Colunas Crítica Musical Destaque Música Resenha

Breakfast In America faz 40 anos sendo o responsável pelo sucesso “mundial” do Supertramp

Trabalho traz as faixas “The Logical Song”, “Goodbye Stranger”, “Breakfast In América”, ” Lord Is it Mine” e “Take The Long Way Home”

 

 

Se destacar no cenário musical no fim dos anos de 1970 não era uma tarefa muito fácil. Primeiro, por que nessa época muitas novas bandas estavam surgindo e segundo, por que o estilo musical “dominante na época” era a “Disco Dance”. Sendo assim, os hits tocados nas rádios eram praticamente oriundos do Jackson Five, Donna Summer, The Commodores e etc. Mas mesmo assim, muitas bandas de Rock And Roll se mantiveram firmes, como, o Queen, Rod Stewart, James Taylor, Wings (de Paul McCartney) e nada mais, nada menos que o Supertramp. Provando que o Rock/Pop também podia fazer muito barulho nas rádios, eles lançaram “Breakfast In America (1979), um dos álbuns mais icônicos e marcantes da época. O álbum foi “praticamente” o responsável pelo grande estouro do grupo na mídia mundial. Prova disso, foi que o disco ganhou dois Grammy em 1980 e possui a certificação de platina quádrupla pela RIAA. O álbum se tornou o mais vendido do Supertramp, com mais de 20 milhões de cópias no mundo todo, destas, seis milhões apenas nos EUA, ficando em primeiro lugar da Billboard 200 por seis semanas em 1979.

 

 

O grande destaque de “Breakfast In America (1979)” começa pela capa feita pelo artista Mike Doud. Nela, uma irreverente garçonete interpretada por Kate Murtagh segura um copo de suco como se fosse a estátua da liberdade, tendo como pano de fundo uma cidade de Nova Iorque bem diferente, composta por prédios representados por caixas de cereais, um prato de comida e embalagens de ketchup. Mas além disso, o disco traz canções que comprovam que o Supertramp era bem maior “musicalmente” do que eles imaginavam. A começar pelas faixas do disco que comprovam a maturidade do grupo e a vasta experiência musical acumulada até então em seus quase 10 anos de carreira. A primeira música “Gone Hollywood” mostra bem isso. “É de partir o coração. Eu deveria saber que isso me deixaria triste. É de doer a cabeça. Eu costumava sonhar com essa cidade. Ela era a vista para se ver. O lugar para estar. Onde a vida é fácil. E a diversão está em toda parte”.

 

 

Em seguida “Breakfast In America (1979)” traz “The Logical Song”, uma das canções mais tocadas e conhecidas pelos fãs do grupo e não é para menos. A letra é ótima e o vocalista Roger Hodgson está incrível. “Quando eu era jovem. Parecia que a vida era maravilhosa. Um milagre. Ah era tão bonita, mágica. E todos os pássaros nas árvores. Cantavam tão felizes. Ah, alegres. Brincalhões, eles me observavam. Mas depois eles me mandaram para longe. Para me ensinarem a ser sensato. Lógico. Ah responsável, prático”.

 

 

Com “Goodbye Stranger” o Supertramp mantém a linha do piano e das guitarras mais leves e soltas. Nela o vocalista Rick Davies traz o tom. “Ontem de manhã bem cedo. Eu levantei antes de alvorecer, e realmente, aproveitei minha paragem. Mas tenho que ir embora. Como um rei sem castelo. Como uma dama sem trono. Fico muito disposto de manhã. E tenho que me mandar. Agora acredito no que você diz. É a verdade indiscutível. Mas as coisas precisam ser do meu jeito. Para manter-me jovem”.

 

 

“Breakfast In America”, música que intitula o álbum traz um vocal “excelente” de Roger Hodgson. A canção também foi um dos grandes trunfos da carreira do Supertramp. “Dê uma olhada na minha namorada. É a única que eu tenho. Não é bem uma namorada. Pareço nunca conseguir arranjar muitas. Pegar um Boeing, cruzar pelas águas. Gosto de ver os Estados Unidos. Ver as garotas da Califórnia. Espero que isso se realize. Mas não há muito que eu possa fazer. Poderíamos ter salmão no café da manhã”. 

 

 

Na faixa “Oh Darling”, o grupo mostra toda a sua competência vocal e instrumental, nesta que para mim, é uma das destacáveis faixas do álbum. “Oh, querida, você vai mudar de ideia algum dia? Sinto-me como se tivesse sido deixado para trás. Como uma sombra na sua luz. Ah, amor, você não vai dizer que eu sou o tal? E, se pensar, você vai correr. Bem, você sabe. Eu vou ficar ao seu redor, em volta de você. Sempre ao seu lado. Eu vou sonhar com você, fazer planos com você. Amá-la todo o tempo”.

 

 

“Take The Long Way Home”, também está no hall de uma das melhores faixas do álbum. Com uma incrível gaita, o Supertramp faz uma mistura excelente de sons. Essa é una das faixas que mais gosto do álbum. “Então você acha que é um Romeo. Desempenhando um papel em uma apresentação. Pegue o caminho mais longo para casa. Pegue o caminho mais longo para casa. Porque você é a piada do bairro. Por que você se importaria se você se sentir bem? Pegue o caminho mais longo para casa. Pegue o caminho mais longo para casa. Mas há momentos em que você sente que faz parte do cenário. 

 

 

Além dos sons mais animados, “Breakfast In America (1979)” também traz canções mais lentas e que valem a pena serem ouvidas. ” Lord Is it Mine” é uma delas. “Eu sei que há uma razão porque eu preciso ficar sozinho. Você me mostra que há um lugar silencioso que eu possa chamar de meu. É meu, é meu senhor? Você sabe que eu fico tão cansada das batalhas nesta vida. E muitas vezes parece que você é a única esperança à vista. É na minha, senhor é o meu? Quando tudo `s escuras e nada parece certo. Há nada a ganhar e não há nenhuma necessidade de lutar”. O álbum fecha com as ótimas, “Just Another Nervous Wreck “, “Casual Conversations” e “Child Of Vision”, que também traz uma letra ótima.

 

 

Avaliação

 

Conheci o Supertramp através do meu tio Paulo Peixoto (querido tio Paulinho, grande influenciador da minha paixão por música) quando eu tinha (mais ou menos) 12 anos de idade, mas naquela época ainda não era tão ligado a CD´s e vinis e sim, aos hits que tocavam nas rádios. Conheci a discografia do Supertramp aos 17 anos de idade depois de ter a chance de pegar emprestado todos os álbuns com uma conhecida de serviço, quando eu era office boy. A partir dali, pude ver a força musical do grupo e sua proposta, já que diferentemente dos grupos de Rock da mesma época, eles tinham um som bem interessante. Entre as faixas que mais gosto e indico deixo: “The Logical Song”, “Goodbye Stranger”, “Breakfast In América”, ” Lord Is it Mine” e ” Take The Long Way Home” que são ótimas. Avalio com cinco estrelas (máxima), pois “Breakfast In America (1979)” mostra que “mesmo em meio aos modismos da época”, era possivel fazer Rock And Roll com uma mistura dance de qualidade. O grupo marcou uma geração e com certeza “Breakfast In America (1979)” faz parte desse momento. O disco está disponível em vinil, CD, Deezer e Spotify.

 

 

 

Até a próxima Crítica Musical.

Crítica Musical é publicada neste espaço toda quinta-feira

Felipe de Jesus
Felipe de Jesus
Jornalista, Teólogo, Sociólogo, Letras (Literatura). Tem Mestrado em Comunicação Social: Jornalismo e Ciências da Informação, Doutorado em Ciências Sociais e atualmente cursa Direito e Ciências Econômicas: Economia. Apaixonado por música, colabora com rádios e portais falando sempre sobre álbuns, coberturas de shows e etc. Tem como hobbie comprar CDs e também vinis. "Minha paixão pela música brasileira me faz quase um pesquisador. Um amor que vem da adolescência".

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *