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Poetiza BH: pour Alice

Sabe
Porque você veio água
Correndo de dentro de mim
Fez mundo
Inundou meu olhos
E inunda
Toda vez que te vi
E mesmo
Nesse crepúsculo
Que não é sol
Tampouco noite
Me embaça as mãos
E umedece as vistas
Ziguezagueando choro
Zaguezigueando te procuro
E voltas
Translações minhas
Envolto
Volto e nunca mais irei embora
Posto que dentro
Posto que é “preciso chuva para florir”
E todas as vezes quando por o sol
Estarei no cais
Desaguando por dentro
As estações em que você me fez poeta
Pois és assim
Sem princípios
Nem fins
Meu crepúsculo
E de mais ninguém
Só de tocas
Coelhos
Gatos preguiçosos
E sonhos
Pelos quais corre meu rio adocicado.

Poema de Bernardo Nogueira

Foto: Wagner Correa

Instagram: Café de Imagens

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Bernardo Nogueira
Bernardo Nogueira
Professor da Escola de Direito do Centro Universitário Newton Paiva, mestre em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, doutorando em Direito pela PUC/MG, autor dentre outros dos livros: "Cinema com Filosofia", "FOTOcontinuo", "Avôrio", "Direito e Literatura". Talvez poeta...

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