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Chora boy: Clara Tannure chegou no pop para ficar! 

Aos 25 anos, Clara Tannure chega com tudo ao cenário pop e promete material novo até o fim de ano. Confira;

 

Formada em Publicidade e Propaganda, a mineira de 25 anos já trabalhou como atendente de telemarketing, caixa de bar e estagiária nas áreas de design e mídias sociais até decidir embarcar completamente na carreira de cantora pop. Filha mais velha dos famosos pastores João Lúcio Tannure e Helena Tannure e ex-integrante do grupo gospel Diante do Trono, Clara afirma que viveu sua infância em um contexto religioso muito expressivo, mas que desde cedo se interessou pela cultura pop: “Desde criança, eu sempre me interessei muito pelo mundo pop e, como minha família era muito religiosa, não permitiam que eu ouvisse esse tipo de música. Mas, mesmo assim, eu assistia MTV escondida para saber o que estava acontecendo. E aí, eu comecei a me interessar por Britney Spears, Spice Girls…”

 

 

A dona do hit-chiclete “Chora Boy” usou a música e o clipe para se reposicionar no mercado artístico. Depois de alguns anos investindo em outros projetos, percebeu que era o momento certo para seguir o seu sonho e se apresentar para o público como a cantora que sempre quis ser. Além de Clara, a produção da faixa e do clipe contou com a participação de Dedé Santaklaus (produção musical), Leandro Guerra (roteiro e direção), Lucas Chagas (filmagem), Iuri Lis (direção de arte), Maria Clara Zica (cenografia), Luiz Pontel (fotografia) e Isaque Gandra (styling) e é recheado de referências ao universo pop. Tem Britney Spears, Kylie Minogue, Dua Lipa, High School Musical e muito mais.  

 

Tive a oportunidade de bater um papo com a cantora sobre recepção do público, expectativas para a carreira, inspirações, haters e muito mais. Confira a entrevista na íntegra:  

 

1 – O lançamento de “Chora Boy” aconteceu há quatro meses, o que mudou desde então? Como tem sido a recepção do seu público?

 

As pessoas que já me conheciam e tinham contato comigo, amaram a música e o clipe. Todos os meus amigos me ajudaram. Agora, as pessoas que conheciam a pessoa midiática, ficaram um pouco assustadas, indignadas e até me atacaram. A recepção do público ficou bem dividida. Uma galera que me descobriu agora e ficou feliz. É incrível como muita gente que também era da igreja e não é mais, se identifica comigo e manda mensagem de agradecimento e apoio. Mas, também, tem muita gente que critica bastante e acredita que em algum momento eu vou voltar a cantar gospel ou que estou tentando atacar a minha família e a igreja. É bem dividido mesmo. A vida de artista é isso, né? Nunca vou agradar 100%. Além disso, o que mudou bastante foi a minha volta para essa posição de artista de um jeito novo, pois ser artista gospel é completamente diferente. Eu me reposicionei na música. Eu quero ser uma cantora pop, tenho as minhas próprias pautas, não sou a mesma Clara de antes. Me apresentei para o público como quem eu quero ser e, a partir disso, foram surgindo ótimas oportunidades. Apesar de ter apenas uma música lançada, já me convidam para entrevistas, apresentações, participações em shows. Tive a oportunidade de participar da última edição do Festival Sarará ao lado do Dedé Santaklaus no palco de artistas locais. A banda Zevinipim nos convidou para cantar duas músicas, cantamos “Chora Boy” e fizemos um cover de “Garupa”. Foi bem legal. Agora, eu estou no processo de produzir o material novo que será lançado em breve!

 

 

Clara e Dedé Santaklaus – Festival Sarará 2019 | Foto: Isabella Lyra

2 – A música é muito divertida e o clipe é maravilhoso. Quais foram as suas inspirações durante o processo de criação/produção da faixa e do vídeo? 

 

Durante o processo de composição da música, eu fiquei tentando pensar em um refrão chiclete, até chegar em “Chora Boy”. Eu escrevi muita coisa que não encaixava, até que um dia, briguei com um boy que estava me enchendo o saco e sendo insistente, aí nasceu o refrão. Eu levei para o Dedé e ele me ajudou a produzir a faixa inteira. Já o clipe, foram necessários muitos encontros com os meus amigos do audiovisual. Juntamos várias referências do pop que queríamos que estivessem presentes no clipe. Teve Britney na capa da Rolling Stones, Kylie Minogue em Slow, Fabulous do High School Musical, New Rules da Dua Lipe e várias outras. Eu fiquei satisfeitíssima com o resultado. Ficou lindo! 

 

3 – Você canta desde cedo, né?! Começou na carreira gospel, cantou no Diante do Trono e, agora, engatou na carreira pop. Como foi essa transição? Esse estilo sempre foi algo que você quis fazer ou acabou descobrindo com o passar do tempo?

 

Desde criança, eu sempre me interessei muito pelo mundo pop e, como a minha família é muito religiosa, não permitiam que eu ouvisse esse tipo de música. Mas, mesmo assim, eu assistia MTV escondida querendo saber o que tava acontecendo. E aí, comecei a me interessar por Britney Spears, Spice Girls… Eu lembro da Kelly Key, Luka, Perlla. Eram sempre mulheres que me interessavam mais. Mulheres do pop. Então, eu acho que é um interesse que vem desde cedo. Depois que eu comecei a ficar mais velha, tentei a convencer os meus pais a me deixarem ouvir algumas músicas que não eram religiosas. Comecei a ouvir artistas da Disney que eram mais “clean”, como Demi Lovato, Miley Cyrus, Jonas Brothers, Selena Gomez. Quando eu fiz 16 anos, quis me desvincular da igreja e não concordava com algumas coisas e queria viver outras experiências também. Daí, comecei a compor e eu era muito fã da Manu Gavassi, então, a maioria das minhas composições eram sobre amor. Só que a minha mãe cortou, pois acreditava que eu precisava escrever para Deus. A partir disso, eu larguei, pois eu não queria ser cantora gospel e perdi aquela empolgação.

 

O tempo passou, eu me formei no Ensino Médio, ingressei na faculdade de Publicidade e Propaganda por me interessar muito pela área, me graduei e comecei a fazer Design, pois sempre fui apaixonada pela área visual, sabe? Estética e tudo. Mas, cheguei no fim do curso e estava desgastada, já havia trabalhado em vários lugares, saído de casa, me sustentando, vivendo naquela loucura de trabalhar, estudar e ainda estar infeliz com o que eu estava fazendo. Então, eu tomei a decisão de começar a fazer música pop por ser algo que eu sempre quis. Tentei isso paralelamente, o clipe foi gravado na correira junto com os meus amigos. Um fez o roteiro, outro fez a direção de vídeo, o outro de arte, cenografia e foi. Unimos forças e deu certo. Eu fiquei muito feliz, foi um sonho realizado e deu uma repercussão maior do que eu esperava. Deu certo o plano de me apresentar para o público e agora estamos em busca de lançar material novo para consolidar a carreira. Com isso, vem o nervosismo, né? Tá todo mundo na expectativa para o próximo single e não dá para ser a gata de um hit só, né?! Dá um frio na barriga, pois não tenho nenhuma renda fixa, eu me banco sozinha. Tem mês que eu fico doida, já no outro tenho vários shows, mas é sempre essa incerteza. Por isso, meu objetivo é me consolidar no mercado e ter mais estabilidade.

 

4 – Você se sente mais livre para ser quem você é agora que se encontrou no pop do que antes? 

 

Eu sinto, mas ao mesmo tempo, tenho receio pelo meu passado gospel. Muita gente me ataca nas redes sociais. E, também, tem a questão familiar. A minha família não me desaprova, mas também não aprova. É difícil, eu não quero magoá-los com quem eu sou, mas tenho as pautas em que acredito, luto e me posiciono por elas e, de certa forma, elas entram em conflito com as pautas deles. Então, sim, eu estou muito feliz, mais realizada e fazendo o que eu gosto, mas não tem sido fácil lidar com isso. Eu imagino que com o tempo as coisas vão melhorar e as pessoas vão aceitar que é isso o que eu quero e não vai mudar. Eu não estou aqui para brigar com ninguém, só quero viver a minha verdade e ajudar as pessoas com o que eu acredito. 

 

Clara Tannure | Foto: Flávio Tavares

5 – Você comentou sobre a produção de material novo para este ano ainda, já pode adiantar alguma coisa sobre o próximo single?

 

Então, o próximo single chama “Sem Juízo”, é uma colaboração minha com o Dedé Santaklaus. Vai ser pesadíssimo, batidinha chique. Estamos gravando o clipe, já fizemos algumas cenas e vamos gravar o final em breve. A única dificuldade é com a verba, pois é um projeto maior que “Chora Boy”. O lado bom é que conseguimos muitas parceiras que disponibilizaram equipamento, roupa, maquiagem, tudo. Eu estou ansiosíssima para o lançamento, só com as cenas que temos até agora, já achei o clipe maravilhoso. Estamos com o desafio de captar patrocínio e melhorar a divulgação, a minha equipe está trabalhando de graça para mim e eles são profissionais incríveis. Eles estão acreditando no meu sonho, sabe?! Então, mesmo que esteja difícil, tá muito legal também. Eu fico muito ansiosa para lançar a música e o clipe logo, acho que todo mundo vai amar. Essa música vem como uma resposta aos ataques que recebo nas redes sociais. É uma resposta pacífica, porém firme. Podem falar de mim, eu não vou parar. Esse é o meu sonho e eu não vou desistir dele. 

 

6 – Quais outros artistas de música pop são grandes inspirações para você e quais seriam parcerias dos sonhos? 

 

A Pabllo Vittar é tudo para mim! Sou muito fã mesmo, já falei isso para ela. Meu sonho é colaborar com ela. Anitta também, apesar dos erros de discurso, eu tenho muito respeito por ela como empresária, artista, mulher que chegou muito longe e conquistou muita visibilidade. Eu acho que é de admirar e apontar que é uma mulher foda. O pessoal do Rosa Neon são uns queridos, sou muito fã e eles são bem próximos. Espero que algum dia possamos fazer algo juntos também. Tem um pop lado B que eu gostaria de colaborar também, tipo o Jaloo e a Mc Tha, um pop mais indie, eu gosto bastante. Eu e o Mateus Carrilho nos conhecemos e estamos planejando uma parceira também. Eu sou muito fã do trabalho dele desde a Banda Uó e ele se interessou pela minha música, me deu várias dicas de carreira e nosso feat deve rolar sim!

 

7 – Desde o lançamento do primeiro single, você vem recebendo muitos comentários negativos e ataques na internet. Como você lida com isso? 

 

Com muita terapia e apoio dos amigos. É complicado, pois eu sou virginiana e frito um pouco com essas coisas. Eu fico muito curiosa para saber o que as pessoas estão falando de mim. Então, muita mensagem que eu recebo no inbox, eu abro para ler e muitas pessoas são realmente maldosas. Mas, eu tento separar as coisas, porque eles não me conhecem de fato, só a imagem que eles têm de mim. A Clara artista não sou eu completa. Vão tirar conclusões sobre mim, minha índole, minha aparência, minha relação com a minha família e isso não corresponde à realidade. Eu não posso deixar isso me colocar para baixo ou me influenciar. Eu tenho sido mais firme, se a pessoa já chega atacando, eu bloqueio ou apago os comentários, pois não sou obrigada. Esse tipo de mensagem não vai agregar em nada. O passado gospel faz parte de mim e eu não tenho vergonha dele. Foi uma fase da minha vida em que fui feliz também. A igreja é um ótimo lugar para incentivar as artes. Eu tinha muitos amigos que cantavam e foi um aprendizado. Tem gente que até pede para que eu tire o sobrenome da minha mãe das minhas redes sociais. Só que é meu também, tá na minha identidade. Eles atacam a minha mãe também, e ela é muito condizente o que prega. Apesar de eu não estar dentro do contexto religioso e cristão mais, eu consigo admirá-la. Mesmo assim, eles continuam atacando e culpando-a de certa forma. É isso, a posição de destaque em que eu me coloquei, vai atrair pessoas ótimas que apoiam o meu trabalho, mas consequentemente, pode atrair muitas pessoas amarguradas também. Me resta lidar. 

 

8 – O que os seus fãs podem esperar para o próximo ano? Tem algum hit de carnaval vindo aí?

 

Para este ano ainda! Tem coisa nova vindo por aí. Eu acho que vocês vão gostar muito, eu estou ansiosa para mostrar. Ano que vem vai ter hit de carnaval e o plano é lançar um EP para vender o show completo. Eu tenho feito apresentações com muitas colaborações e a minha intenção é ter um show totalmente autoral. Então, podem esperar muitos lançamentos, parceiras, muito audiovisual, muito conteúdo. Eu também quero produzir conteúdo de vlog, pois tem muita gente interessada no que eu já vivi, nas experiências que já tive. Ano que vem, tem muita novidade e espero me abrir mais e deixar as pessoas me conhecerem para que eu possa crescer ainda mais como artista. Eu quero mandar um beijo para os meus fãs e agradecer por todo apoio, mensagens de encorajamento, desabafos, tudo. Eu sinto que tenho um propósito e estou ajudando as pessoas com a minha história. Apesar de não ser fácil colocar a cara a tapa assim, ajudar as pessoas faz valer a pena e o objetivo é esse. Queria agradecer a minha produção que é feita pela Cuia Cultural, tamo junto. É nós!

 

Animados? Estou ansioso pelo lançamento de “Sem Juizo”, mas enquanto ele não chega, que tal fazer muito boy chorar dando stream para esse hit que está disponível em todas as plataformas digitais?  

 

Imagem de destaque: Flávio Tavares.

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Marcelo Megale
Marcelo Megale
Mineiro de Belo Horizonte. Estudante de Letras na UFMG. Amante de comunicação, música, escrita e cultura pop. Tem coisa melhor do que escrever sobre o que a gente gosta e acredita?! No meu caso, escrevo sobre música e novidades. Vem comigo ficar por dentro da cena musical da capital mineira na coluna #ExperimentaBeagá. Texto novo a cada quinze dias, geralmente nas quartas-feiras. Instagram: @eumarcelomegale

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