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Rolê Fotográfico: Parque Municipal

Olá, pessoal!

 

É com muita satisfação que venho trazer para vocês mais uma coluna Rolê Fotográfico, no nosso lindo site Culturaliza BH. Como vocês queridos leitores já sabem, aqui eu conto a história, trago fotos e curiosidades sobre as atrações turísticas da nossa maravilhosa capital.

 

Talvez vocês podem achar o lugar um tanto clichê, devido ao fato de muitas pessoas passarem em frente, ou cortar caminho, etc. Porém, o lugar é histórico, fez e ainda faz parte da vida de muitos belo-horizontinos e, por isso, o nosso rolê deste mês é no Parque Municipal Américo Renné Giannetti. 

 

O local da construção para a nova capital de Minas foi escolhida com muito cuidado para que pudesse ser realizado um projeto bem elaborado, que contaria com quarteirões bem distribuídos, ruas que se cruzassem e largas avenidas. Tudo isso foi feito seguindo referências de cidades como Washington D.C e Paris. Com isso, foi determinado que a área urbana teria uma enorme e quadrada área verde para ser um espaço de lazer para os primeiros moradores de Belo Horizonte. O terreno original de 600 mil metros quadrados ficaria em um dos quatro quadrantes da área urbana cercada pela Av. 17 de Dezembro (hoje, Av. do Contorno) e esta seria delimitada pelas avenidas Afonso Pena, Tocantins (Av. Assis Chateubriand), Araguaya (Av. Francisco Sales) e Mantiqueira (Av. Alfredo Balena). Toda essa área verde era conhecida como Chácara do Sapo e serviu de moradia para o engenheiro chefe da comissão construtora Aarão Reis e para o paisagista francês Paul Villon.

 

Área original do parque na planta geral da construção de BH | Fonte desconhecida

 

Originalmente, o parque teria algumas construções, porém algumas delas não foram feitas. Entre elas: um casino, um restaurante e um observatório. Paul Villon ficou encarregado de traçar os caminhos e alamedas, os locais onde construir os lagos, plantar os jardins e as árvores de grande porte. A sua inauguração ocorreu na data de 26 de setembro de 1897, dois meses antes da inauguração da capital. Desde o nascimento de BH, Parque Municipal e Praça da Liberdade são ótimas opções de lazer e realização de eventos. Principalmente aos domingos, quando ocorriam as corridas de bicicleta, competições de natação e caminhadas, encontro de casais, reuniões de amigos e piqueniques. Em 1908, 22 garotos entre 14 e 17 anos, todos estudantes do colégio Izabela Hendrix, que na época ficava na rua Espírito Santo entre Carijós e Afonso Pena, mataram aula e foram até o parque para fundar o Clube Atlético Mineiro.

 

Lago do quiosque, provavelmente década de 20 | Fonte: http://mapio.net

 

Logo em 1905, já começava as adaptações no terreno para abrigar a faculdade de medicina da UFMG, na década de 30 a construção do teatro municipal que hoje abriga o Palácio das Artes, o asfaltamento da Alameda Ezequiel Dias, e as construções da área hospitalar. Por outro lado, o parque ganhou o famoso coreto, as grades que cercam até hoje o seu terreno, pista de patinação, quadra de tênis e a estação dos bondes onde hoje é o Mercado das Flores. À partir dos anos 40, BH tomava ares de grandeza, mas sem perder seu charme dos anos 20, e o parque começava a ser frequentado por vários intelectuais, poetas, escritores como: Fernando Sabino, Carlos Drummond de Andrade, Otto Lara Resende. Que galera bacana!

 

Na década de 50, na gestão do prefeito Américo Renné Giannetti foi realizada a primeira grande reforma com plantio de novas árvores e recuperação do jardim. Em 1949 foi inaugurado o Teatro Francisco Nunes e em 1954 o IMACO que tinha como objetivo oferecer cursos de administração e ciências contábeis anos depois virou escola (inclusive foi onde aconteceu minha formatura do jardim, rs). Esse ano também marcou a morte de Américo e assim o parque passou a ter seu nome. Em 1975 todo o terreno foi tombado pelo IEPHA, proibindo qualquer nova construção e assim preservar o pouco que já existia, pois metade da área havia sido perdida. De 1992 – ano da segunda grande reforma – em diante, o parque teve alterações positivas, com inauguração de pequenas cascatas, instalação de banheiros, fontes reformadas, revitalização dos canteiros, novo calçamento e o espaço onde ficava o IMACO será reformado para construção de um espaço multiuso para atrações culturais.

 

Lagoa dos barcos no início dos anos 40. Ao fundo os edifícios Sulacap, Sul América e o Acaiaca sendo construído. | Fonte desconhecida

 

Eu já fui muitas vezes no Parque Municipal. Quem nunca foi fotografado e já andou montado em um burrinho ou nos brinquedos que fazem a alegria de todos que passam por lá, ou então deu uma voltinha de barco ou no trenzinho? Uma parte da minha infância aconteceu lá, e acredito que muita criança, não só da capital, mas também da região metropolitana já foi pelo menos uma vez. Até os adultos que, além de levar seus filhos, frequentaram o teatro Francisco Nunes ou os concertos de música clássica que aconteciam nas manhãs de domingo.

 

As árvores antigas cresceram, outras foram plantadas anos depois. O Parque Municipal está mais verde do que nunca | Foto Diego Martins

 

Em setembro, o parque vai celebrar longos 120 anos. São 182 mil metros, 280 tipos de árvores brasileiras e internacionais, 330 espécies de plantas, 100 espécies de aves, 60 espécies de borboletas, fora os miquinhos, os gatos, os peixes dos lagos e variadas espécies de aranhas. (Quase fui picado por uma quando passei por uma das teias sem querer pra poder fotografar de um ângulo diferente, e sem falar no faisão que fotografei e voou por cima de mim. Vida de fotógrafo, kkkkkkkkk.)

 

Seja para fugir da correria e o tumulto do centro, descansar, sentir um pouco a natureza e a simplicidade das coisas. Seja para levar as crianças para brincar, jogar bola, passear com os cachorros ou fazer aquela caminhada. Pode ser um evento, ou só um passeio no final de semana, é sempre gostoso ir no Parque Municipal.

 

Segue abaixo aquela sessão de fotografias básicas de sempre. Espero que tenham gostado de mais uma história de uma ótima opção turística e cultural de Belo Horizonte. Se quiser, pode deixar um comentário, positivo ou não. É importante saber se estamos fazendo um bom trabalho. Mês que vem eu volto com um lugar bem tradicional da nossa cidade. 😉

 

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Fontes:

http://www.em.com.br/app/noticia/guri/2015/10/03/interna_guri,693696/estatuas-e-esculturas-espalhadas-contam-a-historia-de-bh-e-de-minas-ge.shtml

http://portalpbh.pbh.gov.br/pbh/ecp/comunidade.do?evento=portlet&pIdPlc=ecpTaxonomiaMenuPortal&app=fundacaoparque&tax=15400&lang=pt_BR&pg=5521&taxp=0&

http://estadodeminas.lugarcerto.com.br/app/noticia/noticias/2016/02/19/interna_noticias,49259/bh-que-nao-saiu-do-papel-e-cheia-de-curiosidades.shtml

 

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Diego Martins
Diego Martins
26 anos, Atleticano, formado em Design Gráfico pelo UniBH e em fotografia pela Escola Metrópole. É apaixonado por futebol, história, arte, mesa de bar com uma boa conversa e tem a fotografia como sua mais nova paixão. Quando não está fotografando, adora ver filmes, seja em casa ou no cinema. Não trocaria Belo Horizonte por lugar nenhum do mundo.

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