{"id":22924,"date":"2018-11-30T07:00:09","date_gmt":"2018-11-30T09:00:09","guid":{"rendered":"http:\/\/culturalizabh.com.br\/?p=22924"},"modified":"2018-11-30T01:29:09","modified_gmt":"2018-11-30T03:29:09","slug":"o-grande-gatsby-esse-insistente-passado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/culturalizabh.com.br\/index.php\/2018\/11\/30\/o-grande-gatsby-esse-insistente-passado\/","title":{"rendered":"O Grande Gatsby: Esse insistente passado&#8230;"},"content":{"rendered":"<div>\u00a0<\/div>\n<div>\n<div style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">N\u00e3o sei voc\u00ea, mas eu gostaria de ter vivido nos anos 20&#8230; Sabe aquela histeria coletiva, aquele glamour instant\u00e2neo, misturados ao charme das festas no melhor estilo cabar\u00e9, de alegria disfar\u00e7ada? Ent\u00e3o, eu seria um elegante cavalheiro em um terno branco slim, com o cabelo engomadinho, uma ta\u00e7a de champanhe em uma das m\u00e3os e um charuto aromatizado na outra. E \u00e9 s\u00f3 eu assistir a um filme com esse cen\u00e1rio que fico todo melanc\u00f3lico, como se j\u00e1 tivesse vivido tudo isso em outra vida&#8230; Foi assim com \u201cMoulin Rouge\u201d, \u201cAmelie Poulin\u201d, \u201cMeia-Noite em Paris\u201d, \u201cO Artista\u201d, e, \u00e9 claro, com \u201cO Grande Gatsby\u201d, film\u00e3o de 2013 dispon\u00edvel no Now, vencedor do Oscar 2014 de melhor figurino e melhor design de produ\u00e7\u00e3o. E longas como \u201cGatsby\u201d e \u201cMoulin Rouge\u201d (que, inclusive, s\u00e3o do mesmo diretor, Baz Luhrmann), em que a pegada \u00e9 mais musical, d\u00e1 uma vontade ainda maior de querer estar l\u00e1.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: left;\">\u00a0<\/div>\n<div style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Em \u201cO Grande Gatsby\u201d \u2013 que n\u00e3o \u00e9 um musical, mas tem uma trilha sonora muito envolvente \u2013, a bela narrativa acompanha a vida do narrador Nick (Tobey Maguire) e sua ida para Nova York para tentar enriquecer. L\u00e1, ele reencontra sua prima Daisy (Carey Mulligan) e seu cunhado, Tom (Joel Edgerton), e \u00e9 apresentado ao falso glamour da cidade at\u00e9 conhecer Gatsby (Leonardo DiCaprio), seu vizinho rico, poderoso, influente e arrebatador.<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: left;\">\u00a0<\/div>\n<div>\n<div style=\"text-align: left;\">\u00a0<\/div>\n<div style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Ao terminar de assistir ao filme e j\u00e1 querer escrever esta coluna, pensei em falar sobre muitos temas, pois o filme n\u00e3o \u00e9 desses inesquec\u00edveis, mas te deixa meio a\u00e9reo, encantado; satisfeito pelas lindas imagens, mas curioso pela riqueza de detalhes do cl\u00e1ssico da literatura de F. Scott Fitzgerald. Por\u00e9m, o que mais me chamou aten\u00e7\u00e3o foram os personagens. Talvez porque, como j\u00e1 disse, queria ser um deles. Nick me encantou pela sutileza. Um escritor, observador, soube guardar segredos de cada um a seu redor com maestria para, depois, cont\u00e1-los a n\u00f3s. Daisy me chamou a aten\u00e7\u00e3o pela covardia. Tom, pela esperteza. E tinha outra personagem linda, chiqu\u00e9rrima, da qual n\u00e3o me recordo o nome, mas que era a mais pura finesse.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: left;\">\u00a0<\/div>\n<div style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Mas nenhum deles se compara a Gatsby, \u00f3bvio, o protagonista do filme. E DiCaprio parece ter sido moldado para ele. Nunca o havia visto t\u00e3o inseguro e apaixonado, por\u00e9m, arrogante e oportunista ao mesmo tempo. No enredo do longa, h\u00e1 uma busca de Gatsby em mudar o passado, em querer de volta o que n\u00e3o chegou a ter por completo. E o ator mergulha nessa vontade com tanta intensidade que voc\u00ea esquece completamente os meios pelos quais ele est\u00e1 buscando tudo isso. A gan\u00e2ncia do ator em descrever as vontades expl\u00edcitas daquele ambicioso personagem \u00e9 tamanha que voc\u00ea tira da mem\u00f3ria qualquer papel da vida dele e aplaude de p\u00e9 aquela entrega art\u00edstica \u00fanica e poderosa. Viajei?! Sim, eu sei. Mas \u00e9 que DiCaprio tem se entregado tanto a bons personagens, como o inescrupuloso Calvin Candie, de \u201cDjango Livre\u201d, e o sonhador justiceiro Dom Cobb, de \u201cA Origem\u201d, que eu me perco nas letras e nas ideias.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: left;\">\u00a0<\/div>\n<div style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000000;\">Vou continuar viajando&#8230; O ator, talvez, assim como o personagem, gostaria de mudar o passado e refazer algumas cenas de \u201cRomeu + Julieta\u201d, \u201cA Praia\u201d e at\u00e9 mesmo de \u201cTitanic\u201d. E quem n\u00e3o gostaria de ter esse poder, n\u00e3o \u00e9 mesmo?! DiCaprio e todo esse mundo de \u201cGatsby\u201d foi s\u00f3 um gancho para eu mandar um recado: por mais intenso o sentimento de busca por algo desse insistente passado, nunca vamos conseguir redesenhar o que j\u00e1 foi moldado, nunca saberemos atingir um meio de resgatar totalmente aquilo que vivemos anteriormente. Estaria eu viajando outra vez? N\u00e3o. Desta vez, estou s\u00f3 me consolando por n\u00e3o estar nos anos 20.<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #ff6600;\"><a style=\"color: #ff6600;\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=9KQt2OMOty8\">Veja o trailer\u00a0<\/a><\/span><\/strong><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #000000;\"><em><strong>\u201cLuiz, C\u00e2mera, A\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 publicada neste espa\u00e7o toda sexta-feira<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 N\u00e3o sei voc\u00ea, mas eu gostaria de ter vivido nos anos 20&#8230; Sabe aquela histeria coletiva, aquele glamour instant\u00e2neo, misturados ao charme das festas no melhor estilo cabar\u00e9, de alegria disfar\u00e7ada? 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