, mulher guarani sequestrada ainda criança na Serra da Mantiqueira. Ao revisitar fotografias familiares, documentos de cartório e relatos orais, Ciana constrói uma narrativa que articula memória pessoal e história coletiva.
O título da exposição nasce dessa percepção: a história de uma família não é isolada, mas atravessada por processos sociais maiores. A micro-história revela a macro-história.
A escolha do vidro como suporte central da pintura é também conceitual. Transparência, suspensão e deslocamento atravessam a trajetória da artista, que transita entre artes visuais e cênicas. Ao pintar com tinta gráfica e óleo sobre vidro, a imagem se torna instável. O solvente turva, dilata e cria camadas. De longe, vê-se o retrato; de perto, emergem micro-narrativas abstratas. A matéria ecoa a própria ideia de memória. Entre os trabalhos apresentados, destaca-se a instalação Ara pyau, termo em guarani que significa tempo novo. A obra reúne sete gerações em torno de uma fogueira, gesto que será retomado na performance de abertura, marcada para às 20h do dia 17 de março, com interpretação em LIBRAS. A data coincide com os 90 anos do encantamento de Maria Rita, falecida em 17 de março de 1936.

Outra instalação convida o público a preencher fichas de nascimento e óbito em uma máquina de escrever, tensionando o documento como registro oficial da memória. No ateliê montado dentro da Funarte, estarão expostos desenhos preparatórios, anotações e o texto integral do Diretório dos Índios, documento de 1757 que institucionalizou políticas de assimilação forçada de povos originários.
A exposição também inclui dois espaços que evocam o altar, tanto da ancestral anciã quanto da criança indígena retirada de sua família e obrigada a viver em outro idioma e outra cultura.
Mais informações:
A gente é muita gente – 1ª exposição individual de Ciana Brandão
Onde: Funarte – Rua Januária, 68 – Centro – Belo Horizonte
Quando: 17 a 28 de março de 2026
Hora: das 11h às 21h
Quanto: Entrada gratuita
Abertura: 17/03, a partir das 19h
Performance: 20h (com LIBRAS)
Encerramento: 21h30
21/03 – 19h
Roda de conversa com Leonardo Alves e artistas convidados (com LIBRAS)
27/03 – 19h30
Roda de conversa com Giulia Giovani
Tema: Restauração e arte contemporânea




