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Já Tomei uns Tragos de Poesia e Prosa pra Amaciar a Tristeza | Emanoel Ferreira

Já Tomei uns Tragos de Poesia e Prosa pra Amaciar a

Tristeza | Emanoel Ferreira

 

Via LiteralMente,Uai  – Herlane Meira

Já Tomei uns Tragos de Poesia e Prosa pra Amaciar a Tristeza é o primeiro livro do escritor e poeta mineiro Emanoel Ferreira.

 

Eu sempre tive a impressão que a poesia é um dos gêneros literários que mais aproxima o leitor do autor. Através dela, o escritor apresenta suas emoções e sentimentos mais íntimos em forma de textos, sejam sobre paixão, decepção, um coração partido, ou saudades. Na obra Já Tomei uns Tragos de Poesia e Prosa pra Amaciar a Tristeza não é diferente.

 

O escritor e poeta mineiro Emanoel Ferreira, conhecido também como Mano, descreve esses mesmos sentimentos, em formas de poesias, crônicas, contos curtos e aforismos.

 

“numa das mesas mais afastadas 

no café do Palácio das Artes

há um poeta que conjuga verbos

porque não consegue conjugar a coincidência:

a mulher que ama

e a mulher que o ama

não são a mesma pessoa.” (pág 47)

 

Nascido e criado em Belo Horizonte, Mano traz também, além dos versos e histórias presentes no livro, uma familiaridade, em especial para os leitores conterrâneos: os textos, em sua grande maioria, são descritos nos mais diversos cenários da capital mineira, e a identificação é imediata. 

 

“Desembarquei do metrô na Estação Central, o relógio marcando 07:53. Cortei ventando a Praça da Estação, o relógio tiquetaqueando 07:58. Subi a avenida Amazonas aos tropeços e trombolhões, o relógio indo em 08:03. Cheguei à Praça Sete suado, com um pastor de rua gritando, e uma e duas e três e dez meninas vendendo chip da Tim, foto na hora, bilhetes de loteria, seu amor de volta em três dias; alguns sujeitos comprando créditos do cartão de ônibus, vendendo créditos do cartão de ônibus, vendendo ônibus no cartão de crédito…” (pág. 16)

 

O título curioso do livro, inclusive, é parte do poema “Confissões”:

 

“eu já trinquei os dentes e mastiguei o Eu te amo porque não queria assustar uma mulher.

eu já memorizei uma gargalhada bonita porque queria ter no que lembrar quando as coisas ficassem ruins outra vez.

eu já preferi a espalhafatosa companhia dos cães do que as linhas entediantes dos autores de autoajuda.

eu já tomei uns tragos de poesia e prosa pra amaciar a tristeza.” (pág. 39)

 

Em “Crônica para Minas Gerais”, um dos meus textos preferidos, inclusive, a paixão é outra. O autor não esconde seu sentimento pelo estado e muito menos pelo time do coração.

 

“…Tem gente que não sabe que o café em Minas é mais cheiroso. Que, em Minas, casa de vó estraga mais os netos. Que a mulher mineira é um trem lindo (se for baixinha, é covardia com o coração). Que o Cruzeiro é o maior de Minas sim, e este cronista não tem que mentir pra ser imparcial. Que boteco em Minas é mais boteco. Que as montanhas não estão impessoalmente rodeando Minas, mas dando-lhe um abraço apertado.” (pág. 85)

 

O Livro Já Tomei uns Tragos de Poesia e Prosa pra Amaciar a Tristeza, da Editora Multifoco, é curtinho, com uma leitura leve e fluida. São 106 páginas que podem ser consumidas em uma tarde. Mas já aviso que, assim que terminar, você se pega pedindo uma segunda dose. 

 

Além dessa obra, o escritor também publica constantemente em: www.emanoelferreira.tumblr.com 

 

Leia todas as nossas resenhas aqui!

 

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Elis Rouse
Elis Rouse
Sou Elis, não sou Regina; sou do interior e amo a capital; sou jornalista, mas não trabalho em jornal; amo ler, sonho escrever; dicas vou dar, dicas quero receber; experiências vamos trocar; literatura brasileira vamos amar!

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