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Rolê Fotográfico: Cine Theatro Brasil Vallourec

Olá, pessoal!

 

Estou aqui, novamente, para trazer a vocês a terceira coluna Rolê Fotográfico, no Culturaliza BH. Nosso objetivo é levar para vocês, queridos leitores, a história, fotos e curiosidades sobre as várias atrações turísticas que Belo Horizonte oferece a todos que vivem aqui e para os que chegam na nossa cidade só para fazer uma visita.

 

Nesta coluna, vamos falar e mostrar um dos lugares mais clássicos da capital. Um lugar que se respira história e cultura e que no dia 14 de junho completou 85 anos, o Cine Theatro Brasil Vallourec!

 

 

O Cinema

 

Na minha apresentação no link “Quem faz” aqui no site do Culturaliza BH digo que uma das coisas que mais gosto de fazer é assistir filmes, seja em casa ou no cinema, e eu, amante da sétima arte, gosto muito de ir ao cinema nas noites de terça-feira, e é onde viajo e me encontro comigo mesmo para apreciar um bom filme.

 

Belo Horizonte, uma cidade adolescente começou a ganhar cinemas já em 1909 com o Cine Comércio na antiga Rua do Comércio, hoje, Av. Santos Dumont. O Cine Floresta, por exemplo, foi inaugurado em 1914 e com o passar dos anos o cinema foi se tornando um evento social no centro de BH.

 

Na década de 1920, o cinema estava em constante crescimento. Os filmes de Charles Chaplin estavam famosos em várias partes do mundo. O primeiro filme falado surgiu em 1927. Em 1929 aconteceu a primeira cerimônia do Oscar. Mais tarde, em 1935, começaram a ser produzidos longas em cores, filmados com rolos Kodak Kodachrome.

 

Com o crescimento do cinema na capital, foi preciso criar um cinema luxuoso, para receber grandes públicos e que fosse à altura das grandes produções. Em 1927 deu início a uma grande construção, em um ponto de referência da cidade, na Praça Sete de Setembro, onde o povo se encontrava.

 

 

O Cine Theatro Brasil

 

O grande cinema foi inaugurado no 14 de junho de 1932, uma data histórica com a exibição do filme “Deliciosa” de 1931 e com direito a casa cheia, 5 mil pessoas já nas duas primeiras sessões da vida do grande cinema que tinha 1827 lugares. O prédio se tornou o mais alto da cidade. Muitas pessoas pagavam para subir até o seu terraço para contemplar o Belo Horizonte. Pois imaginem só: o Cine Theatro Brasil como prédio mais alto, podia ser visto uma imensa parte da cidade. Provavelmente poderia ser possível ver a Praça da Liberdade lá no alto, a Praça Raul Soares descendo a Amazonas. Paisagens que não são possíveis de se ver hoje.

 

Praça Sete com o recém inaugurado Cine Theatro Brasil. Reparem a vista da Serra do Curral ao fundo à direita | Fonte desconhecida

 

Sua arquitetura era no estilo Art Déco, um dos estilos artísticos que eu mais gosto, por ter uma mistura minimalista, porém moderna, usando referências da Bauhaus. O Cine Theatro Brasil foi a primeira edificação em BH nesse estilo. Outros prédios da cidade seriam construídos nesse estilo: a prefeitura, o Minas Tênis Clube, o Cine Pathé e o Edifício Acaiaca. No Brasil existem outros exemplos, como o Elevador Lacerda em Salvador, o Cristo Redentor no Rio de Janeiro.

 

O estilo Art Déco. Minimalista e moderno. Belo Horizonte, 1950 | Acervo Cine Theatro Brasil Vallourec

 

A localização contribuiu fortemente para o cinema se tornar famoso na cidade de uma forma muito rápida. Em 1952, o governador Juscelino Kubitschek mandou adaptar o local para abrigar um restaurante popular. Belo Horizonte acontecia na Praça Sete (ainda acontece) e todo mundo passava por ali, seja a pé, de bonde, para ir no café, no cinema ou qualquer outra coisa. A cidade tinha outros cinemas, mas o Brasil era o mais popular, era o maior, funcionava a todo vapor, enfim, a grande referência da cidade. Muitos relacionamentos começaram no cinema, muitas amizades, muitas histórias marcantes.

 

Anos 40: a era de ouro. Portas sempre abertas, casa sempre cheia | Acervo Cine Theatro Brasil Vallourec

 

O tempo passava, e na década de 1970 os cinemas da cidade começavam a perder força, principalmente os mais centralizados, pois muitos bairros possuíam seus cinemas e com preços mais populares. Mais tarde, nos anos 90 os shoppings se tornaram mais populares e contavam com mais salas de cinema e receber mais pessoas por dia. Em 1999, o Cine Brasil – que em 1970 sofreu adaptações para receber só filmes e não mais peças de teatro – exibiu seu último filme: O Especialista com Sylvester Stallone e Sharon Stone. Depois disso ele ficou fechado, por longos 14 anos.

 

 

O Cine Theatro Brasil Vallourec

 

A casa esteve perto de se tornar uma igreja evangélica, o que acabou acontecendo com muitos cinemas, exemplos do Cine Royal na Afonso Pena e do Cine Floresta na Contorno. Mas em 2006, a Fundação Sidertube adquiriu o prédio e começou uma grande reforma e um longo processo de restauração. A Vallourec fez um grande investimento para a conclusão da reforma. Essa reforma durou sete anos. A fachada foi mantida, com as mesmas características originais, com suas luminárias quadradas. Ganhou um novo café no quarteirão fechado da Rua Carijós. Os vitrais também foram mantidos. Internamente, o grande teatro recebeu grandes alterações de acessibilidade e segurança, os mil lugares foram mantidos e algumas cadeiras originais ainda estão lá, os desenhos nas paredes e frisos Art Déco foram restaurados, também originais dos anos 30. O teatro da câmara foi todo reformado, todas as cadeiras deste são as originais, e hoje recebe filmes e pequenas peças teatrais. Dois andares acima do grande teatro há uma galeria para exposições e o último andar que conta com um espaço multiuso para 500 pessoas com dois mezaninos com acesso para a varanda do prédio com vista privilegiada do hipercentro.

 

Eu estive no Cine Theatro Brasil Vallourec na época em que foi reinaugurado, em 2013, com a exposição Guerra e Paz do meu pintor brasileiro predileto Cândido Portinari com seus dois imponentes e maravilhosos painéis de 14×10 metros e antes de fotografa-lo para o Culturaliza BH, fui em 2016 no show sensacional do Alceu Valença.

 

Patrimônio histórico de Belo Horizonte, reformado, lindo e recebendo vários eventos culturais | Foto: Diego Martins

 

Desde então, os belo-horizontinos e turistas do Brasil inteiro podem reviver parte do cotidiano do prédio que possui um grande currículo histórico e cultural recebendo exposições, shows, peças teatrais, filmes nacionais e internacionais, sem falar que ele é lindo por dentro, a sensação de nostalgia e o ambiente retrô com retoques atuais dá um charme especial em todo o prédio. Belo Horizonte é a cidade onde a cultura ganha vida, respiramos cultura em cada praça, em cada esquina, subindo Bahia ou descendo Floresta. Fique ligado no site do Cine Theatro Brasil Vallourec, pois todos os meses a programação conta com diversas atrações. No dia que eu fui fotografar teve uma apresentação da Orquestra Multiplayer que traz trilhas sonoras marcantes de filmes e jogos de video game.

 

 

Seguem as minhas fotos da visita. Espero que tenham gostado do texto. Gostando ou não, deixe seu comentário, pois são com eles que vamos saber se estamos fazendo um bom trabalho. Mês que vem eu volto com mais um lugar especial de BH para contar pra vocês! 😉

 

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Fontes:

http://cinetheatrobrasil.com.br/

http://www.belohorizonte.mg.gov.br/local/atrativo-turistico/artistico-cultural/arquitetura/cine-theatro-brasil-vallourec

http://www.uai.com.br/app/noticia/cinema/2016/09/19/noticias-cinema,184264/cine-brasil-adapta-seu-teatro-de-camara-para-funcionar-como-cinema.shtml

https://globoplay.globo.com/v/5118425/

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Diego Martins
Diego Martins
26 anos, Atleticano, formado em Design Gráfico pelo UniBH e em fotografia pela Escola Metrópole. É apaixonado por futebol, história, arte, mesa de bar com uma boa conversa e tem a fotografia como sua mais nova paixão. Quando não está fotografando, adora ver filmes, seja em casa ou no cinema. Não trocaria Belo Horizonte por lugar nenhum do mundo.

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