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“O Preço da Verdade”: Ativismo resistente, até mesmo envolvente

Vamos falar francamente? “O Preço da Verdade”, do diretor Todd Haynes e que acaba de estrear nos cinemas de BH, é um filme que tinha tudo para ser um documentário, mas deve ter se tornado um drama para ter a liberdade de tocar mais os espectadores. O tema é realmente muito documental e tem aquele quê factual de compromisso com a verdade. Mas, se fosse pra ser sóbrio demais, sem um roteiro ficcional e a atuação de atores, talvez não ganhasse um público maior.

Na história, Robert Bilott (Mark Ruffalo) é um advogado de defesa corporativo que ganhou prestígio trabalhando em casos de grandes empresas de químicos. Quando um fazendeiro conhecido de sua avó no interior chama a sua atenção para mortes que podem estar ligadas a lixo tóxico de uma grande corporação, ele embarca em uma luta pela verdade, em um processo judicial que dura anos e põe em risco sua carreira, sua família (ele é casado com a personagem da atriz Anne Hathaway) e seu futuro em geral.


 

Podemos dizer que é um drama envolvente e, por mais que seja lento e informativo, você acaba se interessando por essa “busca pela verdade”. O protagonista se mostra resistente anos a fio para que o caso seja solucionado. Isso mostra a ideia de luta e resistência sem esquecer da sensibilidade – apesar disso, Mark Ruffalo está apático em cena, sempre com aquela carinha de perdido e desentendido de outras produções.

Mas, por ser inspirado em uma história real, “O Preço da Verdade” se propõe como parte do ativismo, o que mostra até ser, por que não, um movimento político. A ideia de que uma empresa norte-americana contaminou produtos espalhados pelo mundo todo é revoltante, e você se sente parte dele. … E mais: personagens reais participando do filme também impulsionam essa sensação. É esse conflito que te causa agitação, que cria em você uma identificação, e que, pelo menos, te obriga a sair do cinema com uma real inquietação.

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Luiz Cabral
Luiz Cabral
Palpiteiro de plantão, Cabral é, atualmente, responsável pelas colunas SuperDicas (@superdicasbh), com sugestões de gastronomia e diversão na capital; Nossas Histórias, com textos de cotidiano e comportamento; e Luiz, Câmera, Ação – www.luizcameraacao.com, com indicações de filmes e reflexões sobre o que a magia do cinema faz nas nossas vidas. A sétima arte, inclusive, é a sua maior paixão. Aqui neste espaço ele vai narrar, com sensibilidade e crítica, como um filme pode ser muito mais que duas horas de diversão na poltrona do cinema.

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