{"id":23334,"date":"2018-12-13T20:00:19","date_gmt":"2018-12-13T22:00:19","guid":{"rendered":"http:\/\/culturalizabh.com.br\/?p=23334"},"modified":"2018-12-14T16:19:36","modified_gmt":"2018-12-14T18:19:36","slug":"chico-canta-disco-completa-45-anos-sendo-um-dos-mais-poeticos-e-emblematicos-de-chico-buarque","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/culturalizabh.com.br\/index.php\/2018\/12\/13\/chico-canta-disco-completa-45-anos-sendo-um-dos-mais-poeticos-e-emblematicos-de-chico-buarque\/","title":{"rendered":"Chico Canta: Disco completa 45 anos sendo um dos mais &#8220;po\u00e9ticos e emblem\u00e1ticos&#8221; de Chico Buarque"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>\u00c1lbum foi censurado na \u00e9poca, mas ficou marcado na carreira pelas m\u00fasicas Tatuagem, B\u00e1rbara e Cobra de Vidro<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Existem discos que deixaram marcas importantes na hist\u00f3ria do Brasil. Alguns porque venderam muitas c\u00f3pias e tiveram muitos hits nas r\u00e1dios, mas outros porque registraram a capacidade de produ\u00e7\u00e3o musical de alguns artistas, como foi o caso do disco &#8220;Chico Canta (1973)&#8221; ou &#8220;Calabar: O Elogio da Trai\u00e7\u00e3o&#8221; do cantor, compositor e escritor Chico Buarque. O \u00e1lbum que deu vida ao livro e a pe\u00e7a foi baseado na hist\u00f3ria de Domingos Calabar, escrita por Chico Buarque e Ruy Guerra e traz consigo can\u00e7\u00f5es marcantes na carreira e sucessos inesquec\u00edveis na boca dos f\u00e3s. Prova disso foi que o \u00e1lbum vendeu muito bem, mesmo passando pelo crivo &#8220;pesado&#8221; da censura tendo sua capa e algumas m\u00fasicas alteradas. A obra tem arranjos do m\u00fasico e compositor Edu Lobo, dire\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o de Roberto Menescal, de est\u00fadio com S\u00e9rgio M. de Carvalho e reg\u00eancia de M\u00e1rio Tavares<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Lan\u00e7ado em 1973, o disco &#8220;Chico Canta&#8221; foi totalmente extraido da pe\u00e7a &#8220;Calabar&#8221; trazendo m\u00fasicas inesquec\u00edveis a come\u00e7ar pela faixa &#8220;Pr\u00f3logo (O Elogio da Trai\u00e7\u00e3o)&#8221; que d\u00e1 abertura para a estoteante e arrebatadora &#8220;Cala A Boca B\u00e1rbara&#8221;. A m\u00fasica traz um certo romantismo e mostra um Chico Buarque com quase 30 anos de idade no \u00e1pice da produ\u00e7\u00e3o intelectual. &#8220;Ele sabe dos caminhos dessa minha terra. No meu corpo se escondeu, minhas matas percorreu. Os meus rios, os meus bra\u00e7os. Ele \u00e9 o meu guerreiro nos colch\u00f5es de terra. Nas bandeiras, bons len\u00e7\u00f3is. Nas trincheiras, quantos ais, ai. Cala a boca &#8211; olha o fogo! Cala a boca &#8211; olha a relva! Cala a boca, B\u00e1rbara&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Na can\u00e7\u00e3o &#8220;Tatuagem&#8221; (um dos maiores sucessos da sua carreira), Chico Buarque exprime toda sua vis\u00e3o a respeito das paix\u00f5es fulminantes. A m\u00fasica \u00e9 uma das mais tocadas em seus shows. &#8220;Quero ficar no teu corpo. Feito tatuagem. Que \u00e9 pra te dar coragem. Pra seguir viagem. Quando a noite vem. E tamb\u00e9m pra me perpetuar. Em tua escrava. Que voc\u00ea pega, esfrega. Nega, mas n\u00e3o lava. Quero brincar no teu corpo feito bailarina. Que logo se alucina. Salta e te ilumina quando a noite vem. E nos m\u00fasculos exaustos. Do teu bra\u00e7o. Repousar frouxa, murcha, farta, Morta de cansa\u00e7o. Quero pesar feito cruz. Nas tuas costas. Que te retalha em postas. Mas no fundo gostas. Quando a noite vem. Quero ser a cicatriz. Risonha e corrosiva. Marcada a frio. Ferro e fogo. Em carne viva&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-23337 aligncenter\" src=\"https:\/\/culturalizabh.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/HBO7-1-300x208.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"208\" srcset=\"https:\/\/culturalizabh.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/HBO7-1-300x208.jpg 300w, https:\/\/culturalizabh.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/HBO7-1-253x175.jpg 253w, https:\/\/culturalizabh.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/HBO7-1.jpg 628w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Em seguida &#8220;Chico Canta (1973)&#8221; segue com &#8220;Ana de Amsterdam&#8221; (orquestrada) e d\u00e1 o tom para &#8220;B\u00e1rbara&#8221;, m\u00fasica que mais uma vez mostra o romantismo do artista. &#8220;B\u00e1rbara, B\u00e1rbara. Nunca \u00e9 tarde, nunca \u00e9 demais. Onde estou, onde est\u00e1s. Meu amor, vem me buscar.O meu destino \u00e9 caminhar assim. Desesperada e nua. Sabendo que no fim da noite serei tua. Deixa eu te proteger do mal, dos medos e da chuva. Acumulando de prazeres teu leito de vi\u00fava&#8221;. Na m\u00fasica &#8220;N\u00e3o Existe Pecado Ao Sul do Equador&#8221;, Chico Buarque mostra com maestria que tamb\u00e9m sabe fazer &#8220;marchinhas de Carnaval&#8221; muito bem.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">A letra \u00e9 bem alegre e para cima. &#8220;N\u00e3o existe pecado do lado de baixo do equador. Vamos fazer um pecado rasgado, suado, a todo vapor. Me deixa ser teu escracho, capacho, teu cacho. Um riacho de amor. Quando \u00e9 li\u00e7\u00e3o de esculacho, olha a\u00ed, sai de baixo. Que eu sou professor&#8221;. Em seguida ele traz um &#8220;pout porri&#8221; com a m\u00fasica &#8220;Boi Voador&#8221;, uma esp\u00e9cie de piada na \u00e9poca. &#8220;Quem foi, quem foi. Que falou no boi voador. Manda prender esse boi. Seja esse boi o que for. O boi ainda d\u00e1 bode. Qual \u00e9 a do boi que revoa. Boi realmente n\u00e3o pode. Voar \u00e0 toa. \u00c9 fora, \u00e9 fora, \u00e9 fora. \u00c9 fora da lei, \u00e9 fora do ar. \u00c9 fora, \u00e9 fora, \u00e9 fora. Segura esse boi. Proibido voar&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Em &#8220;Fado Tropical&#8221;, Chico Buarque faz um duo com Ruy Guerra (poeta, professor, dramaturgo e cineasta). A letra fala sobre quest\u00f5es sociais e pol\u00edticas de Portugal. Em seguida a can\u00e7\u00e3o &#8220;Tira as M\u00e3os de Mim&#8221; traz a excelente percep\u00e7\u00e3o de Chico Buarque sobre relacionamentos. &#8220;Ele era mil. Tu \u00e9s nenhum. Na guerra \u00e9s vil. Na cama \u00e9s mocho. Tira as m\u00e3os de mim. P\u00f5e as m\u00e3os em mim. E v\u00ea se o fogo dele. Guardado em mim. Te incendeia um pouco. \u00c9ramos n\u00f3s. Estreitos n\u00f3s. Enquanto tu. \u00c9s la\u00e7o frouxo. Tira as m\u00e3os de mim. P\u00f5e as m\u00e3os em mim. E v\u00ea se a febre dele. Guardada em mim. Te contagia um pouco&#8221;. Em seguida o disco segue com a m\u00fasica &#8220;Cobra de Vidro&#8221;, can\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m mostra parte da resist\u00eancia vivida na \u00e9poca pelos atores \/ m\u00fasicos e sociedade no geral.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">&#8220;Chico Canta (1973)&#8221; segue com a m\u00fasica &#8220;Vence Na Vida Quem diz Sim&#8221; (orquestrada) e fecha com a incr\u00edvel e bem escrita &#8220;Fortaleza&#8221;, mais uma das grandes composi\u00e7\u00f5es de Chico Buarque. A letra mostra &#8220;talvez&#8221; parte dos momentos vividos pelo artista na \u00e9poca. &#8220;A minha tristeza n\u00e3o \u00e9 feita de ang\u00fastias. A minha tristeza n\u00e3o \u00e9 feita de ang\u00fastias. A minha surpresa. A minha surpresa \u00e9 s\u00f3 feita de fatos. De sangue nos olhos e lama nos sapatos. Minha fortaleza. Minha fortaleza \u00e9 de um sil\u00eancio infame. Bastando a si mesma, retendo o derrame. A minha represa&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">Avalia\u00e7\u00e3o<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-23335 alignleft\" src=\"https:\/\/culturalizabh.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/DI00760-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/culturalizabh.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/DI00760-300x300.jpg 300w, https:\/\/culturalizabh.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/DI00760-150x150.jpg 150w, https:\/\/culturalizabh.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/DI00760-175x175.jpg 175w, https:\/\/culturalizabh.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/DI00760.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Entre as can\u00e7\u00f5es que indico de &#8220;Chico Canta (1973)&#8221; deixo: Tatuagem, B\u00e1rbara, N\u00e3o Existe Pecado Ao Sul do Equador, Fado Tropical, Tira as M\u00e3os de Mim, Cobra de Vidro e Fortaleza. Musicalmente, &#8220;Chico Canta (1973)&#8221; \u00e9 primoroso! Avalio com <strong>cinco estrelas (m\u00e1xima)<\/strong>, pois o \u00e1lbum traz arranjos de Edu Lobo, dire\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o de Roberto Menescal, de est\u00fadio com S\u00e9rgio M. de Carvalho, reg\u00eancia de M\u00e1rio Tavares e capa de Regina Vater. Al\u00e9m disso, can\u00e7\u00f5es que nos fazem pensar sobre como algumas coisas mudaram no pa\u00eds e outras nem tanto. O disco &#8220;Chico Canta (1973)&#8221; ou &#8220;Calabar: O Elogio da Trai\u00e7\u00e3o&#8221; est\u00e1 dispon\u00edvel no formato f\u00edsico em CD, vinil e tamb\u00e9m nos canais Deezer e Spotify. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">At\u00e9 a pr\u00f3xima Cr\u00edtica Musical.<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong><em>Cr\u00edtica Musical \u00e9 publicada neste espa\u00e7o toda quinta-feira.<\/em>\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c1lbum foi censurado na \u00e9poca, mas ficou marcado na carreira pelas m\u00fasicas Tatuagem, B\u00e1rbara e Cobra de Vidro \u00a0 Existem discos que deixaram marcas importantes na hist\u00f3ria do Brasil. 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