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Roger Waters mostra que arte e política devem sim andarem juntas

Um teatro mágico a céu aberto. Assim pode ser definido o espetáculo que o inglês Roger Waters trouxe à BH. Aos 75 anos, o fundador e ex-integrante do Pink Floyd apresentou ao público um show repleto de luzes, efeitos cenográficos, ilusões de ótica; um setlist repleto de clássicos e balões gigantes voando por cima da plateia no Mineirão. A já conhecida veia política de Waters, também deu as caras no show. Mensagens contra a destruição do meio ambiente, em favor dos Direitos Humanos e contra o que, o próprio Waters chama de neofascismo, estiveram presentes no telão e nos discursos do cantor.

 

O show teve início pontualmente às 21:00h. Durante os 20 primeiros minutos, o público apenas contemplou no telão (aliás, um mega telão), a imagem de uma menina sentada na areia da praia. Logo em seguida, Waters e sua incrível banda agitaram a plateia e soltou logo de cara um clássico: “Breathe”. Emendando com “Breathe”, veio um fenomenal solo de baixo, seguido por “One of These Days”O brilho do show se completava com a mistura da iluminação e do telão ao fundo, que se fundiam perfeitamente com a música. Os mais desavisados podem ter se assustado quando os relógios despertaram; era hora do clássico “Time”.

 

Tela exibida momentos antes de Waters subir no palco. Foto: Guilherme Dias

 

Em “The Great Gig in the Sky”, o destaque ficou por conta das cantoras Jess Wolfe e Holly Laessig, que deixaram os baking vocals e arrasaram assumindo os vocais principais. Na sequência, quando surge um robô rastejando no vídeo, os fãs sabiam que “Welcome to The Machine” seria tocada. Aqui, é necessário citar qualidade da banda que acompanha Waters, não somente nesta música, mas em todo o show. Não ficam devendo em nada aos músicos originais do Pink Floyd. Também há de se destacar os vocais do guitarrista Jonathan Wilson, que se assemelham bastante aos de David Gilmour.

 

Após o desfile de grandes clássicos do Pink Floyd, Waters apresentou três musicas do seu novo disco, o ótimo “Is This the Life We Really Want?”. As músicas “Déjà Vu”, “The Last Refuge” e “Picture That” deram uma acalmada no público, visto que poucos ali conheciam essas canções. Pós novidades, veio o momento mais emocionante do show. Os primeiros acordes tocados por Waters no violão anunciavam a vez da balada “Wish You Were Here”, cantada a plenos pulmões pela plateia. Para encerrar a primeira parte da apresentação, Waters e sua banda tocaram aquele que talvez seja o maior sucesso do Pink Floyd, o hit “Another Brick In The Wall”, partes 2 e 3. Nessa hora tivemos o momento mais icônico do show. Crianças entraram no palco com macacões laranjas e encapuzadas, fazendo uma linha de frente para público. Os pequenos prisioneiros então se revelam, mostrando camisetas escritas RESIST (Resistir) e o público sendo trazido para cantar o refrão junto com elas. Neste momento ressoaram gritos de “EleNão” por todo o estádio, intercalando com algumas vaias.

 

Durante o intervalo, foram exibidas várias mensagens de cunho político no telão. Novamente, foram ouvidos gritos contra e a favor do candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL).

 

Nome de Jair Bolsonaro coberto durante mensagem no telão. Foto: Guilherme Dias

 

A segunda parte do show iniciou-se com sirenes tocando. De trás do palco se ergueram colunas, representando chaminés industriais e um porco inflável, recriando a capa do disco “Animals”. Representando o disco no setlist, primeiro veio “Dogs”, que conta com um dos mais lindos solos de guitarra da história do rock. No decorrer da execução da música, Waters levanta uma placa com os dizeres “Os porcos comandam o mundo” e depois completa com “Fodam-se os porcos”. “Pigs” começa então, com várias imagens caricatas do presidente americano Donald Trump, a quem Waters chama de “porco”. Nesse momento, um balão gigante em forma de suíno passeia pelo estádio. Em seguida, veio uma sequência de musicas do “Dark Side of The Moon”. Ao som das caixas registradoras, “Money” se iniciou e foi emendada com “Us and Them”, musica que dá nome a essa turnê e conta com um belíssimo solo de saxofone.

 

Pirâmide feita de luz. Foto: Guilherme Dias

 

Novamente Waters apresenta uma música de seu último disco, a bela “Smell The Roses”, musica que claramente faz criticas a torturas, encenadas por Roger dependurado em uma corrente. Para encerrar, foram escolhidas as músicas “Brain Damage” e “Eclipse”, que tiveram como maior atrativo, um espetacular jogo de espelhos, formando uma pirâmide 3D em cima daqueles que estavam na pista premium. Para o bis, Roger Waters e sua banda escolheram duas músicas. A primeira foi “Two Suns in the Sunset”, uma raridade no setlist de Waters. E para fechar de vez o show, a deslumbrante “Comfortably Numb”. Ao longo do solo final, Roger desceu do palco e foi até a grade que o separava do público. Lá ele agradeceu e saudou os seus fãs, que guardarão para sempre na memória este incrível espetáculo.

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Guilherme Dias
Guilherme Dias
Desde de sempre, gosto de contar histórias e vi no jornalismo a oportunidade perfeita para fazer isso. Não vivo sem filmes, livros e música, principalmente rock n’ roll.

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