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“Não sei, só sei que foi assim!” – O Auto da Compadecida de Ariano Suassuna

 

A dica desta segunda-feira de Carnaval é de um livro alegre para entrar no espírito da folia. Muitas pessoas me perguntam qual é o meu livro preferido, sem pensar eu respondo: Não tenho UM livro preferido. Juro! Uma vez tentei fazer uma lista, mas no primeiro lugar eu colocaria pelo menos oito e depois disto já li vários que facilmente entrariam na minha lista de melhores do mundo, então conclui que não tenho apenas um livro preferido, mas quando me perguntam, qual o seu filme favorito, respondo sem titubear que “O Auto da Compadecida” está isoladamente no primeiro lugar do meu ranking. Já perdi a conta de quantas vezes assisti desde o começo, pela metade ou só finalzinho. Amo!

 

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Como vi o filme e a minissérie (que também é sensacional) precisava ler o livro. E ler tem um gostinho especial de reviver a obra, recriar na mente os cenários e os personagens inesquecíveis interpretados por Selton Melo (Chicó) e Matheus Nachtergaele (João Grilo). “O Auto da Compadecida” é originalmente uma peça de teatro que retrata as peripécias de dois brasileiros pobres que se utilizam do “velho jeitinho” para se dar bem em cima daqueles de melhor posição social.  A esperteza de João Grilo garante boas risadas em um texto recheado de críticas a religião, ao preconceito racial e social. As deixas, os bordões do Chicó e a interação com o amigo Grilo são o ponto forte da obra. 

 

É sabido que Suassuna se inspirou na literatura de cordel para escrever a peça, utilizando um cenário completamente brasileiro, especificamente o nordestino, que mistura religião e pobreza em um texto leve e divertido. No livro, temos acesso as sugestões dadas por ele na escolha dos atores que farão os personagens e na montagem dos cenários. No final da obra há um texto do escritor e poeta brasileiro Braulio Tavares, identificando os personagens e histórias que inspiraram Suassuna.

 

Imagem internet

 

 

Apesar das histórias girarem em torno das peripécias de “João Grilo” e “Chicó”, os personagens secundários são bem construídos e definidos no contexto da obra. Senti falta de mais histórias como anteriores a morte do cachorro e depois da “ressurreição de João Grilo”. Queria um livro de 500 páginas ou uma trilogia, mas como isso não será possível, devemos nos contentar com essa belíssima obra que consegue agradar em qualquer formato.

 

 

Motivos para ler “O Auto da Compadecida” de Ariano Suassuna

  • Vai te arrancar boas risadas;
  • De fácil identificação com os personagens e os cenários;
  • A linguagem é popular;
  • A leitura flui bem;
  • O livro é pequeno e barato.

Esta coluna é publicada aqui, todas as segundas!

Envie seu e-mail para a colunista: elisrouse@culturalizabh.com.br

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Elis Rouse
Elis Rouse
Sou Elis, não sou Regina; sou do interior e amo a capital; sou jornalista, mas não trabalho em jornal; amo ler, sonho escrever; dicas vou dar, dicas quero receber; experiências vamos trocar; literatura brasileira vamos amar!

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