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O escaravelho do diabo | Lúcia Machado de Almeida

O escaravelho do diabo é um dos clássicos mais aclamados da Coleção Vaga-Lume. E se você ainda não leu, por favor, prestigie essa obra e as diversas da coleção, que marcaram positivamente milhares de leitores Brasil afora.

 

A Coleção Vaga-Lume já vendeu mais de 8 milhões de livros. Mais de 90 obras fazem parte da coleção, lançada entre o entre o final de 1972 e o início de 1973. Ao todo 41 escritores tiveram suas obras publicadas na Vaga-lume.

 

A propósito, confira as resenhas de obras que fazem parte da Coleção.

Deu a louca no tempo

A árvore que dava dinheiro

 

Uma marca da coleção Vaga-lume é não se ater a apenas um gênero literário. Ao se deliciar com as obras, você vai se deparar com livros curtinhos, fáceis de ler e que te prendem do início ao fim. É exatamente o que acontece em “O escaravelho do diabo”.

 

Um mistério ronda a pequena cidade de Vista Alegre, no interior de São Paulo, quando peculiares e misteriosos assassinatos de pessoas ruivas começam a ocorrer. Em comum entre eles é o recebimento de besouros via Correios, pouco antes da morte, que aliás tem a ver com o nome em latim da espécie.

 

Quem liga os pontos do mistério “morte x besouro” é Alberto, irmão da primeira vítima, Hugo, encontrado morto com uma enorme espada espanhola fincada ao coração. Inconformado com a morte do irmão, Alberto se junta a equipe do inspetor Pimentel na caçada ao assassino.

 

Eles concentram seus esforços na pensão da irlandesa Cora O’ Shea, que abriga personagens peculiares de várias partes do mundo, incluindo ela própria, seu filho e funcionários. Todos são suspeitos e vítimas. A propósito das vítimas, até mesmo um animal está entre elas.   

 

As mortes são distintas, e a causa é rapidamente revelada. Os diálogos são proveitosos e a leitura flui rapidamente.

 

Alberto é um estudante de medicina que sonha em ser cardiologista. Após da morte do irmão, ele tenta conciliar sua vida com as investigações do crime. Ele quer a todo custo evitar que pessoas inocentes sejam mortas, mesmo que para isso coloque a própria vida em risco.

 

Alberto se apaixona pela mais jovem moradora da pensão da senhora O’Shea, Verônica. E a relação entre eles é marcada pela desconfiança e suspeitas constantes.

 

Enquanto tentam salvar a vida dos ruivos da cidade e proteger a si mesmos, precisam lidar com uma ameaça que transita entre o sobrenatural ao mais assassino cruel a sangue frio.

 

O escaravelho do diabo é um thriller de suspense, sem qualquer apelação ou exagero. Inclusive, ao terminar a leitura ficamos com aquela sensação que poderia ter mais umas 100 páginas. As cenas se desenvolvem rapidamente, em meio ao anseio pela descoberta do assassino e sobretudo a motivação.  

 

A linguagem é simples e bem direta ao propósito da coleção, que é agradar aos jovens leitores. E consegue com primor.

 

A propósito da edição, li a de 2015, que brilha no escuro. Achei sensacional! As letras são grandes e o livro pequenininho cabe na mão.

 

O escaravelho do diabo prova que quase 50 anos depois do lançamento, a coleção continua atual e encantadora. Cabe a nós leitores incentivar aos mais jovens a leitura da Vaga-lume e nunca deixá-la cair no esquecimento.

Esse clássico da literatura nacional está disponível na Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais.

O escaravelho do diabo foi o primeiro livro da Coleção Vaga-lume a ganhar uma adaptação. Mesmo com boas e aclamadas histórias, o pontapé no cinema só foi dado mais de 40 anos após o lançamento. Veja o comparativo entre o livro e o filme clicando aqui

 

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Esta coluna é publicada invariavelmente as segundas, porque às vezes o livro é bem grande (rs)

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Elis Rouse
Elis Rouse
Sou Elis, não sou Regina; sou do interior e amo a capital; sou jornalista, mas não trabalho em jornal; amo ler, sonho escrever; dicas vou dar, dicas quero receber; experiências vamos trocar; literatura brasileira vamos amar!

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