{"id":24243,"date":"2019-01-24T22:00:24","date_gmt":"2019-01-25T00:00:24","guid":{"rendered":"http:\/\/culturalizabh.com.br\/?p=24243"},"modified":"2019-01-25T00:30:07","modified_gmt":"2019-01-25T02:30:07","slug":"elis-1977-disco-completa-42-anos-sendo-um-dos-mais-maduros-da-eterna-pimentinha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/culturalizabh.com.br\/index.php\/2019\/01\/24\/elis-1977-disco-completa-42-anos-sendo-um-dos-mais-maduros-da-eterna-pimentinha\/","title":{"rendered":"Elis &#8220;1977&#8221;: Disco completa 42 anos sendo um dos mais maduros da eterna &#8220;pimentinha&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>Caxang\u00e1, Morro Velho, Romaria e Cartomante s\u00e3o alguns dos hits; Disco<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"><em>foi gravado quando ela estava gr\u00e1vida de sua filha Maria Rita<\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Elis Regina, uma das maiores cantoras e int\u00e9rpretes do pa\u00eds conseguiu o que muitos artistas da atualidade com certeza sonham: se tornar eterna e cada vez mais viva no cora\u00e7\u00e3o dos f\u00e3s. Mas al\u00e9m da figura &#8220;Elis Regina&#8221; que foi marcante e cativante nos palcos, sua discografia tamb\u00e9m foi respons\u00e1vel por mudan\u00e7as de comportamento, que digam os &#8220;excelentes&#8221; \u00e1lbuns: &#8220;Ela (1971)&#8221; e &#8220;Falso Brilhante (1976)&#8221; com m\u00fasicas de Belchior e Jo\u00e3o Bosco. No entanto, nenhum desses discos conseguiu alcan\u00e7ar a tamanha musicalidade de &#8220;Elis (1977)&#8221; que completou 42 anos de hist\u00f3ria. Produzido por C\u00e9sar Camargo Mariano (seu marido na \u00e9poca), traz interpreta\u00e7\u00f5es e arranjos de suma relev\u00e2ncia que demonstram exatamente o estilo e o comportamento da \u00e9poca. O \u00e1lbum foi lan\u00e7ado quando ela estava gr\u00e1vida de sua filha Maria Rita.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Comprovando toda a for\u00e7a da eterna &#8220;pimentinha&#8221; (apelido carinhoso dos amigos), o disco come\u00e7a com a m\u00fasica &#8220;Caxang\u00e1&#8221;, um presente do seu compadre &#8220;Milton Nascimento&#8221;, que ali\u00e1s, faz participa\u00e7\u00e3o com seu vocal \u00fanico. Se era preciso falar sobre a quest\u00e3o dos empregadores nos anos de 1970, a letra da can\u00e7\u00e3o cai muito bem. O viol\u00e3o \u00e9 arrebatador. &#8220;Sempre no cora\u00e7\u00e3o. Haja o que houver. A fome de um dia poder morder a carne dessa mulher. Veja bem meu patr\u00e3o como pode ser bom. Voc\u00ea trabalharia no sol e eu tomando banho de mar. Luto para viver. Vivo para morrer. Enquanto minha morte n\u00e3o vem. Eu vivo de brigar contra o rei. Em volta do fogo todo mundo abrindo o jogo. Com tudo que tem pra contar. Casos e desejos coisas dessa vida e da outra. Mas nada de assustar&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Com &#8220;Colagem&#8221;, Elis Regina mostra ainda mais sua versatilidade na interpreta\u00e7\u00e3o. A m\u00fasica de Claudio Lucci nos transporta para o per\u00edodo ainda enraizado da Ditadura Militar no Brasil. &#8220;Se voc\u00ea com muita calma usar sua ra\u00e7a. Vai surpreender. A surpresa para muitos \u00e9 uma arma. Pra se esconder. Se esconder n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o bom. Pra viver, pra morrer. Se voc\u00ea lembrar que tudo \u00e9 relativo. Vai compreender. E a compreens\u00e3o por vezes t\u00e3o sensata Vai lhe conter. Se conter n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o bom. Pra viver, pra morrer. Pra viver, pra morrer. Se voc\u00ea tentar despir essa colagem. Vai se perder. E a perda de si pr\u00f3prio \u00e9 quase um passo. Pra conceder. Conceder n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o bom. Pra viver, pra morrer, pra nascer&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Na can\u00e7\u00e3o &#8220;Vecchio Novo&#8221;, tamb\u00e9m de Cl\u00e1udio Lucio, o viol\u00e3o &#8220;limpo&#8221; de Nathan Marques faz destaque. &#8220;Amor sem p\u00e9, nem cabe\u00e7a. Que vive dentro de n\u00f3s. Explode t\u00e3o facilmente. E sem mais nos esquece s\u00f3s. Quantos e tantos press\u00e1gios. Que por instantes nos faz. Sentir-se forte e moleque. E estranhamente encarar. Um belo poema novo. Vecchio de tanto amor, amar. Vecchio, encanto novo. Sempre aqui onde est\u00e1&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Em &#8220;Morro Velho&#8221;, mais uma grande can\u00e7\u00e3o de Milton Nascimento, Elis Regina consegue trazer ainda mais &#8220;emo\u00e7\u00e3o&#8221; para a m\u00fasica com seu timbre baixo e suave. &#8220;No sert\u00e3o da minha terra, fazenda \u00e9 o camarada que ao ch\u00e3o se deu. Fez a obriga\u00e7\u00e3o com for\u00e7a, parece at\u00e9 que tudo aquilo ali \u00e9 seu. S\u00f3 poder sentar no morro e ver tudo verdinho, lindo a crescer. Orgulhoso camarada, de viola em vez de enxada. Filho do branco e do preto, correndo pela estrada atr\u00e1s de passarinho&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Na can\u00e7\u00e3o &#8220;Qualquer Dia&#8221;, Elis Regina traz mais uma bela interpreta\u00e7\u00e3o na m\u00fasica de Ivan Lins e Vitor Martins. Em seguida ela apresenta para seu ouvinte &#8220;Romaria&#8221;, can\u00e7\u00e3o que traz Renato Teixeira tocando um viol\u00e3o magn\u00edfico. Ali\u00e1s, a letra tamb\u00e9m \u00e9 sua. &#8220;\u00c9 de sonho e de p\u00f3. O destino de um s\u00f3. Feito eu perdido em pensamentos. Sobre o meu cavalo. \u00c9 de la\u00e7o e de n\u00f3. De gibeira ou jil\u00f3. Dessa vida cumprida a sol. Sou caipira pirapora nossa. Senhora de Aparecida. Ilumina a mina escura. E funda o trem da minha vida. Sou caipira pirapora nossa. Senhora de Aparecida. Ilumina a mina escura&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">O \u00e1lbum &#8220;Elis (1977)&#8221; ainda traz muitas surpresas para o ouvinte com &#8220;A Dama do Apocalipse&#8221; e traz &#8220;Cartomante&#8221;. A m\u00fasica \u00e9 tamb\u00e9m de Ivan Lins e Vitor Martins. Com a grava\u00e7\u00e3o da m\u00fasica, Elis Regina deu tamb\u00e9m um apoio a carreira de Ivan Lins que mesmo j\u00e1 tendo alguns discos gravados, ainda n\u00e3o era t\u00e3o conhecido. &#8220;Nos dias de hoje \u00e9 bom que se proteja. Ofere\u00e7a a face pra quem quer que seja. Nos dias de hoje esteja tranquilo. Haja o que houver pense nos teus filhos. N\u00e3o ande nos bares esque\u00e7a os amigos. N\u00e3o pare nas pra\u00e7as. n\u00e3o corra perigo. N\u00e3o fale do medo que temos da vida. N\u00e3o ponha o dedo na nossa ferida. Nos dias de hoje. n\u00e3o lhes d\u00ea motivo&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Para fechar o \u00e1lbum com chave de ouro, Elis Regina canta &#8220;Sentimental eu Fico&#8221; tamb\u00e9m de Renato Teixeira e &#8220;Transversal do Tempo&#8221; de Jo\u00e3o Bosco e Aldir Blanc. A m\u00fasica tamb\u00e9m tem uma letra marcante. &#8220;As coisas que eu sei de mim. S\u00e3o pivetes da cidade. Pedem, insistem e eu. Me sinto pouco \u00e0 vontade. Fechada dentro de um t\u00e1xi. Numa transversal do tempo. Acho que o amor. \u00c9 a aus\u00eancia de engarrafamento. As coisas que eu sei de mim. Tentam vencer a dist\u00e2ncia. E \u00e9 como se aguardassem feridas. Numa ambul\u00e2ncia. As pobres coisas que eu sei. Podem morrer, mas espero&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Avalia\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-24245 alignleft\" src=\"https:\/\/culturalizabh.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Elis-1977-capa-Postagem-296x300.jpg\" alt=\"\" width=\"296\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/culturalizabh.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Elis-1977-capa-Postagem-296x300.jpg 296w, https:\/\/culturalizabh.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Elis-1977-capa-Postagem-768x777.jpg 768w, https:\/\/culturalizabh.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Elis-1977-capa-Postagem-1012x1024.jpg 1012w, https:\/\/culturalizabh.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Elis-1977-capa-Postagem-173x175.jpg 173w, https:\/\/culturalizabh.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Elis-1977-capa-Postagem.jpg 1417w\" sizes=\"auto, (max-width: 296px) 100vw, 296px\" \/>A maturidade de &#8220;Elis (1977)&#8221;, talvez esteja na escolha das m\u00fasicas para compor o repert\u00f3rio do disco. Se em \u00e1lbuns anteriores ela gentilmente j\u00e1 trazia nomes da MPB, nesse disco ela surpreende. Prova disso, \u00e9 que a cantora escolheu nada mais, nada menos, que nomes que estavam j\u00e1 despontando no cen\u00e1rio musical na \u00e9poca, como, Milton Nascimento, Renato Teixeira, Ivan Lins e Jo\u00e3o Bosco. Uma escolha certeira e a altura do peso da artista na \u00e9poca. Dentre as 10 can\u00e7\u00f5es do disco (que s\u00e3o marcantes), indico: &#8220;Caxang\u00e1&#8221;, &#8220;Colagem&#8221;, &#8220;Morro Velho&#8221;, &#8220;Romaria&#8221;, &#8220;Cartomante&#8221; e &#8220;Sentimental eu Fico&#8221;. <strong>Avalio com cinco estrelas (m\u00e1xima)<\/strong>, pois, al\u00e9m dos grandes nomes interpretados na obra, Elis Regina apresenta um vocal &#8220;afinadissimo&#8221; e emocionante. Com tudo isso, ela se firmou com toda certeza como uma das maiores cantoras da MPB. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>At\u00e9 a pr\u00f3xima Cr\u00edtica Musical.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><em>Cr\u00edtica Musical \u00e9 publicada neste espa\u00e7o toda quinta-feira.<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caxang\u00e1, Morro Velho, Romaria e Cartomante s\u00e3o alguns dos hits; Disco foi gravado quando ela estava gr\u00e1vida de sua filha Maria Rita &nbsp; &nbsp; Elis Regina, uma das maiores cantoras e int\u00e9rpretes do pa\u00eds conseguiu o que muitos artistas da atualidade com certeza sonham: se tornar eterna e cada vez mais viva no cora\u00e7\u00e3o dos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":28,"featured_media":24247,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[137,4123,1,18,4122],"tags":[4120,50,2686,495,494],"class_list":["post-24243","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-colunas","category-critica-musical","category-culturaliza","category-musica","category-resenha","tag-critica-musical","tag-cultura","tag-elis-regina","tag-opiniao","tag-resenha"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/culturalizabh.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Elis-Regina-dest.png","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p864jz-6j1","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/culturalizabh.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24243","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/culturalizabh.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/culturalizabh.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/culturalizabh.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/28"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/culturalizabh.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24243"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/culturalizabh.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24243\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24250,"href":"https:\/\/culturalizabh.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24243\/revisions\/24250"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/culturalizabh.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/24247"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/culturalizabh.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24243"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/culturalizabh.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24243"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/culturalizabh.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24243"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}