{"id":26834,"date":"2019-05-13T17:17:45","date_gmt":"2019-05-13T20:17:45","guid":{"rendered":"http:\/\/culturalizabh.com.br\/?p=26834"},"modified":"2019-05-13T17:17:45","modified_gmt":"2019-05-13T20:17:45","slug":"quarto-de-despejo-diario-de-uma-favelada-carolina-maria-de-jesus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/culturalizabh.com.br\/index.php\/2019\/05\/13\/quarto-de-despejo-diario-de-uma-favelada-carolina-maria-de-jesus\/","title":{"rendered":"Quarto de Despejo &#8211; Di\u00e1rio de uma favelada | Carolina Maria de Jesus"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1436 size-full\" title=\"Quarto de Despejo - Di\u00e1rio de uma favelada | Carolina Maria de Jesus\" src=\"https:\/\/culturalizabh.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/literaliza-bh.png\" alt=\"\" width=\"778\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/culturalizabh.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/literaliza-bh.png 778w, https:\/\/culturalizabh.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/literaliza-bh-300x96.png 300w, https:\/\/culturalizabh.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/literaliza-bh-768x247.png 768w, https:\/\/culturalizabh.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/literaliza-bh-400x129.png 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 778px) 100vw, 778px\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">Quarto de Despejo &#8211; Di\u00e1rio de uma favelada | Carolina Maria de Jesus<\/span><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">Quarto de Despejo &#8211; Di\u00e1rio de uma favelada \u00e9 um dos cl\u00e1ssicos mais injusti\u00e7ados da literatura brasileira. Apesar de ter sido publicado na d\u00e9cada de 1960, e aclamado no exterior, por aqui quase ningu\u00e9m conhece a Carolina ou sequer ouviu falar no seu impactante di\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">A obra j\u00e1 vendeu mais de um milh\u00e3o de exemplares, sendo traduzido para mais de 14 idiomas. \u00c9 um dos livros mais dif\u00edceis de se encontrar para comprar, por exemplo, principalmente pelo pre\u00e7o da obra. Tive a oportunidade de ler um exemplar j\u00e1 bem gasto, mas n\u00e3o menos importante, da Biblioteca P\u00fablica Estadual de Minas Gerais. O livro \u00e9 um dos mais procurados do acervo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><b><i><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-26835 alignleft\" src=\"https:\/\/culturalizabh.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Di\u00e1rio-de-uma-favelada-179x300.jpg\" alt=\"\" width=\"179\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/culturalizabh.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Di\u00e1rio-de-uma-favelada-179x300.jpg 179w, https:\/\/culturalizabh.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Di\u00e1rio-de-uma-favelada-105x175.jpg 105w, https:\/\/culturalizabh.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Di\u00e1rio-de-uma-favelada.jpg 299w\" sizes=\"auto, (max-width: 179px) 100vw, 179px\" \/><span style=\"color: #000000;\">Contexto:<\/span><\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\"> Carolina Maria de Jesus foi uma mineira que saiu muito cedo da cidade de Sacramento no interior de Minas, para tentar uma vida melhor em S\u00e3o Paulo. Sozinha, ap\u00f3s a morte da m\u00e3e, fez a viagem toda a p\u00e9.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">Na capital paulista trabalhou como dom\u00e9stica, por\u00e9m ap\u00f3s engravidar do primeiro filho teve que ir morar na rua, at\u00e9 ser enviada para o terreno onde formaria a favela do Canind\u00e9. Chegando ao local que tamb\u00e9m servia como lix\u00e3o, Carolina conseguiu t\u00e1buas, madeiras, lat\u00e3o, papel\u00e3o, e sozinha, construiu o seu pr\u00f3prio barraco. \u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">Mulher negra, solteira, favelada, de vida extremamente miser\u00e1vel, Carolina viveu na favela de meados de 1937 at\u00e9 1960. Amante da literatura, ela se denominava poetisa, e registrou em di\u00e1rios a rotina implac\u00e1vel da sua vida naquele lugar. N\u00e3o \u00e9 uma viv\u00eancia, \u00e9 uma sobreviv\u00eancia dura, \u00e1rdua, que choca e d\u00e1 aquele n\u00f3 na garganta ao ver a luta de uma mulher para garantir o alimento, e apenas ele, aos seus filhos. \u00c9 impactante.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">Em 1958 os mais de 20 cadernos de Carolina foram descobertos pelo rep\u00f3rter Aud\u00e1lio Dantas (Grupo Folha) que, incumbido de produzir uma reportagem sobre a favela, decidiu publicar a hist\u00f3ria que Carolina contava, compreendendo a import\u00e2ncia do hoje famigerado \u201clugar de fala\u201d, como ele aponta no pref\u00e1cio do livro.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"font-size: 14px; color: #ff6600;\"><i>\u201cA hist\u00f3ria da favela que eu buscava estava escrita em uns vinte cadernos encardidos que Carolina guardava em seu barraco. Li, e logo vi: rep\u00f3rter nenhum, escritor nenhum poderia escrever melhor aquela hist\u00f3ria \u2013 a vis\u00e3o de dentro da favela.\u201d<\/i> (p\u00e1g.3)<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A prop\u00f3sito da publica\u00e7\u00e3o do livro, as edi\u00e7\u00f5es mantiveram os relatos na \u00edntegra, com os erros de portugu\u00eas da escritora, aqui tamb\u00e9m mantidos nas cita\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-size: 20px;\"><b><i>Os relatos:<\/i><\/b><\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> Em tempos de Betina e seus milh\u00f5es aos 22 anos, essa hist\u00f3ria nos traz de volta a realidade e escancara a vida atual de cerca 15,2 milh\u00f5es de brasileiros que vivem, at\u00e9 hoje, abaixo da linha da pobreza, ou seja, nas mesmas ou em condi\u00e7\u00f5es at\u00e9 piores que as relatadas por Carolina em seu di\u00e1rio. Os dados s\u00e3o do<\/span><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/g1.globo.com\/jornal-nacional\/noticia\/2018\/12\/05\/no-brasil-152-milhoes-vivem-abaixo-da-linha-da-extrema-pobreza-diz-ibge.ghtml\"> <b>IBGE<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> divulgados no final de 2018.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">Muito mais do que ter empatia pelo pr\u00f3ximo, \u00e9 compreender que quase 70 anos separam os relatos de Carolina ao hoje, e infelizmente pouco foi feito para mudar essa realidade e dar uma vida digna a todos os brasileiros, sem exce\u00e7\u00e3o. Essa frase \u00e9 ut\u00f3pica, entenda que somos privilegiados por simplesmente termos o que comer todos os dias. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #ff6600; font-size: 14px;\"><i>\u201cMas, o pobre n\u00e3o repousa. N\u00e3o tem privil\u00e9gio de gosar descan\u00e7o\u201d. (p\u00e1g.10)<\/i><\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">O di\u00e1rio come\u00e7a com relatos de 1955 e d\u00e3o um salto de 3 anos, a partir da p\u00e1gina 25. T\u00e3o cedo esse avan\u00e7o, t\u00e3o logo percebemos que nada muda em sua situa\u00e7\u00e3o. Carolina \u00e9 l\u00facida e tem plena consci\u00eancia dos efeitos que o seu di\u00e1rio provocar\u00e1 em quem ler. \u00c9 honesta com o leitor e muito sincera ao descrever e expor os problemas da favela, que ali\u00e1s, ela odeia veemente.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #ff6600; font-size: 14px;\"><i>\u201cO meu sonho era andar bem limpinha, usar roupas de alto pre\u00e7os, residir numa casa confort\u00e1vel, mas n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Eu n\u00e3o estou descontente com a profiss\u00e3o que exer\u00e7o. J\u00e1 habituei-me andar suja. J\u00e1 faz oito anos que cato papel. O desgosto que tenho \u00e9 residir em favela\u201d. (p\u00e1g.19)<\/i><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">Sem \u00e1gua encanada ou esgoto. Conforto \u00e9 zero. A conviv\u00eancia com pulgas e ratos faz parte da normalidade di\u00e1ria. A prop\u00f3sito do dia a dia de Carolina, sua rotina come\u00e7a cedinho, 5 horas, \u00e0s vezes 4h, ela j\u00e1 est\u00e1 na fila para pegar \u00e1gua na bica comunit\u00e1ria. Em seguida partir para catar recicl\u00e1veis e alimentos descartados no lixo pela popula\u00e7\u00e3o e empresas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-size: 20px;\"><em><b>Viol\u00eancia:<\/b><\/em><\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> Nos relatos, ela exp\u00f5e o constante ciclo de viol\u00eancia a que os moradores eram submetidos, seja viol\u00eancia dom\u00e9stica (e h\u00e1 muita), a desaven\u00e7as entre vizinhos, que quase sempre termina em morte. Carolina repudia a viol\u00eancia, e \u00e9 uma das respons\u00e1veis por apaziguar as brigas, ou simplesmente chamar a patrulha como era conhecida a pol\u00edcia \u00e0 \u00e9poca.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">A vizinhan\u00e7a \u00e9 hostil. Agridem os filhos de Carolina quando ela est\u00e1 ausente. N\u00e3o se preocupam com a nudez feminina ou masculina, frente as crian\u00e7as, algo que Carolina critica duramente.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">Os relatos de abuso e explora\u00e7\u00e3o sexual tamb\u00e9m chocantes. A vida na favela \u00e9 sofrida, as festas regadas a pinga terminam em briga e quebra quebra. Em v\u00e1rios momentos ela externa uma preocupa\u00e7\u00e3o sincera com as crian\u00e7as. A consci\u00eancia do conv\u00edvio de crian\u00e7as diante de tanta mis\u00e9ria, viol\u00eancia, maus comportamentos, bebida alco\u00f3lica, compromete um futuro digno \u00e0queles que j\u00e1 nascem sem perspectiva de vida.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-size: 20px;\"><em><b>Fome:<\/b><\/em><\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> Se o entorno \u00e9 hostil, o dia a dia de Carolina e seus tr\u00eas filhos \u00e9 cruel, nas pouco mais de 160 p\u00e1ginas do di\u00e1rio. Ela precisa mant\u00ea-los vivos, educados e com um esperan\u00e7a de futuro, mesmo que a men\u00e7\u00e3o ao suic\u00eddio seja aventada em v\u00e1rios momentos da hist\u00f3ria. Jo\u00e3o (11 anos), Jos\u00e9 Carlos (10 anos) e Vera (5 anos) s\u00e3o a raz\u00e3o de viver de Carolina.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">\u00c9 uma saga di\u00e1ria pela sobreviv\u00eancia.Restos de comida e alimentos retirados do lixo, sopa a base de ossos, a rara alegria de comer um peda\u00e7o de carne. N\u00e3o h\u00e1 conforto, nem regalias, o que se faz diariamente \u00e9 pura e simplesmente para comer.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #ff6600; font-size: 14px;\"><i>\u201cTinha arroz, feij\u00e3o e repolho e lingui\u00e7a. Quando eu fa\u00e7o quatro pratos penso que sou alguem. Quando vejo meus filhos comendo arroz e feij\u00e3o, o alimento que n\u00e3o est\u00e1 ao alcance do favelado, fico sorrindo atoa. Como se eu estivesse assistindo um espet\u00e1culo deslumbrante<\/i>.\u201d (p\u00e1g.44).<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">E nunca \u00e9 suficiente. Carolina trabalha todos dias, mais de 15 horas, contudo o dinheiro nunca d\u00e1 pra nada. \u00c9 como se a recompensa n\u00e3o valessem os esfor\u00e7os. A fome era sempre maior que os ganhos. \u00c9 imposs\u00edvel n\u00e3o refletir sobre o nosso desperd\u00edcio di\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"font-size: 14px; color: #ff6600;\"><i>\u201cHoje fiz arroz e feij\u00e3o e fritei ovos. Que alegria! Ao escrever isso v\u00e3o pensar que o no Brasil n\u00e3o h\u00e1 o que comer. N\u00f3s temos. S\u00f3 que os pre\u00e7os nos impossibilita de adquirir.\u201d (p\u00e1g. 133)<\/i><\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-size: 20px;\"><b><i>Cr\u00edtica pol\u00edtica:<\/i><\/b><\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> Esse livro deveria ser leitura obrigat\u00f3ria a todos os que se disp\u00f5e a concorrer a um cargo p\u00fablico no Brasil. A vis\u00e3o cr\u00edtica que a Carolina tem das necessidades da favela do Canind\u00e9, s\u00e3o pertinentes ao hoje. Ela critica duramente, inclusive d\u00e1 nome, aos pol\u00edticos que s\u00f3 lembram da favela e dos seus pobres habitantes durante as elei\u00e7\u00f5es.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"font-size: 14px; color: #ff6600;\"><i>\u201c&#8230; O que eu aviso aos pretendentes a politica, \u00e9 que o povo n\u00e3o tolera a fome. \u00c9 preciso conhecer a fome para saber descrev\u00ea-la.\u201d (p\u00e1g.26)<\/i><\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-size: 20px;\"><b><i>Solidariedade:<\/i><\/b><\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> Em meio \u00e0 hostilidade da vizinhan\u00e7a, h\u00e1 solidariedade. As vizinhas que se ajudam e trocam pequenas por\u00e7\u00f5es de gordura, a\u00e7\u00facar ou farinha. Ou os mais abastados, vizinhos que ela denomina como \u201cde alvenaria\u201d que ofertam um prato de comida, ou uma por\u00e7\u00e3o que n\u00e3o lhes far\u00e1 tanta falta.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">H\u00e1 ainda os compradores de ferro, em especial senhor Manoel, que sempre pagava mais do que de fato a mercadoria valia. Isso deixava Carolina feliz, apesar de sempre lembrar a eles que estavam pagando mais.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">Carolina descreve com carinho as a\u00e7\u00f5es promovidas pelos Centros Esp\u00edritas e Igreja Cat\u00f3lica, que oferecem roupas e agasalhos no inverno, cestas b\u00e1sicas sempre que poss\u00edvel, al\u00e9m de medicamentos e servi\u00e7os de sa\u00fade. \u00c9 muito mais que caridade, \u00e9 empatia e amor ao pr\u00f3ximo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-size: 20px;\"><b><i>Amor pela literatura:<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #ff6600; font-size: 14px;\"><i>\u201cQuando cheguei em casa era 22,30. Liguei o radio. Tomei banho. Esquentei comida. Li um pouco. N\u00e3o sei dormir sem ler. Gosto de manusear um livro. O livro \u00e9 a melhor inven\u00e7\u00e3o do homem.\u201d. (p\u00e1g.22)<\/i><\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">Um amor que sobressai a fome, a mis\u00e9ria, a viol\u00eancia e que d\u00e1 luz a vida de Carolina. Embora em alguns momentos ela criticou duramente o filho que sempre l\u00ea quadrinhos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">A literatura era o b\u00e1lsamo que mant\u00e9m Carolina viva e l\u00facida em in\u00fameros momentos de dificuldades, que corresponde a 99% do livro.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\"><em><strong>Quarto de Despejo &#8211; Di\u00e1rio de uma favelada<\/strong><\/em> \u00e9 uma obra prima da literatura nacional. Leitura mais que obrigat\u00f3ria a todas as faixas et\u00e1rias leitoras desse pa\u00eds. Prestigie Carolina Maria de Jesus.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em><strong><span style=\"color: #000000; font-size: 14px;\">**Cr\u00e9dito da imagem destacada: Ag\u00eancia Brasil<\/span><\/strong><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Gosta de literatura? Conhe\u00e7a o\u00a0<span style=\"color: #ff00ff;\"><strong><a style=\"color: #ff00ff;\" href=\"http:\/\/www.literalmenteuai.com.br\/\">www.literalmenteuai.com.br<\/a>\u00a0<\/strong><\/span>o primeiro portal de not\u00edcias liter\u00e1rias de BH.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #ff6600;\"><strong><a style=\"color: #ff6600;\" href=\"https:\/\/www.literalmenteuai.com.br\/7-livros-infantis-que-ensinam-a-pais-e-filhos\/\">7 livros infantis que ensinam muito a pais e filhos<\/a><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #ff6600;\"><strong><a style=\"color: #ff6600;\" href=\"https:\/\/www.literalmenteuai.com.br\/harry-potter-20-anos\/\">Harry Potter 20 anos! A experi\u00eancia de leu depois dos 30 anos<\/a><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #ff6600;\"><strong><a style=\"color: #ff6600;\" href=\"https:\/\/www.literalmenteuai.com.br\/bancas-de-jornal-e-revista-resistem-ao-tempo\/\">Grandes incentivadoras da literatura, bancas de jornal e revista resistem ao tempo<\/a><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #ff6600;\"><strong><a style=\"color: #ff6600;\" href=\"https:\/\/www.literalmenteuai.com.br\/clube-de-leitura-das-minas-valoriza-a-literatura-feminina-e-empodera-leitores\/\">Clube de Leitura das Minas valoriza a literatura feminina e empodera leitores em BH<\/a><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #ff6600;\"><strong><a style=\"color: #ff6600;\" href=\"https:\/\/www.literalmenteuai.com.br\/clube-de-leitura-do-belas\/\">Clube de Leitura do Belas preza pelo ineditismo e outras pouco conhecidas do grande p\u00fablico<\/a><\/strong><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #000000; font-size: 12px;\"><strong>Esta coluna \u00e9 publicada invariavelmente as segundas, porque \u00e0s vezes o livro \u00e9 bem grande (rs)<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #000000; font-size: 12px;\"><strong>Envie seu e-mail para a colunista: elisrouse@culturalizabh.com.br<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #000000; font-size: 12px;\"><strong>Quer saber mais sobre literatura acesse: www.literalmenteuai.com.br<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quarto de Despejo &#8211; Di\u00e1rio de uma favelada | Carolina Maria de Jesus Quarto de Despejo &#8211; Di\u00e1rio de uma favelada \u00e9 um dos cl\u00e1ssicos mais injusti\u00e7ados da literatura brasileira. 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