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Rolê Fotográfico: Mineirão

Olá! Tudo bem? Mais um mês chegou ao fim e venho com o nosso rolê fotográfico de sempre, aqui no site mais culturalizador de Belo Horizonte. Nosso rolê continua na Pampulha, já mostrei para você a história da Casa do Baile, os luxos do antigo casino e hoje Museu de Arte e a beleza da igrejinha de São Francisco de Assis. Dessa vez, vamos falar do gigante, o coração pulsante da Pampulha e de toda BH, quando se trata de futebol, o Mineirão!

 

 

Antes do gigante

 

É importante falar sobre o cenário esportivo em BH antes da fundação do Mineirão em 1965. Como já havia escrito sobre o Minas Tênis Clube num rolê passado, a cidade tinha um futuro promissor no esporte. Em 1950 com a Copa do Mundo no Brasil, Belo Horizonte teria a honra de sediar três jogos, e para isso, foi construído o estádio Independência e este se tornou o principal palco do futebol mineiro.

 

Mesmo com os principais clubes da capital terem seus próprios estádios – O América tinha o estádio da Alameda; o Atlético, o estádio Antônio Carlos e o Cruzeiro, o estádio do Barro Preto – os principais jogos, como os clássicos e finais de campeonato mineiro eram disputados no Independência que também tinha um dono: O Sete de Setembro Futebol Clube.

 

Nos anos 50, Atlético e Cruzeiro foram crescendo e ambos necessitavam de um estádio maior, que abrigasse suas torcidas que estavam em constante crescimento na cidade. Poucos anos depois da construção do Independência já havia o desejo de construir um estádio grandioso, que desse uma reviravolta no cenário futebolístico da cidade e do estado.

 

 

O Estádio Minas Gerais

 

Antes do final dos anos 50, deu-se início ao processo de construção do Estádio Minas Gerais. Alguns estudantes de engenharia da UFMG tinham uma ideia de criar um estádio universitário que seria erguido num enorme espaço no campus próximo à lagoa da Pampulha. Entre esses estudantes estavam Gil César Moreira de Abreu e ele seria um personagem importante para a construção do estádio. Depois de vários embates políticos e a busca por verbas, Jorge Carone, então deputado estadual, finalmente conseguiu tudo o que precisava com o governo para erguer o Mineirão e uma comissão foi eleita para a construção presidida por Jorge Carone e Gil César Moreira como engenheiro chefe.

 

Depois de criada, a AEMG – Administração do Estádio Minas Gerais – teria a missão de procurar o local onde o Mineirão iria ser eternizado. Vários lugares foram vistoriados: a BR-3 (hoje 040), o bairro Aarão Reis e até um lugar próximo onde está hoje o BH Shopping, mas todos foram logo descartados quando Gil César se lembrou da Pampulha. Gil conhecia bem o lugar, pois era o mesmo terreno onde tinha o sonho de construir o estádio universitário. Próximo à lagoa da Pampulha, num terreno de 300 mil metros quadrados pertencente a UFMG, Jorge Carone teve a visão do novo estádio erguido ali. O próximo passo era conseguir que a universidade cedesse o terreno, o que não foi difícil. Depois aconteceram vários embates políticos e a obra acabou se tornando trampolim pessoal de certos homens que não valem a pena dizer aqui.

 

 

A construção e a Inauguração

 

O estádio começou a ser construído em ritmo alucinante. Três mil operários se revezavam em três turnos todos os dias para que a obra fosse concluída o mais rápido possível. A imprensa dos estados vizinhos, principalmente de São Paulo tratava a construção com desdém, dizendo que o estádio seria um enorme elefante branco e que não teria público para um estádio tão grande. Gil César não mediu esforços nessa época para que o Mineirão se tornasse real. Sempre empenhado em conseguir verbas para sua obra – o país atravessava uma crise financeira – e os 100 milhões de cruzeiros evaporaram no início das obras só com os gastos iniciais. Além da sua equipe de engenheiros, Gil contava com seus dois arquitetos Eduardo Mendes Guimarães Jr. e Gaspar Garreto, todos eles fizeram avaliações no Maracanã e foram em Tóquio e alguns países europeus afim de analisar as estruturas de estádios modernos para usar no Mineirão. Depois de vários empecilhos políticos, crises financeiras, o Mineirão crescia de uma forma e velocidade incrível. Há histórias que do alto do Acaiaca dava para ver o clarão de luz vindo do canteiro onde as obras seguiam dia e noite.

 

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Finalmente o dia da inauguração chegava. Um bruxo morador de Contagem que se dizia um vidente, contava que o Mineirão desmoronaria nesse dia, sendo um ‘apocalipse localizado’ tornando-se uma grande tragédia. ÓBVIO que não aconteceu (kkkkk) e no dia 5 de setembro de 1965 se iniciou as festividades de inauguração do Mineirão. 80 mil (72 mil presentes) pessoas compareceram no gigante da Pampulha. Foram realizados desfiles, shows da esquadrilha da fumaça, Belini, capitão da seleção brasileira deu uma volta ao redor do campo com a pira olímpica, tudo isso sob olhares atentos das pessoas que admiravam cada detalhe e a grandeza do Mineirão. O jogo de estreia foi Seleção Mineira x River Plate-ARG com vitória de 1 a 0 ‘pra nós’. As festividades seguiram com shows e jogos até o dia 15 daquele mês.

 

Foto tirada no dia 5 de setembro de 1965, que marcou a inauguração do Mineirão. | Foto: autor desconhecido

 

 

 

Gigante cinquentão

 

O Mineirão se tornou querido por todos. O futebol mineiro ganhou uma casa e os belo-horizontinos se orgulhavam de ter na época o segundo maior estádio coberto do mundo, depois do Maracanã. O gigante da Pampulha se tornou cartão postal e sua estrutura de 88 pilares se estendendo do chão até a cobertura podia ser visto de vários pontos da cidade. Entre 1993 e 2003 passou diversas reformas. Mas foi em 2004, perto de completar 40 anos, o estádio ganhou sua primeira grande reforma e teve sua capacidade reduzida para 75 mil pessoas, e com a reforma para a copa de 2014 foi reduzido para pouco mais de 64 mil pessoas.

 

O Mineirão era branquinho kkkkk veja o espaço da UFMG que enorme. Foto dos anos 70. | Foto: autor desconhecido

 

Ao longo dos seus 52 anos de história foi a principal casa de vários apaixonados por futebol, sejam eles americanos, atleticanos ou cruzeirenses, foi palco de alegrias e decepções. Mesmo para quem não gosta do futebol, o Mineirão recebeu vários eventos como as corridas e pegas nos anos 70 e feira de carros nos anos 90. Foi também palco de vários shows históricos como o do Kiss em 1983, do Skank em 2010, do Paul McCartney duas vezes em 2013 e 2017, da Beyoncé e do Elton John também em 2013. Quem não se lembra dos Axé Brasil e dos Pop Rock da vida???? Quem nunca viu o clipe “É uma partida de futebol” do Skank?????

 

Com a última reforma em 2013, o gigante da Pampulha recebe mais eventos a cada ano. Hoje, o estádio conta com o Museu Brasileiro do Futebol detentor de um grande acervo. Tanto o museu quanto as dependências do estádio possui visitações guiadas. Mas talvez a maior atração do novo Mineirão é a esplanada que desde então recebe eventos e grandes shows sendo um enorme espaço multiuso. Além disso ela é aberta ao público seja para fazer uma caminhada, andar de skate, bicicleta, patins, curtir o pôr do sol e levar os dogs. O Mineirão de fato faz parte da vida de toda a população.

 

Espero que tenham gostado deste rolê. Segue abaixo algumas fotos que fiz do lado de fora, já que infelizmente não consegui fazer fotos do museu e da parte interna por questões burocráticas. Até a próxima! 😉

 

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Fonte: Mineirão 40 Anos – Paixão e Emoção. Revista ADEMG, Belo Horizonte, v. I, 2005.

Diego Martins
Diego Martins
28 anos, Atleticano, formado em Design Gráfico pelo UniBH e em fotografia pela Escola Metrópole. É apaixonado por futebol, história, arte, mesa de bar com uma boa conversa e tem a fotografia como sua mais nova paixão. Quando não está fotografando, adora ver filmes, seja em casa ou no cinema. Não trocaria Belo Horizonte por lugar nenhum do mundo.

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