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O Arrabal e a Noiva do Capitão – Marisa Ferrari

No meu garimpo literário, hoje apresento mais uma joia rara, a escritora carioca Marisa Ferrari. Além de escritora, Marisa também é jornalista e escreve desde os 9 anos. “O Arrabal e a Noiva do Capitão” é o seu primeiro livro, que inclusive já teve os direitos negociados para TV Globo (que sabe farejar um sucesso) e deve virar uma minissérie. Na leitura do livro, percebi que ela é mais que a contadora da história, ela cúmplice e amigo do leito. Achei muito legal no  final do livro ela explicar cada ponto das reviravoltas da história e do final chocante. Marisa precisamos de mais livros, por favor, tire todos do baú.

“O Arrabal e a Noiva do Capitão” é um romance histórico, que narra as desavenças entre os gêmeos Giuseppe e Giordano, desde o nascimento ao ápice da treta, quando já adultos vão disputar o amor da bela Luigia. Um fato importante ocorrido na infância sela a rivalidade e a separação definitiva dos dois. Durante uma briga iniciada por Giordano, eles disputam uma marionete que pertence a Giuseppe, na confusão, a mãe nervosa toma o brinquedo dos dois e sem querer o atira  de um penhasco. Depois de crescidos cada um seguiu seu rumo na vida. Giuseppe é o gêmeo sensível, um artista visionário, o Arrabal que fundou sua própria companhia de teatro para viver livre pelo mundo mostrando a sua arte. Giordano é o oposto, homem de responsabilidade é o capitão-chefe da guarda do rei e grande orgulho do pai. Separados por um destino quase mágico, os dois se reencontram para lutar pelo amor da bela Luigia. A jovem claro, fica dividida entre o amor romântico, absoluto e sonhador de Arrabal ante a confiança, arrebatamento e a paixão de Giordano. Não é sobre ser bom ou ruim como pensei quando li a sinopse, é sobre decisões e ideais diferentes.

 

 

 

Sob o pano de fundo da bela cidade de Nápoles e a guerra de sucessão Austríaca, Marisa constrói um romance com muitos personagens e histórias que vão além dos gêmeos e do triângulo amoroso. Gostei que em muitos capítulos eles nem são citados. As cenas envolvendo a trupe do Arrabal são lúdicas e o amor e a dedicação deles pelo teatro é contagiante. Marisa descreve com uma riqueza de detalhes a cultura, a história e as tradições italianas, como a crença em San Gennaro e o milagre da liquefação. É uma narrativa mais lenta, bem construída em um contexto histórico amarrado. É uma leitura indicada para leitores já formados com disponibilidade para se concentrar em uma trama detalhista, cheia de expressões em italiano que nem sempre foram traduzidas e em alguns momentos achei bem cansativa. Quero destacar a quantidade absurda de erros de digitação, repetição de palavras e até números que aparecem do nada no meio da frase e tiram o foco da história (não é exagero). Fora isso é uma história magnifica, com um final surpreendente em uma leitura leve e envolvente.

 

Esta coluna é publicada aqui, todas as segundas!

Envie seu e-mail para a colunista: elisrouse@culturalizabh.com.br

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Elis Rouse
Elis Rouse
Sou Elis, não sou Regina; sou do interior e amo a capital; sou jornalista, mas não trabalho em jornal; amo ler, sonho escrever; dicas vou dar, dicas quero receber; experiências vamos trocar; literatura brasileira vamos amar!

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