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“Aparecida”- Rodrigo Alvarez

O feriado de 12 de outubro é aguardado por muitos pela possibilidade de descanso, para outros é um momento de oração e devoção à padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida. A dica da semana é de um dos inúmeros livros dedicados a ela, mas antes que você abandone a leitura desta resenha, já aviso o livro “Aparecida” não é nada do que você está pensando.

Quando minha mãe, uma católica fervorosa veio toda feliz com este livro nas mãos, repetindo “você tem que ler”, já imaginei (preconceito meu) que fosse algum livro de autoajuda ou de mensagens religiosas, nada contra, mas não é minha literatura preferida, embora na cabeceira da minha cama, em um lugar cativo, esteja o “Benção Diária”. Enfim, peguei o livro para dar uma olhada e não deixar minha mãe na espera. Afinal, quem gosta de ler não pode julgar o livro só pela capa certo? A primeira surpresa, o livro foi escrito por um jornalista que gosto muito, o correspondente da TV Globo Rodrigo Alvarez, responsável por reportagens fantásticas no Oriente Médio e no Haiti. Ele já tem 4 livros publicados: “No país de Obama” (2009), “Haiti, depois do inferno” (2010) “Aparecida” (2014),  “Maria” (2015) e “Milagres” (2017).

Através de relatos e pesquisas realizadas no Brasil e no exterior, Rodrigo apresenta o contexto histórico e a relação da “imagem” encontrada por pescadores no Rio Paranaíba, com os diferentes e marcantes acontecimentos do Brasil, como a ditadura e a Proclamação da República, além da persistência de pessoas que fizeram com que a imagem de Nossa Senhora da Conceição se tornasse um dos principais símbolos da cultura brasileira. Gostei muito da cronologia dos fatos, da simplicidade como foram apresentados, da clareza na escrita e coesão com que são relacionados. A leitura é fácil e bem rápida. O livro é pequeno em tamanho e número de páginas e conta com fotos de alguns dos principais personagens e locais descritos na história. É uma boa opção para quem curte história do Brasil. O livro realmente é muito bom e engana-se quem assim como eu pensou se tratar apenas sobre religião ou ressaltar a santa e os seus milagres.

Gostei muito dos capítulos que falam sobre os lucros trazidos pela imagem e da corrupção em torno dela. Esse mal já estava impregnado na vida do brasileiro desde os primórdios de sua existência. Que fique claro que corrupção NÃO é algo específico do Brasil, mas é muito fácil relacionar o que aconteceu naquela época às operações da Polícia Federal dos tempos atuais. Como isso envergonha os brasileiros e salta aos olhos dos estrangeiros hoje e em 1822. No livro Destaco a frase do pesquisador francês Saint-Hilaire, acerca dos negócios brasileiros em 1822. “O espírito de inveja e intriga, mais veemente do que em qualquer outro lugar, interpõe-se a tudo quanto se faz, tudo perturba, favorece o tratante, e desencoraja o homem honesto” (pág.128).

*Só não dei cinco estrelas porque não gostei da capa, além de apagada e nada atrativa, remete ao catolicismo e isso pode fazer com que muitos leitores desistam por questões religiosas e percam a oportunidade de ter essa belíssima e prazerosa aula de história que não aprendemos na escola.

Esta coluna é publicada aqui, todas as segundas!

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Elis Rouse
Elis Rouse
Sou Elis, não sou Regina; sou do interior e amo a capital; sou jornalista, mas não trabalho em jornal; amo ler, sonho escrever; dicas vou dar, dicas quero receber; experiências vamos trocar; literatura brasileira vamos amar!

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