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Filhos da Senzala | Silvânia Dias

 

Filhos da Senzala é o primeiro romance da escritora mineira Silvânia Dias. Traz uma história de amor repleta de emoção e reviravoltas.

 

O amor entre Francisco do Espírito Santo, homem branco, rico e sobretudo livre, com a jovem escrava Eugênia, é daqueles impossíveis que a gente torce do início ao fim, mas já lê sabendo que haverá muito sofrimento e a incerteza do final feliz é uma constante.

 

“Só muitos e muitos anos mais tarde, na sabedoria de sua velhice, ele compreendeu que, às vezes, o cruel pode ser ainda mais cruel, e a certeza de ter alcançado o limite do sofrimento é apenas uma amarga ilusão quando se constata que as coisas podem piorar, mesmo quando já estão demasiadamente ruins.” (pág. 28)

 

A história já começa com o drama de Francisco ao perder a mãe, Ana Leocádia, com apenas 42 anos. A narrativa da morte dela é dura, desde a descrição do acontecimento, ao velório e o clima pós-morte, que deixou pai e filhos desolados.

 

Francisco, abandona o conforto ao lado do pai e do irmão gêmeo, para sair pelo mundo fugindo daquele ambiente fúnebre. Com isso, ele chega à Fazenda Cantareira do Capitão Bartolomeu Moutinho Esteves. Junte todas as lembranças ruins de senhores de escravos que você tiver e empregue neste vilão inescrupuloso, ardiloso, violento, inclusive com a esposa e os filhos.

 

Francisco vai trabalhar na fazenda do Capitão, e apesar da carga excessiva de trabalho, ele é feliz. Só quer ter um pouco de paz e fazer seu trabalho diário. O amor não estava nos planos do jovem, porém ao conhecer linda Eugênia, tudo muda. O encantamento é mutuo, à primeira vista, embora o passado da moça faça com que ela resista, no princípio, a essa paixão. 

 

O amor dos dois é sincero. Eugênia quer casar, e Francisco quer uma família. Não é fácil convencer o Capitão desse casamento, porém, o engenhoso vilão tem uma “brilhante” ideia. Submeter Francisco a 12 anos de escravidão, em troca da liberdade da amada. Sem titubear Francisco aceita. 

 

Obviamente, o que os amantes não esperavam é que nas letrinhas miúdas deste contrato, tivesse condições que transformaria a vida dos dois num verdadeiro inferno.

 

A família de Francisco e Eugênia é submetida a chantagem, violência, perseguição, exploração, humilhação. O Capitão Moutinho Esteves moverá céus e terras para impedir a paz dos dois.

 

Além do embate entre o casal e o Capitão, o livro também traz histórias do passado de outros personagens que em algum momento passaram por eles. Gostei bastante dos causos do marceneiro que constrói o caixão da mãe de Francisco e também das intrigas que envolveram a história de amor da Cecília, irmã do Capitão.

 

A trama se passa em Minas Gerais, tem um contexto histórico bem interessante, como as questões jurídicas envolvendo a escravidão, e a atuação dos advogados e juízes em causas escravagistas. Além de detalhes dos costumes e tradições da época. 

 

Em Filhos da Senzala a escritora mineira Silvânia Dias apresenta uma história densa, tocante e muito bem construída.  

 

O que mais gostei nessa história é que ela é literalmente contada. É como se estivéssemos sentados em uma mesa, ouvindo nossa avó dar detalhes do passado de uma família rica da região. Raros foram os diálogos, ou aquelas descrições excessivas, típicas de romance de época.

 

A linguagem é simples e direta, fácil de entender e ler. Os problemas se revolvem rapidamente, e de repente vem uma reviravolta que não te deixa relaxar. Eu li em um dia e adorei!

 

Filhos da Senzala é uma publicação da editora Schooba. Clique para saber mais. 

 

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Esta coluna é publicada invariavelmente as segundas, porque às vezes o livro é bem grande (rs)

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Elis Rouse
Elis Rouse
Sou Elis, não sou Regina; sou do interior e amo a capital; sou jornalista, mas não trabalho em jornal; amo ler, sonho escrever; dicas vou dar, dicas quero receber; experiências vamos trocar; literatura brasileira vamos amar!

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