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Poetiza BH: À espera de um milagre

Não inicia-se um poema 

Sem ao menos vê-lo
Ao longe chegar
Mesmo que distante
O poeta aguarda
A vida mesma
Seria essa espera
Entre aquele atimo
Do tempo
Como se dão os orgasmos
Provocados sempre
Pela chegada
Aquilo que inicia
Com a vista de longe
Antes de amar
Vemos ao longe
A vinda
Do que chega
Tampouco importa gênero
Quando vem
Na exata ausência de régua
De medida qualquer
Alcança-nos por cima
Por baixo
E lança nossos corpos ao lado
Brinca feito o vento
Soprando palavras inventadas
Naquela noite em que a estação rodou
Era dia
Porém
Como já estava ali
À espera
Sempre que vem
O amor
Ou a flor
Tempo de depois
Anoiteceu antes que pudesse ver
Que esperei desde o ventre
Seu sopro em mim

B.

 

Poema de Bernardo Nogueira

Foto: Wagner Correa

Instagram: Café de Imagens

Bernardo Nogueira
Bernardo Nogueira
Professor da Escola de Direito do Centro Universitário Newton Paiva, mestre em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, doutorando em Direito pela PUC/MG, autor dentre outros dos livros: "Cinema com Filosofia", "FOTOcontinuo", "Avôrio", "Direito e Literatura". Talvez poeta...

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