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Rolê Fotográfico: Casa do Baile

Olá, povo lindo! Venho trazer para vocês o primeiro Rolê Fotográfico de 2018. Espero que esse ano seja sensacional e que aproveitem ao máximo não só as colunas que eu escrevo, mas todo o site mais culturalizador da cidade. Em janeiro, e nos próximos meses focaremos no mais recente patrimônio cultural da humanidade eleito em julho de 2016, a Pampulha e a primeira parada será na Casa do Baile.

 

Um bairro para ser o mais bonito da cidade00

 

A barragem e a lagoa da Pampulha foi construída na gestão do prefeito Otacílio Negrão de Lima a fim de controlar enchentes e para abastecer a cidade. A região, que é afastada da área central, não possuía muitas moradias e já havia o aeroporto que funcionava desde 1933. Nos anos 40, Juscelino Kubitschek, então prefeito de Belo Horizonte, com suas ideias modernistas, decidiu criar e ampliar um bairro no entorno da lagoa, com o objetivo de ser o bairro mais bonito da cidade. Para isso, foram chamados (a galerinha da arte que adoro mencionar aqui): Oscar Niemeyer para criar edificações que seriam construídas na orla da lagoa; Roberto Burle Marx para o paisagismo e Cândido Portinari para as pinturas dos painéis. Em 1942 começaram as obras do conjunto arquitetônico.

 

Foto de 1941. Dá pra acreditar que isso é a Pampulha? Detalhe para o cassino, a única edificação visível kkkkkkk | Fonte: http://curraldelrei.blogspot.com.br

 

A Casa do Baile

 

Inaugurada em 1943, ela foi projetada para ser um restaurante dançante e para a classe mais popular, ao contrário do antigo Cassino (Museu de Arte) que era frequentado pela elite belo-horizontina. Niemeyer usou e abusou das curvas, sua maior característica em um projeto que ele fez em uma noite. O desenho da casa e suas curvas acompanhava o contorno da ilha. A ponte que é ligada à orla usa referências japonesas e Burle Marx foi o responsável pelo seu lindo jardim. Os azulejos portugueses trazem a marca da Pampulha, e como eu amo esses azulejos! Podemos encontrá-los na Casa do Baile, no Iate Tênis Clube e no Museu de Arte.

 

Casa do Baile em 1940 praticamente finalizada | Fonte: http://curraldelrei.blogspot.com.br

 

A Casa do Baile caiu rapidamente no gosto popular da cidade. Toda semana tinha lotação máxima, música e dança até de madrugada. Os bondes eram os principais transportes até a lagoa, usando a Antônio Carlos como caminho até lá. Fazia sucesso tanto para a classe mais baixa quanto para as mais altas, inclusive há histórias de que quando as festas no cassino terminavam, as pessoas pegavam um barco para atravessar a lagoa para assim aproveitarem o resto da noite na Casa do Baile pois a animação era muito maior.

 

Incertezas, decadência e recomeço

 

O “baile”, como era conhecido, funcionou de forma intensa até 1946 quando começou a perder forças sendo afetado pela proibição os jogos de azar no país que acabou no encerramento das atividades do cassino, mas o baile ainda se arrastou por mais dois anos. Os anos 50 e 60 foi um período muito turbulento para o local, pois sua finalidade que era para ser um restaurante dançante, começou a ser usado para outros meios sendo passado de mão em mão juntamente com o descaso da prefeitura na época. Em meados dos anos 70, a Casa do Baile ficou abandonada e começou a ser ocupada por moradores de rua, sua estrutura ficou danificada, vidros quebrados, rachaduras, sistemas elétricos e hidráulicos ficaram comprometidos e a reforma veio em 1983 devido ao seu tombamento pelo IEPHA.

 

Depois da sua reforma até o centenário de BH em 1997, cogitou-se numa possível volta do restaurante dançante, se tornou anexo do Museu de Arte que, inclusive foi criticado pelo próprio Niemeyer que defendia a volta da casa para divertimento popular. Anos depois voltou a ser só um restaurante e chegando ser até uma pizzaria. A decisão definitiva aconteceu em 1998 com a Casa do Baile tendo função própria para promover a cultura na cidade. Dessa vez, Oscar Niemeyer acompanhou as reformas em 1999 para a adaptação do local, reduzindo o salão original e implantando um auditório de 53 lugares.

 

Lindo e reformado. Segue o Baile! Kkkkkkkkkkk | Foto: Diego Martins

 

Em 2002, a Casa do Baile foi reaberta ao público e desde então é usada para atividades voltadas à cultura da cidade. Hoje, ela é centro de referência em urbanismo e arquitetura e design. Através da Fundação Municipal de Cultura, é organizado eventos como: seminários, apresentações artísticas, shows, exposições de arte e de fotografia, além de exibições de curtas metragem. A entrada é gratuita, grupos escolares e deficientes visuais podem agendar visitas guiadas. Atualmente, o Baile possui um charmoso café com cardápio variado para que as pessoas possam se sentar do lado de fora, comer, conversar e desfrutar da vista da lagoa e ainda sentir o ambiente nostálgico que paira por ali.

 

Agora a nossa clássica sessão de fotos e eu espero que tenham gostado de mais um rolê. A Casa do Baile funciona de terça a domingo, de 9h às 18h. Mês que vem, eu volto com mais um ponto turístico da Pampulha. 😉

 

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Fontes:

http://portalpbh.pbh.gov.br/pbh/ecp/comunidade.do?evento=portlet&pIdPlc=ecpTaxonomiaMenuPortal&app=fundacaocultura&tax=45116&lang=pt_BR&pg=5520&taxp=0&

http://www.belohorizonte.mg.gov.br/atrativos/roteiros/marcos-da-modernidade/casa-do-baile

http://www.museuvirtualbrasil.com.br/museu_pampulha/modules/news3/article.php?storyid=16

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Diego Martins
Diego Martins
26 anos, Atleticano, formado em Design Gráfico pelo UniBH e em fotografia pela Escola Metrópole. É apaixonado por futebol, história, arte, mesa de bar com uma boa conversa e tem a fotografia como sua mais nova paixão. Quando não está fotografando, adora ver filmes, seja em casa ou no cinema. Não trocaria Belo Horizonte por lugar nenhum do mundo.

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