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Rolê Fotográfico: Igreja São Francisco de Assis, a Igreja da Pampulha

Olá, meu povo lindo! Como foram de carnaval? Espero que tenham se divertido muito nesse carnavalzão maravilhoso que tá rolando aqui nos últimos anos. Agora voltamos para nossa programação normal, até porque a vida começa depois do carnaval. E neste mês, vou contar a história e mostrar algumas fotografias de um dos lugares mais queridos da capital e um dos nossos maiores cartões postais. Posso dizer que se ela tivesse um signo, seria aquariana por ser tão “diferentona” -kkkkkk-. Vamos falar da Igreja da Pampulha ou Igrejinha da Pampulha.

 

A criatividade reinou na Pampulha

 

As construções do conjunto arquitetônico da Pampulha continuavam de forma frenética. Em 1943, já haviam sido inauguradas a Casa do Baile, o Iate Tênis Clube e o Casino. A igreja São Francisco de Assis ainda estava em construção, sob muita polêmica, pois Oscar Niemeyer fez um projeto ousado demais para a época. Um formato curioso, cheio de curvas, meio achatado e que não se parecia nada com uma igreja. Muita gente criticou, chamando a igrejinha de “galpão”. Pois bem, com ou sem as críticas, o projeto era genial. Além de Niemeyer, Burle Marx continuou sendo responsável pelo paisagismo e jardinagem e Cândido Portinari ficou encarregado para a pintura dos painéis, inclusive teve mais liberdade para ‘barbarizar’ seu incrível talento.

 

Niemeyer fez o que mais havia de inovador e mostrava seu estilo de fato, foi seu “cartão de visitas”. Abandonou as pilastras dessa vez e deu lugar ao concreto armado, apostou nas curvas e nas formas sinuosas criando uma grande abóbada que ia diminuindo da porta até o altar. A torre feita de concreto e detalhes trançados de madeira também seguiu o mesmo estilo não totalmente retangular aumentando de largura conforme vai subindo. Acima da porta, persianas fixas davam mais modernidade na parte frontal. A parte de trás da igrejinha, formadas por quatro formas elípticas, lembram as montanhas de Minas e é composta por um lindo painel abstrato de azulejos assinados por Portinari. As laterais da fachada, com os mosaicos, foi trabalho de Paulo Werneck. A parte interna possui os 14 painéis da Via Sacra e uma grande pintura em todo seu altar mór, todos de Portinari, assim como os desenhos do palanque da igreja e os detalhes.

 

Olha a bonita sendo construída kkkkkk. Não tiraria a razão de quem passasse por essa obra e descobrisse que se tratava de uma igreja. Foto de 1943 | Fonte: http://bhnostalgia.blogspot.com.br

 

“Era um protesto que eu levava como arquiteto, de cobrir a igreja da Pampulha de curvas, das curvas mais variadas, essa intenção de contestar a arquitetura retilínea que então predominava” – Oscar Niemeyer

 

A grande polêmica

 

Nos anos 40, BH começava a tomar ares de grandeza, mas a população (ou boa parte dela) não estava preparada para algo tão moderno e ousado, principalmente tratando-se de uma igreja, algo tão tradicional e conservador na história do estado. Mais problemas ainda estavam por vir. Quando a igreja estava praticamente pronta, Dom Cabral, que fazia parte da cúria metropolitana da Arquidiocese de BH, não autorizou sua consagração para ser um templo religioso. Os 14 painéis da Via Sacra feitos por Portinari foi uma das maiores obras de sua carreira como pintor, elas são realmente lindas, porém, nem isso convenceu a Arquidiocese. Outra polêmica foi o altar mor onde há um grande painel, também de Portinari, que retrata São Francisco de Assis. Segundo a história, a população da cidade de Gúbio, na Itália, estava com medo de um lobo que atacava as pessoas e outros animais, até que São Francisco amansou esse lobo que se tornaria seu companheiro. A mando de JK, Portinari substituiu o lobo por um cãozinho vira lata, provocando raiva e desdém da Arquidiocese.

 

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Igreja e símbolo de Belo Horizonte

 

A igrejinha da Pampulha só foi consagrada em 1959! Quatorze anos depois de sua inauguração. Depois disso, ela passou a receber missas e muitas visitas, tanto dos belo horizontinos, quanto turistas de outros estados e países. Em 1984, foi tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico – IEPHA . A igrejinha é um dos maiores símbolos de BH e é querida por todos.

É muito bom dar um passeio no seu entorno nos finais de semana, principalmente com a última reforma em que fecharam a rua e ligaram a igreja e a praça de mesmo nome, agora está ótimo para tirar fotos, levar os dogs e as crianças para brincarem. Quem fizer uma visita na igreja vai encontrar o ponto de partida do Pampulha Retrô Tour, onde uma Jardineira Chevrolet 1957 leva os turistas para um passeio por todo o conjunto arquitetônico de uma forma bem nostálgica com direito a um guia apresentando e contando a história de cada atrativo. O valor do tíquete é de 20 reais e te dá o direito de quatro embarques/desembarques no atrativo de sua escolha.

 

Espero que tenham gostado da história de um dos maiores cartões postais de nossa cidade. Infelizmente, não pude entrar na igreja para fotografar, pois ela está fechada, desde novembro de 2017, aguardando o fechamento de uma licitação para a reforma, que ainda está sem uma data definida. 🙁 Também não consegui fotografar a Jardineira, pois ela já tinha partido levando os passageiros para os outros atrativos. De qualquer forma, espero que gostem das fotos que fiz da parte externa da igreja. Até o próximo rolê!

 

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Fontes:

http://belohorizonte.mg.gov.br/atrativos/roteiros/marcos-da-modernidade/igreja-da-pampulha

http://belohorizonte.mg.gov.br/local/representacao-religiosa/catolica/igreja-sao-francisco-de-assis

http://www.viajantecomum.com/2016/11/24/igrejinha-da-pampulha-historia-e-fotos/

http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2012/12/veja-frases-marcantes-de-oscar-niemeyer.html

 

 

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Diego Martins
Diego Martins
28 anos, Atleticano, formado em Design Gráfico pelo UniBH e em fotografia pela Escola Metrópole. É apaixonado por futebol, história, arte, mesa de bar com uma boa conversa e tem a fotografia como sua mais nova paixão. Quando não está fotografando, adora ver filmes, seja em casa ou no cinema. Não trocaria Belo Horizonte por lugar nenhum do mundo.

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