Bares Colunas Destaque Rolê Fotográfico Turismo

Rolê Fotográfico: Edifício Maletta

E aí povo lindo! Estou aqui, mais uma vez, trazendo mais um Rolê Fotográfico para vocês, no nosso site querido Culturaliza BH. Como de costume, nossa coluna traz sempre um lugar bacana de Belo Horizonte, mostrando sua importância turística e cultural, além das fotografias que eu faço para ilustrar tudo isso. Então, vamos lá!

 

Rua da Bahia, 1148, esquina com Avenida Augusto de Lima. 31 andares residenciais, 19 deles de área comercial, 319 apartamentos, 642 salas, 72 lojas, 74 sobrelojas, 1.300 moradores. Esse é o Edifício Arcângelo Maletta construído em berço esplêndido, no quarteirão exato do “miolo” da Av. do Contorno. O Maletta está presente na vida e cotidiano de vários belo-horizontinos. Essa presença pode ser cultural, comercial ou histórica.  Lembro-me que a primeira vez que entrei no prédio foi para ir em um dos sebos na intenção de achar um vinil muito raro do AC/DC que eu andei por toda cidade procurando. Depois de um tempo passei a frequentar os bares de lá, e ainda vou sempre que posso.

 

Um grande hotel para BH

 

Antes de falar do Edifício Maletta é preciso falar do prédio que existia antes de sua construção. Em agosto de 1897, quatro meses antes da inauguração oficial da capital, foi concluída a construção do Grande Hotel, um dos primeiros de grande porte da cidade. Foi em 1918, quando Belo Horizonte começava alcançar o status de cidade charmosa e já chamava a atenção do país, que um imigrante italiano chamado Arcângelo Maletta comprou o hotel e mudou toda atmosfera do local. Seu novo dono inaugurou o “Bar do Grande Hotel” que rapidamente se tornou um ponto de encontro da boemia frequentado por estudantes e intelectuais da época. E ali ficou tão tradicional e famoso, que uma galerinha finíssima da arte como Tarsila do Amaral, Mário e Oswald de Andrade que faziam uma caravana vinda de São Paulo tempo depois da Semana de Arte Moderna de 1922 se hospedaram e acabaram por frequentar também o bar.

 

O Grande Hotel com seu estilo eclético e neoclássico. Foto dos anos 40 | Fonte: http://bhnostalgia.blogspot.com.br/

 

O Grande Hotel já estava estabelecido como um dos mais importantes pontos no cenário boêmio da cidade, e foi assim durante anos. Arcângelo o gerenciou até o seu falecimento em 1953 sendo passado depois para seus filhos, mas estes decidiram vender o prédio em 1957 que acabou sendo demolido.

 

Nasce um novo ponto tradicional

 

A data de 10 de outubro de 1959, registrado na escritura da convenção do condomínio, marca a inauguração do novo edifício que recebeu o nome do antigo dono do Grande Hotel. Sua construção foi ambiciosa, com o slogan “uma cidade dentro de outra cidade”, o Malleta foi erguido para abrigar vários apartamentos e lojas, além de ser o mais moderno e o mais sofisticado. Belo Horizonte passava por grandes transformações, e consequentemente passou por problemas habitacionais, isso acabou resultando nas construções dos conjuntos JK e o IAPI. Mas o novo prédio da capital estava fadado a receber a herança mais importante do antigo hotel: o de ser um reduto boêmio, dessa vez não só para pintores e escritores, mas agora para músicos, jornalistas, atores e estudantes.

 

Rua da Bahia, 1148. O endereço do rolê. | Foto: Diego Martins

 

No início dos anos 60, o Maletta era de fato o mais moderno da cidade e os bares começaram a dar mais vida ao local. Em 1961, foi instalada a primeira escada rolante de Belo Horizonte (errou se pensava que era na Galeria Ouvidor). Em 1962 nasceu a Cantina do Lucas, o mais antigo bar ainda em atividade. Dentre seus frequentadores – aquela galera mais bacana que você respeita – estavam: Murilo Rubião, Milton Nascimento, Nivaldo Ornelas e Wagner Tiso. Com o início da ditadura, a Cantina do Lucas e outros bares era um reduto de libertários pensadores e intelectuais políticos que eram contra o regime.

 

Os anos se passaram, mas o conjunto residencial famoso e mais boêmio da cidade nunca perdeu sua identidade. Além da Cantina do Lucas, com o tempo, mais bares e restaurantes apareceram, como o Xok Xok e a Lanchonete Chinesa, presente desde os anos 60, o Lua Nova (hoje: Ponto dos amigos) deixando o espaço mais atrativo para agregar pessoas de várias classes e intelectos. Em 2009, o Maletta completou 50 anos e desde então passou por algumas revitalizações. As sobrelojas no pilotis do prédio foram reabertas. Alguns sebos que já existiam acabaram subindo, outros foram aparecendo depois.

 

De dia

 

O maior diferencial e o que mais chama atenção é o quanto o lugar é diversificado. Para quem gosta de literatura, o chiado do vinil, ou um bom almoço, durante o dia é possível encontrar de tudo um pouco como: lojas de fantasias, cabeleireiro, lan house, os restaurantes tradicionais no hall principal e os restaurantes novos mas não menos charmosos nas sobrelojas, os sebos onde vendem livros, lembranças e discos de vinil, loja de spray para arte do grafite, estúdio de tatuagem e uma gráfica. 

 

Este slideshow necessita de JavaScript.

 

 

De noite

 

Quando anoitece, tudo se transforma, as pessoas vão chegando e se acomodando no varandão, assim vamos confirmando o fato de Belo Horizonte ser a capital nacional dos bares. A noite é celebrada por várias tribos. Desde estudantes, executivos saindo do trabalho e os mais velhos, que já são frequentadores de outrora. A cerveja é gelada, a comida é boa e agrada qualquer um que tenha preferência por uma alimentação específica. A atmosfera é ótima, e em cada mesa e cada bar podemos ver estilos, conversas, conexões diferentes. Para mim, o Maletta se define em três palavras: cultura, diversidade e respeito.

 

Este slideshow necessita de JavaScript.

 

PS: quando visitei as lojas, sebos e os bares, fui muito bem recebido. Me orgulha muito ver que nós mineiros não perdemos a nossa maior identidade que é sua receptividade. Fui muito bem atendido e todos foram simpáticos, alguns inclusive deram até uma “arrumadinha” na porta da loja só para eu fazer a foto.

 

Espero que tenham gostado do texto e das fotos. Deixe um comentário bacana aí pra gente. Nos vemos no próximo rolê. 😉

 

Fontes:

http://www.belohorizonte.mg.gov.br/bh-primeira-vista/arquitetura/edificio-maletta

http://bairrosdebelohorizonte.webnode.com.br/news/historia-dos-principais-edificios-de-bh-/

De Grande Hotel a Arcângelo Maletta

http://palavrasobrecoisas.blogspot.com.br/2012/11/uma-cidade-dentro-de-belo-horizonte.html

Deixe o seu comentário

Diego Martins
Diego Martins
26 anos, Atleticano, formado em Design Gráfico pelo UniBH e em fotografia pela Escola Metrópole. É apaixonado por futebol, história, arte, mesa de bar com uma boa conversa e tem a fotografia como sua mais nova paixão. Quando não está fotografando, adora ver filmes, seja em casa ou no cinema. Não trocaria Belo Horizonte por lugar nenhum do mundo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *