{"id":24060,"date":"2019-01-28T15:00:37","date_gmt":"2019-01-28T17:00:37","guid":{"rendered":"http:\/\/culturalizabh.com.br\/?p=24060"},"modified":"2019-01-19T22:04:43","modified_gmt":"2019-01-20T00:04:43","slug":"a-hora-do-amor-alvaro-cardoso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/culturalizabh.com.br\/index.php\/2019\/01\/28\/a-hora-do-amor-alvaro-cardoso\/","title":{"rendered":"A hora do amor &#8211; \u00c1lvaro Cardoso"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1436 size-full\" src=\"https:\/\/culturalizabh.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/literaliza-bh.png\" alt=\"\" width=\"778\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/culturalizabh.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/literaliza-bh.png 778w, https:\/\/culturalizabh.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/literaliza-bh-300x96.png 300w, https:\/\/culturalizabh.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/literaliza-bh-768x247.png 768w, https:\/\/culturalizabh.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/literaliza-bh-400x129.png 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 778px) 100vw, 778px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">\u201cA hora do amor\u201d do escritor \u00c1lvaro Cardoso faz parte daquela seleta listinha de livros que lemos na escola e amamos. Pelo menos nas d\u00e9cadas de 1980 e 1990, a escolha dos livros cl\u00e1ssicos como leitura obrigat\u00f3ria para as aulas de literatura, deixaram marcas profundas at\u00e9 mesmo \u201ctraum\u00e1ticas\u201d em muitos alunos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Na contram\u00e3o, livros como \u201cA hora do amor\u201d, \u201cA marca de uma l\u00e1grima\u201d do \u00edcone Pedro Bandeira, \u201cDepois daquela viagem\u201d da escritora Val\u00e9ria Piassa Polizzi, \u201cE agora, m\u00e3e?\u201d da escritora Isabel Vieira, s\u00e3o alguns dos exemplos que marcaram positivamente a minha gera\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Mas n\u00e3o pense que sou contra os cl\u00e1ssicos, pelo contr\u00e1rio, s\u00f3 acho que para todo tipo de leitura h\u00e1 um momento oportuno. Para a minha gera\u00e7\u00e3o, os cl\u00e1ssicos da literatura, aliados a falta de incentivo fora da escola, s\u00e3o facilmente os respons\u00e1veis por reprimir o gosto pela leitura em muitas pessoas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Em compensa\u00e7\u00e3o \u00e0 primeira vista livros como a \u201cA hora do amor\u201d podem parecer bobinhos, sem sal, mas tem uma fun\u00e7\u00e3o bem definida, a de levar o leitor para dentro da trama. Voc\u00ea se envolve com os personagens, se identifica com eles, e quando menos espera a leitura acabou, por\u00e9m, dando in\u00edcio a sua primeira ressaca liter\u00e1ria. Essa inquieta\u00e7\u00e3o e o desejo por mais, te faz pegar outro livro pra ler e por a\u00ed vai.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-24061 size-full alignleft\" src=\"https:\/\/culturalizabh.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/A-hora-do-amor.jpg\" alt=\"\" width=\"184\" height=\"274\" srcset=\"https:\/\/culturalizabh.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/A-hora-do-amor.jpg 184w, https:\/\/culturalizabh.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/A-hora-do-amor-118x175.jpg 118w\" sizes=\"auto, (max-width: 184px) 100vw, 184px\" \/>A primeira publica\u00e7\u00e3o de \u201cA hora do amor\u201d foi em 1986, pela editora FTD. \u00c1lvaro Cardoso Gomes \u00e9 cr\u00edtico liter\u00e1rio, poeta, romancista e ensa\u00edsta. Tem mais de 60 livros publicados, entre livros acad\u00eamicos, fic\u00e7\u00e3o, poesia, literatura infantil e infanto-juvenil.\u00a0 J\u00e1 foi agraciado com os pr\u00eamios Bienal Nestl\u00e9 de Literatura e o Jabuti.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">\u201cA hora do amor\u201d conta a hist\u00f3ria do adolescente Beto. No livro n\u00e3o fala a idade, mas d\u00e1 ind\u00edcios de que ele tenha entre 15 e 16 anos. Beto vive uma vida simples com os pais e o irm\u00e3o mais velho na cidade de Americana, interior de S\u00e3o Paulo. \u00c9 um menino inteligente, que gosta de ler, brincar com o estilingue, nem sempre faz a li\u00e7\u00e3o de casa, \u00e9 desobediente e muito mentiroso.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #ff6600; font-size: 12px;\"><em>\u201cNisso ningu\u00e9m ganha de mim: conto a maior hist\u00f3ria e todo mundo acredita. Quando come\u00e7o a inventar uma mentira, n\u00e3o paro mais, vou falando, emendando as coisas, tanto que \u00e0s vezes at\u00e9 chego a acreditar no que conto.\u201d (p\u00e1g.9)<\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">A vida simples de Beto seguiria seu curso normal, se n\u00e3o fosse a nova vizinha L\u00facia Helena. De antipatia imediata a paix\u00e3o arrebatadora, a amizade com Lucia Helena, faz Beto querer ser uma pessoa melhor.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #ff6600; font-size: 12px;\"><em>\u201cBoi no la\u00e7o fica manso &#8211; papai gostava de dizer isto a respeito de qualquer coisa. Pois eu parecia boi no la\u00e7o. Depois que L\u00facia Helena ficou minha amiga, nunca mais matei aula nem deixei de fazer li\u00e7\u00e3o. Na classe, sentava ao lado dela e fazia o poss\u00edvel e o imposs\u00edvel para prestar aten\u00e7\u00e3o na aula.\u201d (p\u00e1g.29)<\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-24062 alignright\" src=\"https:\/\/culturalizabh.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/A-hora-do-amor-..jpg\" alt=\"\" width=\"183\" height=\"275\" srcset=\"https:\/\/culturalizabh.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/A-hora-do-amor-..jpg 183w, https:\/\/culturalizabh.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/A-hora-do-amor-.-116x175.jpg 116w\" sizes=\"auto, (max-width: 183px) 100vw, 183px\" \/>Mas todo esse sossego tem curta dura\u00e7\u00e3o. Movido pelo ci\u00fame da amiga, e sem coragem de abrir seu cora\u00e7\u00e3o para ela, Beto praticamente surta. Todos os bons modos se evaporam, dando in\u00edcio a uma rebeldia frustrante e inconsequente. Somado a isso, acontecimentos marcantes na fam\u00edlia dele v\u00e3o contribuir para sua total transforma\u00e7\u00e3o. Conhecer o amor e o turbilh\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es que ele provoca n\u00e3o faz nada bem ao nosso mocinho.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 engra\u00e7ado que durante todo esse processo, eu s\u00f3 queria ser amiga dele. Dar uns conselhos e tudo seria resolvido. Mas o autor brilhantemente nos d\u00e1 v\u00e1rias li\u00e7\u00f5es neste per\u00edodo. Beto precisava de amigos verdadeiros que nunca teve. Do apoio da fam\u00edlia que sempre o tratou diferente de como o irm\u00e3o mais velho era tratado. Quem sabe da escola, mas l\u00e1 tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 um lugar acolhedor, por culpa ora de Beto, ora dos professores que n\u00e3o hesitavam em humilh\u00e1-lo na frente de todos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Beto precisou de aten\u00e7\u00e3o e carinho. Todo o dilema da sua vida poderia ser resolvido com uma conversa simples. Mas a imaturidade, o rancor, a cortina de mentiras, e a trag\u00e9dia familiar, moldaram uma personalidade fechada e introspectiva, impedindo que Beto sa\u00edsse de l\u00e1.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">A hist\u00f3ria se passa na d\u00e9cada de 1960. O livro foi publicado a mais de 30 anos e \u00e9 bem interessante ter acesso a cultura e aos costumes da \u00e9poca, os bailes, as rela\u00e7\u00f5es com pouca conversa e zero abertura para desabafos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 um livro triste, mas revigorante. O sofrimento dele \u00e9 tocante, os dilemas, as atitudes tudo isso te faz ter empatia com o protagonista. O livro \u00e9 curtinho, a linguagem \u00e9 simples e flu\u00edda. Li em poucas horas e fiquei com aquele gostinho de quero mais. Aquele em que a gente fecha o livro e acha que os personagens est\u00e3o por a\u00ed, vivendo em algum lugar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Relembre outros cl\u00e1ssicos da literatura clicando<span style=\"color: #ff6600;\"><strong> <a style=\"color: #ff6600;\" href=\"http:\/\/www.literalmenteuai.com.br\/\">aqui<\/a>.\u00a0<\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Esta coluna \u00e9 publicada invariavelmente as segundas, porque \u00e0s vezes o livro \u00e9 bem grande (rs)<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Envie seu e-mail para a colunista: elisrouse@culturalizabh.com.br<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Quer saber mais sobre literatura acesse: www.literalmenteuai.com.br<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA hora do amor\u201d do escritor \u00c1lvaro Cardoso faz parte daquela seleta listinha de livros que lemos na escola e amamos. 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