Literatura Poesia

Poetiza BH: Quando os muros me chamam

Quando os muros me chamam

Agora
Neste momento em que escrevo
Em que o muro
Me diz sim
Me diz não
Na mesma medida
Não há ortografia para os muros
Estariam eles
Contraditórios
A dizer sim e não?
Seriam os muros esfinges?
Há sempre um enigma no muro
No outro e no muro
Há sempre um recado no muro
Há sempre o muro
Que interdita
Separa
Faz barreira
Não deixa ver
Divisa
Mas agora não
Agora sem muros
No instante desse não
Da parada
Onde não há estrada
Brota a invenção
Os muros não dão conta dela
Atrás dele são cometidas as mais absurdas invenções
Mas haveria invenção não absurda?
Nãos
Agoras
E muros
De mãos dadas
No momento em que escrevo
Reafirmo que não
Não aos muros
Não às paradas
Não parar
Não deixar de amar
Não conter
Não contar as horas
Porque de nãos
Em nãos
A gente enche o muro
Derruba ele
E deitamos para olhar o céu
Que não é agora
Posto que estrela
“Há de surgir
Uma estrela no céu
Cada vez que você sorrir”

B.

 

Poema e foto de Bernardo Nogueira.

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Bernardo Nogueira
Bernardo Nogueira
Professor da Escola de Direito do Centro Universitário Newton Paiva, mestre em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, doutorando em Direito pela PUC/MG, autor dentre outros dos livros: "Cinema com Filosofia", "FOTOcontinuo", "Avôrio", "Direito e Literatura". Talvez poeta...

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