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A Bolsa Amarela – Lygia Bojunga

Publicado em 1981, “A Bolsa Amarela” é daqueles livros que marcaram a infância e a vida escolar de muita gente. A obra é da premiadíssima escritora brasileira Lygia Bojunga, vencedora do Prêmio Hans Christian Andersen em 1982, o mais importante prêmio literário infantil, o “Nobel” da literatura infantil, além dos prêmios Jabuti em 1973 e 1993. Com mais de 23 livros publicados, Lygia tem sua própria editora “Casa Lygia Bojunga” e também a Fundação Cultural Lygia Bojunga que tem o objetivo de desenvolver ações para popularizar o livro.

 

“A Bolsa Amarela” conta a história de Raquel, uma menininha fofa e bem esperta, caçula de quatro irmãos que sofre com a falta de atenção da família. Ela reclama dos irmãos que não tem paciência com ela e dos pais que a tratam como uma criancinha. Por isso um dos desejos de Raquel era ser grande logo para ter o mesmo tratamento dos irmãos. Além disso queria ser um garoto porque eles podem fazer um “monte de coisa” que as meninas não podem. E uma última vontade que vem “engordando” em Raquel é a de ser escritora. Acontece que todas essas vontades são reprimidas e às vezes até ridicularizadas pela família. Dois episódios chamaram minha atenção: Quando a irmã descobre um dos seus romances e todos riem e quando todos vão almoçar na casa da tia Brunilda e a família escolhe Raquel como alvo para o entretenimento. Para proteger as suas vontades e outras preciosidades, Raquel usa a bolsa amarela, e é aí que a mágica da história se desenvolve. Na “Bolsa amarela” vivem personagens incríveis e irônicos como o galo Afonso e o zíper que enguiça quando alguém quer abrir danada da bolsa. 

 

Gostei da forma como a escritora usa a fantasia para abordar temas importantes como a convivência familiar, respeito, feminismo, desigualdade social e liberdade. Lygia cria uma protagonista que apesar de criança, já apresenta uma personalidade forte, decidida e disposta a realizar suas vontades. Dando asas a uma imaginação mais do que criativa da Raquel, somos levados para dentro da história. Em muitos momentos eu ri da ousadia dela e me sensibilizei com os desdobramentos da trama.  É uma história sensível e repleta de reflexões. O livro é pequeno, a leitura flui super bem e o tom lúdico é perfeito para os leitores de qualquer idade.  

 

 

Esta coluna é publicada aqui, todas as segundas!

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Elis Rouse
Elis Rouse
Sou Elis, não sou Regina; sou do interior e amo a capital; sou jornalista, mas não trabalho em jornal; amo ler, sonho escrever; dicas vou dar, dicas quero receber; experiências vamos trocar; literatura brasileira vamos amar!

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