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Rolê fotográfico: Avenida Afonso Pena

Olá! Tudo bem com você? Estou aqui em mais um lindo rolê em nossa querida Belo Horizonte. Cada grande cidade tem uma avenida famosa, seja a Paulista em São Paulo, a 9 de Julio em Buenos Aires, a Champs-Élysées em Paris, a 5th Avenue em Nova York e por aí vai. Em Belo Horizonte não é diferente, por aqui existem várias avenidas importantes. Porém nenhuma é tão famosa quanto a Avenida Afonso Pena, e é dela que vou falar em nosso rolê.

 

 

Projetada para o futuro

 

Já sabemos que Belo Horizonte foi uma cidade planejada, mas nem todos sabem de quanto meticuloso foi o processo para ser construída. Foram feitos estudos topográficos, hidrológicos e até climáticos antes do início da construção. O engenheiro-chefe da comissão construtora da nova capital, Aarão Reis (1853-1936) pensou muito à frente de seu tempo já imaginando a grandeza que BH teria no futuro. A área urbana feita nos quadrantes formadas pelas grandes e largas avenidas e as ruas organizadas por quadrantes com objetivo de facilitar e organizar a mobilidade.

 

Cada rua da área urbana foi projetada para ter 20 metros e as avenidas 35 metros de largura. Mas Av. Afonso Pena foi pensada de forma diferente. Em homenagem ao político que decidiu a mudança de Ouro Preto para o Curral del Rey como capital do estado, a avenida de 4,3km de extensão foi especialmente projetada para ser o eixo norte-sul da área urbana da cidade, e por isso, ela foi feita com 50 metros de largura, sendo a mais larga de todo o centro. “(Largura) suficiente para dar-lhes a beleza e o conforto que deverão, de futuro, proporcionar à população”, escreveu Aarão Reis no memorial da planta.  O engenheiro tinha razão, mas mesmo fazendo uma avenida tão larga mal ele sabia que, ainda assim a Afonso Pena iria sofrer com o trânsito dos horários de pico dos dias de hoje.

 

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Palco principal do crescimento da cidade

 

A Afonso Pena sempre foi uma referência urbana. Na sua construção, por ser o eixo norte-sul do centro, nos anos 20 e 30 por ser a principal via das linhas dos bondes da cidade e nos anos 40 e 50 marcando o rápido crescimento e progresso da área central. À partir dos anos 30 os principais pontos comerciais, bancos e empresas estavam localizados na Afonso Pena ou próxima dela. Os primeiros arranha-céus foram construídos nas mediações da Praça 7. Partiam de lá também os bondes que corriam pelo centro. A vida belo-horizontina pulsava na Afonso Pena, seja nos cafés, nos pontos de encontro, nas lojas ou nos passeios no parque. Outra coisa marcante da avenida e que representava beleza e fazia jus ao nome da cidade eram seus tradicionais Fícus, os grandes blocos de árvores que foram plantados em toda sua extensão.

 

 

Dos anos 40 aos anos 50, o cenário da Afonso Pena era de constante movimentação e crescimento. Foi nesse período que vários arranha-céus eram erguidos de maneira alucinante e se misturaram aos antigos prédios já conhecidos na avenida, alguns que podemos destacar: o Acaiaca (867), o Sulacap e Sulamérica (981), o Brasil Palace Hotel, Banco Mineiro da Produção (Pça 7), o Hotel Financial (571). Já escrevi sobre lugares históricos da Afonso Pena aqui no rolê: Cine Theatro Brasil, o Parque Municipal e a Feira de Artesanato.

 

 

Vários acontecimentos marcaram a história da famosa avenida do centro à partir dos anos 60. O mais triste registro com certeza foi o da retirada dos Fícus depois da proliferação de pragas nas árvores e o aumento do fluxo de veículos. Também na mesma década fizeram a transferência do obelisco da Praça 7 para a Savassi. Teve o seu alongamento até a Praça da Bandeira e que eu falei um pouco no mês passado. Em 71 a Rodoviária foi inaugurada e, logo em frente, na praça Rio Branco houveram várias manifestações contra a ditadura militar.

 

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A Afonso Pena já está mais que consolidada na história de Belo Horizonte. Já tivemos o Carnabelô, várias comemorações de títulos de Atlético e Cruzeiro, greves e manifestações, desfiles de 7 de setembro, vários domingos na feira de artesanato e vários outros eventos e acontecimentos nos 120 anos de BH. Hoje ela se tornou extenso corredor no meio da infinidade de prédios, mas mesmo assim não deixou de ser o cartão postal da cidade que sempre retratou seu crescimento. Agora deixo minhas fotos abaixo e espero que tenha gostado do texto. Até o próximo rolê!

 

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Fontes:

Portal de Belo Horizonte

Folha de S. Paulo

Jornal o Tempo

Blog Curral del Rey

Diego Martins
Diego Martins
28 anos, Atleticano, formado em Design Gráfico pelo UniBH e em fotografia pela Escola Metrópole. É apaixonado por futebol, história, arte, mesa de bar com uma boa conversa e tem a fotografia como sua mais nova paixão. Quando não está fotografando, adora ver filmes, seja em casa ou no cinema. Não trocaria Belo Horizonte por lugar nenhum do mundo.

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